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[traduzido
por Guilherme de Almeida]
O vaso azul destas verbenas,
Partiu-o um leque que o tocou:
Golpe sutil, roçou-o apenas,
Pois nem um ruído o revelou.
Mas a ferida persistente,
Mordendo-o sempre e sem sinal,
Fez, firme e imperceptivelmente,
A volta toda do cristal.
A água fugiu calada e fria,
A seiva toda se esgotou;
Ninguém de nada desconfia.
Não toquem, não, que se quebrou.
Assim, a mão de alguém, roçando
Num coração, enche-o de dor;
E ele se vai, calmo, quebrando,
E morre a flor do seu amor;
Embora intacto ao olhar do mundo,
Sente, na sua solidão,
Crescer seu mal fino e profundo.
Já se quebrou; não toquem não.
Le vase brisé
Le vase où meurt cette verveine
D’un coup d’éventail fut fêlé;
Le coup dut effleurer à peine.
Aucun bruit ne l’a révélé.
Mais la légère meurtrissure,
Mordant le cristal chaque jour,
D’une marche invisible et sûre
En a fait lentement le tour.
Son eau fraîche a fui goutte à goutte,
Le suc des fleurs s’est épuisé;
Personne encore ne s’en doute,
N’y touchez pas, il est brisé.
Souvent aussi la main qu’on aime,
Effleurant le coeur, le meurtrit;
Puis le coeur se fend de lui-même,
La fleur de son amour périt;
Toujours intact aux yeux du monde,
Il sent croître et pleurer tout bas
Sa blessure fine et profonde:
Il est brisé, n’y touchez pas.
[Stances et poèmes — 1865]
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Poetas de França [vários autores]: Seleção,
Tradução e Dedicatória ‘Soneto de amor pela França’ de Guilherme de Almeida e Prefácio
de Marcelo Tápia, 5ª edição, 2011, Edições Babel, São Paulo — SP; Sully-Prudhomme
ou René Armand François Prudhomme (1839 — 1907), francês e parisiense,
ingressou no Liceu Bonaparte, pretendia ser engenheiro, desistiu, trabalhou como
escriturário em fábrica, estudou Direito, foi pensador, ensaísta e poeta; pertenceu
ao grupo de poetas parnasianos que foram responsáveis pela publicação de Parnasse
Contemporain; elegeu-se para a Academia Francesa (1881) e foi o primeiro autor
literato a receber o recém-criado Prêmio Nobel de Literatura (1901); obras poéticas:
Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves (1866), Les Solitudes (1869), Impressions
de la guerre (1870), Les Destins (1872), La France (1874), Les Vaines tendresses
(1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies diverses (1886), Le Bonheur (1888)
e outros escritos (diário e pensamentos); o pensador Sully Prudhomme deixou
publicado ensaios filosóficos e prosa variada na Bibliothèque de philosophie
contemporaine e nos periódicos Revue de deux Mondes, Revue scientifique, La
Nature, Revue de Métaphysique et de Morale e Nouvelle Revue Internationale
Européenne; de sua biografia, consta que o poeta, desde 1870, teve “a saúde
abalada”, sofreu paralisia em “toda parte inferior do corpo” e após a qual “nunca
mais recobraria integralmente sua capacidade [motora].





