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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Leila Míccolis: Dar nomes ao cão *

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Eu sou "Leandro", porém
"Ouou" me cai muito bem
por causa do meu latido.
Se chegam desconhecidos
aí sim, eu solto a voz,
porque Leila me ensinou:
“Cuidado: gente feroz!”


Já perguntaram pra mim,
se inspirei uns versos dela
sobre um tal de "Rin Tin Rin".
Isso eu não sei (talvez sim),
não conheço este carinha,
nunca fui apresentado
(será que agita a patinha
quando também pede agrado?).
Sou "Lobo", pra vizinhança,
sou "Totó" para as crianças,
mas pros íntimos de casa,
não ligo pra nome não:
fico prosa e todo em brasa
quando a mão deles me afaga,
dizendo muda: meu cão.


* Nota deste Verso e Conversa: na página leilamiccolis.blogspot.com/ a autora registra que o nome deste poema é uma paráfrase do título de um poema de T.S. Eliot, "Dar nome aos gatos"; Leila Míccolis também faz constar que Ouou ainda chegou a ver o livro, pois morreu em outubro de 2010.
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Poemas que latem ao coração! — Os mais belos poemas sobre cães (diversos autores), Organização de Ulisses Tavares e Apresentação de Luisa Mell, 2009, Editora Nova Alexandria, São Paulo — SP; Leila Míccolis, nascida em 1947, fluminense de Maricá, formada em advocacia pela antiga Faculdade Nacional de Direito (hoje UFRJ), mestrado e doutorado em Ciência da Literatura (Teoria Literária) também pela UFRJ, é poetisa, ensaísta, romancista, contista, roteirista de cinema e televisão, dramaturga, editora e professora; estreou na poesia com Gaveta da Solidão (1965) e fez parte da geração de poetas da década de 1970, conhecida como ‘Poesia Marginal’ e ‘Geração Mimeógrafo’, no Rio de Janeiro, em São Paulo e algumas outras capitais; escreveu roteiros para a televisão, tendo sido co-autora de telenovelas; possui 30 livros editados (poesia e prosa), com obras publicadas em países como França, México, Colômbia, Estados Unidos e Portugal.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

José Paulo Paes: Dúvidas *

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Não há nada mais triste
do que um cão em guarda
ao cadáver de seu dono.
Eu não tenho cão.
Será que ainda estou vivo?

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* Nota do organizador, com acréscimo deste Verso e Conversa: Data da última gravação (do poema): 8/10/98, 17h09; o poeta faleceu em 9/10/98; Verso e Conversa complementa que este poema, encontrado no computador de José Paulo Paes, foi incluído no livro Socráticas deixado pronto pelo autor e editado postumamente; "Dúvida" foi o derradeiro registro de poesia do poeta.
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Poemas que latem ao coração! — Os mais belos poemas sobre cães (diversos autores), Organização de Ulisses Tavares e Apresentação de Luisa Mell, 2009, Editora Nova Alexandria, São Paulo — SP; José Paulo Paes (1926 1998), paulista de Taquaritinga, foi poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário, jornalista e editor; formado em Química Industrial, durante anos trabalhou em laboratório farmacêutico (Curitiba PR), sem jamais ter deixado de lado a literatura, gosto adquirido através de seu avô que era livreiro; na cidade paranaense colaborou com a revista Joaquim (1946 1948), dirigida por Dalton Trevisan; transferindo-se para São Paulo, passou a colaborar com os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Tempo, Jornal de Notícias e Revista Brasiliense; escreveu e publicou: O Aluno (1947), Cúmplices (1951), Novas Cartas Chilenas (1954), Mistério em Casa (1961), Anatomias (1967), Meia Palavra (1973), Pavão, Parlenda, Paraíso: uma tentativa de descrição crítica da poesia de Sosígenes Costa (ensaio, 1977), Resíduo (1980), Calendário Perplexo (1983), É isso Ali (1984), Gregos & Baianos (ensaio, 1985), Um por Todos (poesia reunida, 1988), A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu (1988), Prosas Seguidas de Odes Mínimas (1992), Lé com Cré (1993), A Meu Esmo (1995), De Ontem Para Hoje (1996), Um passarinho me contou (1997), Melhores poemas (1998), Uma Letra Puxa a Outra (1998), Ri Melhor Quem Ri Primeiro (1999), O Lugar do Outro (1999), Socráticas (livro inédito, edição póstuma, 2001) e tantos outros títulos em parceria com poetas e escritores, no gênero poesia infantil e infanto-juvenil; como editor, verteu para o português autores gregos, dinamarqueses, italianos, norte-americanos e ingleses, tais como Charles Dickens, Joseph Conrad, Pietro Aretino, Konstantínos Kaváfis, Laurence Sterne, W. H. Auden, William Carlos Williams, J. K. Huysmans, Paul Éluard, Hölderlin, Paladas de Alexandria, Edward Lear, Rilke, Seféris, Lewis Carroll, Níkos Kazantzákis, Ovídio etc.; foi laureado com diversos prêmios literários nas categorias poesia, literatura infanto-juvenil e tradução.

