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sábado, 2 de janeiro de 2016

Lorenzo Stecchetti: Póstuma I

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(traduzido por Basílio de Magalhães)

Míseros versos meus, que lanço ao vento,
da juventude em flor, memórias fiéis.
Rimas de ira, de gáudio e de lamento,
amanhã, pobres rimas, que sereis?

Fugi, fugi do mundo, sempre atento

a flagelar quem não o amou! Tereis
inculto, sim, mas não fingido acento,
rimas, que o meu afeto enalteceis

Decerto a minha amada encontrareis,

por quem ânsias mortais experimento,
e vós, que o arcano deste amor sabeis,

vós, testemunhas de um finar tão lento,

ah! quanto, quanto a amei  lhe direis,
míseros versos meus, que lanço ao vento!


Lorenzo Stecchetti

POSTUMA

I.

Poveri versi miei gettati al vento,
Della mia gioventù memorie liete,
Rime d’ira, di gioia e di lamento,
Povere rime mie, che diverrete?

Ahi fuggite, fuggite il mondo intento
A flagellar chi non l’amò; premete
L’inculto sì ma non bugiardo accento,
Conscie dell’amor mio, rime discrete.

E se la donna mia ritroverete
Per cui le angoscie della morte io sento,
Voi che il segreto del mio cor sapete,

Voi testimoni del perir mio lento,
Quanto, quanto l’amai voi le direte,
Poveri versi miei gettati al vento.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Olindo Guerrini (1845  1916), ou Lorenzo Stecchetti, italiano de Forlì, estudou direito e se encaminhou pela vida nas letras, tendo sido bibliotecário na Universidade de Bolonha; foi bibliófilo, estudioso da literatura italiana, crítico literário e poeta; teve muitos de seus poemas musicados à época; sua obra poética: Postuma (1877), Polemica (1878), Giobbe (1882), Rime di Argia Sbolenti (1897) e outros; obra em prosa: La vita e le opere di Giulio Cesare Croce (1879), La tavola e la cucina nei secoli XIV e XV (1884), In Bicicleta (1901), Brani di vita (1908) ...; o poeta também fez uso de vários outros pseudônimos em suas publicações, entre os quais Argia Sbolenti, Marco Balossardi, John Dareni, Pulinera, Bepi e Mercutio.