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Os infinitos céus fitam seu
rosto
Absoluto e cego
E a brisa agora beija a sua
boca
Que nunca mais há-de beijar
ninguém.
Tem as duas mãos côncavas
ainda
De possessão, de impulso, de
promessa.
Dos seus ombros desprende-se
uma espera
Que dividida na tarde se
dispersa.
E a luz, as horas, as colinas
Inclinam-se a chorar sobre o
seu rosto *
Porque ele foi jogado e foi
perdido
E no céu passam aves
repentinas.
[Mar Novo —
1958], (Antologia — 1968)
* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de
blogueiro desta página anota que, em substituição ao verso ‘Inclinam-se a
chorar sobre o seu rosto’, em Mar Novo (1958), conforme escritas.org/pt/t/50768/o-soldado-morto, consta ‘São como pranto em torno do seu rosto’.
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Poesia portuguesa
contemporânea [várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota
inicial e Traços biobibliográficos por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha
Kempf Editores, São Paulo — SP; Sofia de Mello Breyner Andresen (1919 — 2004),
ou Sophia de Mello Breyner Andresen, portuguesa do Porto, iniciou seus estudos
no Colégio Sagrado Coração de Jesus, estudou [de 1936 a 1939] Filologia
Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, curso inconcluso,
foi poetisa, contista, ensaísta, tradutora, militante antisalazarista e
deputada socialista constituinte; colaborou na revista Cadernos de Poesia e
relacionou-se com autores influentes e renomados, Ruy Cinatti e Jorge de Sena
entre os quais; suas obras: em poesia: Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral
(1950), No tempo dividido (1954), Mar novo (1958), Cecília Meirelles (ensaio,
1958), Cristo cigano (1961), Livro sexto (1962), Geografia (1967), Antologia
(1968), Grades (1970), Dual (1972), O nome das coisas (1977), Navegações
(1983), Signo (poemas, 1994), Primeiro livro de poesia (infanto-juvenil, 1999)
..., em prosa: Contos exemplares (1962), A fada Oriana (infantil, 1958), O
Cavaleiro da Dinamarca (infantil, 1964), O rapaz de bronze (infantil, 1966),
Histórias da terra e do mar (contos, 1984), Não chores, minha querida (teatro,
1993) ... e outros títulos em verso e prosa e para teatro; traduziu
Shakespeare, Dante, Leif Kristianson e verteu para o francês, em Quatre Poètes
Portugais (1970), poemas de Camões, Cesário Verde, Mário de Sá-Carneiro e
Fernando Pessoa; obras da poetisa receberam traduções e edições alemãs,
inglesas e italianas; premiações: Grande Prêmio de Poesia da Sociedade
Portuguesa de Escritores (pelo Livro Sexto, 1964), Grande Prêmio Calouste
Gulbenkian de Literatura para Crianças (1992), Prêmio Petrarca Associação de
Editores Italianos (1995), Prêmio da Fundação Luís Miguel Nava (1998), Prêmio
Camões (primeira mulher portuguesa a recebê-lo, 1999) ...; a poetisa Sofia de
Mello Breyner Andresen, após o 25 de abril de 1974, que deu fim ao regime
ditatorial salazarista, foi eleita deputada constituinte pelo Partido
Socialista.