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“À parda Maria Bárbara, mulher de
um soldado, cruelmente assassinada, porque preferiu a morte à mancha de infiel
ao seu esposo”
Se acaso aqui topares, caminhante,
Meu frio corpo já cadáver feito,
Leva, piedoso, com sentido aspeito,
Esta nova ao esposo aflito, errante...
Diz-lhe como de ferro penetrante
Me viste por fiel cravado o peito,
Lacerado, insepulto, e já sujeito
O tronco feio ao corvo altivolante:
Que dum monstro inumano, lhe
declara,
A mão cruel me trata desta sorte;
Porém que alívio busque à dor amara
Lembrando-se que teve uma consorte,
Que, por honra da fé que lhe
jurara,
À mancha conjugal prefere a morte.
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30 Séculos de Poesia — De IX a.C. até
o Século XVIII, Organização, Prefácio e Notas de Ary de Mesquita, 1966, Edições
de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (1769 — 1811),
amazonense de Barcelos (à época, capitania de São José do Rio Negro, pertencente
ao Grão-Pará), fez seus estudos na própria terra, exerceu cargos públicos na região
amazônica, foi poeta lírico e dramaturgo; entrante na adolescência, já órfão,
foi enviado para estudar no convento de Santo Antônio, e ali completou os “estudos
preparatórios”; de sua obra, parte foi perdida em 1832, em naufrágio sofrido por
seu filho e, outra parte, inúmeros manuscritos, destruiu-se em saques perpetrados por
tropas repressoras à então Província do Pará, em 1835; o que se salvou, e chegou
até nossos dias, está reunido no volume póstumo Obras Literárias de Bento de Figueiredo
Tenreiro Aranha (1850), com segunda edição em 1899, que inclui idílios, dramas,
oratórios, odes e cantatas; são de sua autoria: 'Oração ou Breve discurso', 'Ode
pindárica', 'Drama pela fundação da casa para depósito de pólvora do rio Aurá',
'Os pastores do Amazonas' (drama pastoril),
'A felicidade no Brasil' (drama em um só ato), 'Melizo' (idílio, 1789).