Olavo Bilac: Plutão

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Negro, com os olhos em brasa,
Bom, fiel e brincalhão,
Era a alegria da casa
O corajoso Plutão.

Fortíssimo, ágil no salto,
Era o terror dos caminhos,
E duas vezes mais alto
Do que o seu dono Carlinhos.

Jamais à casa chegara
Nem a sombra de um ladrão;
Pois fazia medo a cara
Do destemido Plutão.

Dormia durante o dia,
Mas, quando a noite chegava,
Junto à porta se estendia,
Montando guarda ficava.

Porém Carlinhos, rolando
Com ele às tontas no chão,
Nunca saía chorando
Mordido pelo Plutão...

Plutão velava-lhe o sono,
Seguia-o quando acordado:
O seu pequenino dono
Era todo o seu cuidado. *

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Um dia caiu doente
Carlinhos... Junto ao colchão
Vivia constantemente
Triste e abatido, o Plutão.

Vieram muitos doutores,
Em vão. Toda a casa aflita,
Era uma casa de dores,
Era uma casa maldita.

Morreu Carlinhos... A um canto,
Gania e ladrava o cão;
E tinha os olhos em pranto,
Como um homem, o Plutão.

Depois, seguiu o menino,
Seguiu-o calado e sério;
Quis ter o mesmo destino:
Não saiu do cemitério.

Foram um dia à procura
Dele. E, esticado no chão,
Junto de uma sepultura,
Acharam morto o Plutão.

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* Nota do aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: Em Poemas que latem o coração!, o organizador Ulisses Tavares faz registro deste poema “Plutão” até a sexta estrofe; o poema todo contém mais cinco estrofes de quatro versos cada.
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Poemas que latem ao coração! — Os mais belos poemas sobre cães (diversos autores), Organização de Ulisses Tavares e Apresentação de Luisa Mell, 2009, Editora Nova Alexandria, São Paulo — SP; Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865 1918), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta expoente do parnasianismo, cronista e jornalista; colaborou em jornais, como a Gazeta de Notícias, e em publicações periódicas, como as revistas A Imprensa, A Leitura, Branco e Negro, Brasil Portugal e Atlântida; escreveu Poesias (1888), Crônicas e Novelas (1894), Crítica e Fantasia (1904), Conferências Literárias (1906), Tratado de Versificação (1910), Dicionário de Rimas (1913), Ironia e Piedade — crônicas (1916) etc.; foi autor da letra do Hino à Bandeira; juntamente com os poetas Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, veio a formar o que ficou conhecido como a Tríade Parnasiana; no Rio de Janeiro e em São Paulo, estudou Medicina e Direito sem no entanto concluir nenhum dos cursos.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Ulisses Tavares: A criação do mundo (revista e diminuída)

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e no princípio era o verbo
depois o advérbio e o composto
veio então a raiz quadrada
povoar de teoremas as águas
do cérebro
com toda ciência  e muita, mas
muita paciência  criou
toda matéria que há
separando a geografia o mar
da terra
lá pela hora do recreio
vieram a arte e a história
dar seus palpites
e foi depois da sétima aula
que o Professor descansou
não sem antes passar dois
mil anos de lição de casa
para que todos aprendessem
um pouco de tudo que há no mundo
e não levassem bomba no fim do ano.

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Viva a Poesia Viva  Ulisses Tavares, 6ª. edição, 2003, Editora Saraiva, São Paulo  SP; Ulisses Tavares, paulista de Sorocaba  SP, nascido em 1950, é poeta, professor, publicitário, jornalista, dramaturgo, compositor, roteirista e ator; sua página na internet nos informa que o poeta só não publicou em bulas de remédio e no idioma chinês  são mais de 112 livros publicados em variados gêneros e assuntos; nos anos 70 do século e milênio passados participou da Geração Mimeógrafo, criou e participou também do Núcleo Pindaíba Edições e Debates e ajudou a lançar outros poetas no mercado livreiro; eis algumas de suas obras, não necessariamente na ordem cronológica em que foram escritas e publicadas: Viva a Poesia Viva (infantil, Editora Saraiva), O Eu entre Nós (1978, Edições Pindaíba), Pega Gente (seu primeiro livro de poemas, 1977), Caindo na Real (Editora Moderna), A Maravilhosa Sabedoria das Coisas (Editora Cortez), O Diário de uma Paixão (Geração Editorial), Sete Casos do Detetive Xulé, Poemas que Latem ao Coração (Editora Nova Alexandria) etc. etc. etc.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Ulisses Tavares: pulo da gia

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fica de olho, poeta
no destino que lhe apronta esta:
viver até o fim sua utopia
ou ser jurado de concurso de poesia.

