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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

José Almino: Porque os corpos se entendem mas as almas não


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Mas como
se eu claramente pressentia
o simples anúncio
de um sorriso
no seu rosto?
E, juntos,
não fomos generosos
com o passado
com os amigos
com os mortos
enquanto o brilho do amor
se insinuava
na alegria de cada gesto
novo?

Agora,
no meio dessa tarde,
onde nem a morte ronda a minha vida,
me diga, não foi verdade?
Maneira de dizer (1991)


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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 80, Seleção e Prefácio de Ricardo Vieira Lima, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2010, São Paulo — SP; José Almino de Alencar e Silva Neto, pernambucano de Recife, nascido em 1946, é sociólogo, pesquisador, escritor, tradutor e poeta; traduziu uma dezena de peças para o teatro, entre as quais textos de Molière, Patrick Marbe, Edward Albee e Athol Fujard, tendo recebido premiações; compôs, com Caetano Veloso,a música-tema da peça Lisbela e o prisioneiro; para o cinema, colaborou na adaptação de Bella Dona, dirigido por Fábio Barreto; obra poética: De viva voz (1982), Maneira de dizer (1991), A estrela fria (2010) ...