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[traduzido por Xavier Marques]
Se eu fora Deus à morte arrancaria
as garras,
Faria os homens bons, aboliria o
adeus,
Ninguém choraria mais a não ser de
alegria,
Se eu fora Deus.
Se eu fora Deus, somente os frutos
saborosos
Deixaria sazonar; para os
amantes seus
O trabalho seria um exercício
alegre,
Se eu fora Deus.
Se eu fora Deus, por ti, ó mulher a
quem amo,
Eternamente azuis desdobraria
os céus;
Mas a mesma, qual és, meu anjo, eu
te deixara,
Se eu fora Deus.
(A poesia de Xavier Marques ‘algumas
páginas das "Insulares, poesias — 1896"’)
(Autores e Livros: suplemento literário
d'A Manhã, n. 17, 7.12.1941)
Si j'étais Dieu
Si j'étais Dieu, la mort serait
sans proie,
Les hommes seraient bons,
j'abolirais l'adieu,
Et nous ne verserions que des
larmes de joie,
Si j'étais Dieu.
Si j'étais Dieu, de beaux fruits
sans écorces
Mûriraient, le travail ne serait
plus qu'un jeu,
Car nous n'agirions plus que pour
sentir nos forces,
Si j'étais Dieu.
Si j'étais Dieu, pour toi, celle
que j'aime,
Je déploierais un ciel toujours
frais, toujours bleu,
Mais je te laisserais, ô mon ange,
la même,
Si j'étais Dieu.
(Stances et Poèmes — 1865)
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Antologia de Poetas Franceses do séc.
XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França [111 autorias e vários tradutores],
Organização, Seleção e Prefácio por R. Magalhães Jr., e Texto à Guisa de Introdução
por Michel Simon, Clássicos de bolso Ediouro nº 12126, sem data, [1985?], Editora
Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Sully-Prudhomme ou René Armand François Prudhomme
(1839 — 1907), francês e parisiense, ingressou no Liceu Bonaparte, pretendia ser
engenheiro, desistiu, trabalhou como escriturário em fábrica, estudou Direito, foi
pensador, ensaísta e poeta; pertenceu ao grupo de poetas parnasianos que foram responsáveis
pela publicação de Parnasse Contemporain; elegeu-se para a Academia Francesa (1881)
e foi o primeiro autor literato a receber o recém-criado Prêmio Nobel de Literatura
(1901); obras poéticas: Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves (1866), Les Solitudes
(1869), Impressions de la guerre (1870), Les Destins (1872), La France (1874), Les
Vaines tendresses (1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies diverses (1886),
Le Bonheur (1888)..., em prosa, escreveu Réflexions sur l’art des vers (prosa,
1892) e outros escritos (diário e pensamentos); Sully Prudhomme deixou
publicado ensaios filosóficos e prosa variada na Bibliothèque de philosophie contemporaine
e nos periódicos Revue de deux Mondes, Revue scientifique, La Nature, Revue de
Métaphysique et de Morale e Nouvelle Revue Internationale Européenne; de sua
biografia, consta que o poeta, “de saúde precária” desde a infância, a partir
de 1870, sofreu mais complicações, teve paralisia em “toda parte inferior do
corpo” e após a qual “nunca mais recobraria integralmente sua capacidade
[motora]; teve poemas musicados, recebeu honrarias e premiações por sua obra,
entre as quais o já citado 1º Prêmio Nobel de Literatura (1901).