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[traduzido por Renata Cordeiro]
Vejamos, meu bem, se a tal rosa
Que de manhã abriu, formosa,
Ao sol o vestido vermelho,
Já perdeu à tarde o esplendor
As pregas de encarnada cor,
E o tom ao vosso tão parelho.
Ai! Vede como em pouco tempo,
Meu bem, veio-lhe o tombamento,
Ai! E o viço deixou morrer!
É mesmo madrasta a Natura,
Pois semelhante flor só dura
Da manhã ao entardecer!
Assim, meu bem, eis a verdade,
Enquanto estais na flor da idade,
Nos primeiríssimos verdores,
Colhei, colhei a juventude:
Pois como à flor a senectude
Há-de ofuscar vossos primores.
Mignonne, allons voir si la rose . . .
A Cassandre
Mignonne, allons voir si la rose
Qui ce matin avoit déclose
Sa robe pourpre au soleil,
A point perdu cette vesprée
Les plis de sa robe pourprée,
Et son teint au votre pareil.
Las! voyez comme en peu d'espace,
Mignonne, elle a dessus la place
Las! las! ses beautés laissé choir!
Ô vraiment marâtre Nature,
Puisqu'une telle fleur ne dure
Que du matin jusques au soir!
Donc, si vous me croyez, mignonne,
Tandis que votre âge fleuronne
En sa plus verte nouveauté,
Cueillez, cueillez votre jeunesse:
Comme à cette fleur la vieillesse
Fera ternir votre beauté.
(Les Odes, I, 17 — 1550)
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Pequena Antologia de Poemas Franceses: De François Villon
a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção, Introdução, Tradução e Notas de Renata Maria
Parreira Cordeiro, 2002, Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo
— SP; Pierre de Ronsard (1524 — 1585), francês de Vendôme, próximo à
aldeia de Couture-sur-Loir, à época Reino da França, teve “educação confiada a um
tutor”, por alguns meses estudou no Collège de Navarre, tomou contato com
textos de autores latinos, foi poeta, participou das guerras italianas e, invariavelmente,
prestou serviços à Corte: foi pajem do delfim Francisco [filho de Francisco I,
rei da França, patrono das artes e iniciador/impulsionador do Renascimento
francês] e, depois ainda, esteve com Carlos — Duque de Orleans, Madalena de
França, esposa do Rei Jaime V da Escócia, depois, com o próprio Jaime V, esteve
ainda a serviço na Escócia, em Londres, em Flandres [hoje, região da Bélgica];
após uma doença tê-lo feito perder parte da audição, interrompeu seus serviços
[diplomáticos] à Corte, dedicou-se aos estudos [processos literários da
literatura italiana: Dante, Petrarca, Boccaccio], leu Lemaire de Belges,
Guillaume Coquilard, Clément Marot, compôs algumas odes orácicas [de Horácio],
mas também prestou serviços ao Rei Charles d’Orleans [Carlos II] e, após a
morte deste, a seu delfim Henri [II]; suas obras: Odes (Les Odes, 1550 — 1552),
Amores (Les Amours, 1552 — 1578), Hinos (Les Hymnes, 1555 — 1556), Discursos
(Les Discours, 1562 — 1563), Sonetos para Helena (Sonnets pour Hélène, 1578),
Os Amores de Cassandra [Les Amours de Cassandre, coleção de poemas em
decassílabos, extraídos de Les Amours) ...; Pierre Ronsard fez parte da Plêiade, grupo
literário que, à época, atuando pela renovação da língua francesa, produziu
textos “inspirados pelos poetas da Grécia e Roma antigos”, “buscaram criar uma
poesia mais rica e complexa, tanto em termos de forma quanto de conteúdo” e contribuíram
para trazer modernidade à língua; teve vários poemas musicados por compositores de diversas épocas.