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O Eu entre Nós, Edições Pindaíba, 1978, São Paulo — SP; Ulisses Tavares, paulista de Sorocaba  SP, nascido em 1950, é poeta, professor, publicitário, jornalista, dramaturgo, compositor, roteirista e ator; sua página na internet nos informa que o poeta só não publicou em bulas de remédio e no idioma chinês  são mais de 112 livros publicados em variados gêneros e assuntos; nos anos 70 do século e milênio passados participou da Geração Mimeógrafo, criou e participou também do Núcleo Pindaíba Edições e Debates e ajudou a lançar outros poetas no mercado livreiro; eis algumas de suas obras, não necessariamente na ordem cronológica em que foram escritas e publicadas: Viva a Poesia Viva (infantil, Editora Saraiva), O Eu entre Nós (1978, Edições Pindaíba), Pega Gente (seu primeiro livro de poemas, 1977), Caindo na Real (Editora Moderna), A Maravilhosa Sabedoria das Coisas (Editora Cortez), O Diário de uma Paixão (Geração Editorial), Sete Casos do Detetive Xulé, Poemas que Latem ao Coração (Editora Nova Alexandria) etc. etc. etc.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Ulisses Tavares: aladim na madrugada

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achada a garrafa
não tinha dentro gênio nenhum
para atender meus três desejos:
boca para encher de beijos
bolso onde sobrasse algum
alegria repartida a esmo.
mas tinha muita pinga
o que vinha a dar no mesmo.

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O Eu entre Nós, Edições Pindaíba, 1978, São Paulo — SP; Ulisses Tavares, paulista de Sorocaba SP, nascido em 1950, é poeta, professor, publicitário, jornalista, dramaturgo, compositor, roteirista e ator; sua página na internet nos informa que o poeta só não publicou em bulas de remédio e no idioma chinês são mais de 112 livros publicados em variados gêneros e assuntos; nos anos 70 do século e milênio passados participou da "Geração Mimeógrafo", criou e participou também do "Núcleo Pindaíba Edições e Debates" e ajudou a lançar outros poetas no mercado livreiro; eis algumas de suas obras, não necessariamente na ordem cronológica em que foram escritas e publicadas: Viva a Poesia Viva (infantil, Editora Saraiva), O Eu entre Nós (1978, Edições Pindaíba), Pega Gente (seu primeiro livro de poemas, 1977), Caindo na Real (Editora Moderna), A Maravilhosa Sabedoria das Coisas (Editora Cortez), O Diário de uma Paixão (Geração Editorial), Sete Casos do Detetive Xulé, Poemas que Latem ao Coração (Editora Nova Alexandria) etc. etc. etc.

domingo, 21 de abril de 2013

Ulisses Tavares: Guarda-Roupa

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eu tenho um guarda-roupa
que se chama eu,
nele há só armaduras.
você tem um guarda-roupa
que se chama você,
nele há só armaduras.
quando abro seu guarda-roupa
com amor
só encontro estrelas nuas
aberto o meu
com idêntico cuidado
só encontra você nuvens.
nós temos
um guarda-roupa
ou um céu estrelado?

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O Eu entre Nós, Edições Pindaíba, 1978, São Paulo  SP; Ulisses Tavares, paulista de Sorocaba  SP, nascido em 1950, é poeta, professor, publicitário, jornalista, dramaturgo, compositor, roteirista e ator; sua página na internet nos informa que o poeta só não publicou em bulas de remédio e no idioma chinês  são mais de 112 livros publicados em variados gêneros e assuntos; nos anos 70 do século e milênio passados participou da Geração Mimeógrafo, criou e participou também do Núcleo Pindaíba Edições e Debates e ajudou a lançar outros poetas no mercado livreiro; eis algumas de suas obras, não necessariamente na ordem cronológica em que foram escritas e publicadas: Viva a Poesia Viva (infantil, Editora Saraiva), O Eu entre Nós (1978, Edições Pindaíba), Pega Gente (seu primeiro livro de poemas, 1977), Caindo na Real (Editora Moderna), A Maravilhosa Sabedoria das Coisas (Editora Cortez), O Diário de uma Paixão (Geração Editorial), Sete Casos do Detetive Xulé, Poemas que Latem ao Coração (Editora Nova Alexandria) etc. etc. etc.