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Destes que campam no mundo
sem ter engenho profundo
e, entre gabos dos amigos,
os vemos em papa-figos
sem tempestade, nem vento:
Anjo Bento!
De quem com letras secretas
tudo o que alcança é por tretas,
baculejando sem pejo,
por matar o seu desejo,
desde a manhã té à tarde:
Deus me guarde!
Do que passeia farfante,
muito prezado de amante,
por fora — luvas, galões,
insígnias, armas, bastões;
por dentro — pão bolorento:
Anjo Bento!
. . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . .
Destes avaros mofinos,
que põem na mesa pepinos,
de toda a iguaria isenta,
com seu limão e pimenta,
porque diz que o queima e arde:
Deus me guarde!

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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Gregório de
Matos Guerra (1636? — 1695?), baiano de Salvador, formado em Direito pela Universidade
de Coimbra — Portugal, construiu uma obra literária na qual expõe as mazelas dos
poderosos da Bahia de outrora, os quais passam a combatê-lo e fazem com que a vida
do poeta vire um verdadeiro inferno, daí resultando a origem do seu apelido: Boca
do Inferno; sua obra só foi registrada em livro postumamente, e, entre os anos 20
e 30 do século XX, a Academia Brasileira de Letras publicou uma coleção de sua poesia
em seis volumes: Sacra (Santo — volume 1, 1923), Lírica (Lyrical — volume 2, 1923),
Graciosa (Graciosa — volume 3, 1930), Satírica (Satirical — volumes 4 e 5, 1930)
e Última (Última — volume 6, 1933); vale a pena ver o filme Gregório de Matos, direção
de Ana Carolina, lançado em 2002, e que traz no elenco Waly Salomão (Gregório de
Matos), Marília Gabriela, Ruth Escobar e Guida Viana (Abadessas), Rodolfo Bottino
(Capitão), Virginia Rodrigues (Cantora) e Xuxa Lopes e Elisa Lucinda (Mulheres de
rua); no filme, os personagens se revezam em recital de poemas do autor, sendo intercalados
pela personagem de Marília Gabriela que apresenta relatos biográficos do poeta.