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[traduzido por José Lino
Grünewald]
A caravana humana ao Saara do
mundo,
Nesse trilhar dos anos sem
mais retomada
Vai arrastando o pé em fogo
solar queimada,
E bebendo nos braços o suor
que inunda.
Ruge o grande leão e a
tormenta retumba:
No horizonte que foi, nem
minarete ou torre;
Só uma sombra lá está, a do
abutre que percorre
O céu a procurar a sua presa
imunda.
Caminha sempre em frente e eis
que ela se defronta
Com um algo de verde para o
qual se aponta:
É um bosque de ciprestes de
pedras alvéreas.
Deus, pra vos repousar no
deserto do tempo,
Assim como os oásis, fez os
cemitérios:
Deitai-vos e dormis andantes
sem alento.
La
Caravane
La caravane humaine au Sahara
du monde,
Par ce chemin des ans qui n'a
pas de retour,
S'en va traînant le pied,
brûlée aux feux du jour,
Et buvant sur ses bras la
sueur qui l'inonde.
Le grand lion rugit et la
tempête gronde;
A l'horizon fuyard, ni minaret,
ni tour;
La seule ombre qu'on ait,
c'est l'ombre du vautour,
Qui traverse le ciel cherchant
sa proie immonde.
L'on avance toujours, et voici
que l'on voit
Quelque chose de vert que l'on
se montre au doigt:
C'est un bois de cyprès semé
de blanches pierres.
Dieu, pour vous reposer, dans
le désert du temps,
Comme des oasis, a mis les
cimetières:
Couchez-vous et dormez
voyageurs haletants.
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Poetas Franceses do Século XIX — Seleção, Organização, Tradução e Nota Introdutória
de José Lino Grünewald, 1991, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Théophile
Gautier (1811 — 1872), francês de Tarbes, matriculado como aluno interno do Collège
Louis-le-Grand, Paris, logo o abandonou, ingressou como estudante externo no Collège
Charlemagne [também em Paris] foi escritor, jornalista, poeta, crítico literário
e de arte; criança precoce, desde os cinco anos fez suas primeiras leituras:
Robinson Crusoe, Paul et Virginie ...; defensor e propulsionador da “arte pela arte”, pelo culto à beleza da forma
poética, que veio desaguar no surgimento do parnasianismo, Gautier transitou pelo
romantismo, parnasianismo, simbolismo e decadentismo; em diferentes períodos trabalhou
e/ou colaborou nos periódicos La Chronique de Paris, La Presse [primeiro
responsável pela crítica de arte], Moniteur Universel [crítico de arte e
espetáculo], Le Figaro, La Caricature,
Musée des Familles, Revue de Paris [co-proprietário], Revue des Deux Mondes, revue La France
littéraire, Le Pays, L’Artist, L'Entr'acte [foi diretor] e outros; andejou
por várias regiões francesas e várias cidades da Inglaterra, Holanda, Alemanha,
Argélia, Itália, Espanha, Grécia, Egito, regiões da Ásia menor, Rússia, produzindo
relatos de viagem; suas obras: Poésies
(livro de estréia, 1830), La Cafetière (contos,
1831), Albertus ou L’Ame et le pêché (poesias, 1833), Mademoiselle de Maupin (romance,
1835), Les Jeunes: France (contos ou romances zombeteiros, 1833), La Comédie de la
mor (poesias, 1838), Une tear du diable, Le Tricorne Enchanté, Pierrot Posthume
(teatro, todos em 1839), Les Grotesques (crítica, 1843), Le Voyage en Espagne (relatos
de viagem, 1843), Émaux et camées (poesias, 1852 e várias edições incluindo novos
poemas), Voyage en Italie (relatos
de viagem, 1852), Constantinopla
(relatos de viagem, 1853), Les Beaux-Arts en Europe (crítica, 1855), L’Art Moderne
(crítica, 1856), Honoré de Balzac (biografia, 1859), Le Capitaine Fracasse (romance,
1863), Voyage en Russe (relatos de viagem, 1867), Histoire du Romantisme
[as dernière œuvre, inachevée] (1874) e outros títulos; Théophile Gautier conviveu literariamente com Gérard de
Nerval, Victor Hugo ..., escreveu e publicou profusamente ensaios, estudos, críticas
[dramática, artística, literária], relatos de viagem, variedades, poemas, em jornais
e revistas, muitos dos quais compilados em livros, em edições e reedições ampliadas;
produziu libretos para ópera, dança, balé, entre estes Giselle, La Péri, Paquerette...;
o poeta participou de associações literárias e de artes, dirigiu algumas, foi presidente
da Sociedade Nacional de Belas Artes.