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O segredo deste sonho
Que me embalou tantos dias
É como a folha de um livro
Que se rasgou quando o lias...
As flores que à sombra crescem,
Crescem, mulher, tão sombrias!
É como o grito dos mares
Nas asas do furacão.
É um veneno que mata
E alimenta o coração.
É mais talvez que um gemido
E menos que uma oração...
À noite nos cemitérios
Vão mil vampiros vagar:
Quem já rompeu seus mistérios?
Que brisa os sabe contar?
A estrela já disse à noite
Segredos do cintilar?!
Como o perfume de um goivo
Que para os mortos se inclina,
Como o primeiro suspiro
De descuidada menina,
Nasceu só, morreu sozinho,
Que sina, meu Deus! que sina!
A lua — que além se mira
Nas ondas mortas do mar —
Não lhe revela os segredos
Do seu mudo fulgurar;
E, nem a vaga os suspira,
Nem os leva a soletrar.
O segredo dos meus cantos
Não tentes, louca, romper!
Deixa o dormir só comigo,
Só comigo amanhecer,
E acompanhar-me ao jazigo
Na tardinha em que eu morrer.
Esse segredo sem nome
Voz do meu primeiro amor,
Que fora o eco de um riso.
Que é hoje um eco de dor,
Hás de lê-lo no epitáfio
Da lagem [sic] do sonhador.
Sonhador, como as estrelas
Que tremem nos céus com medo,
Sê mudo! Pobre criança!
Não pôde amar-te; era cedo!
Tens um abismo no peito:
Guarda nele o teu segredo!
Poesias, 1914.
Liège: Thipographie F. Brimbois, pp. 70—72.

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Teixeira de Melo — Série Essencial 19, Academia Brasileira de Letras, Organização, Apresentação e Notas de Ubiratan Machado, 2010, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; José Alexandre Teixeira de Melo (1833 — 1907), fluminense de Campos dos Goytacazes, cursou Humanidades no Seminário São José, onde aprendeu latim, francês, filosofia, história, poética, geografia e teologia, e, depois, formou-se médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro; além de médico, foi jornalista, historiador e poeta; o poeta é tido como o precursor e introdutor dos versos alexandrinos clássicos na literatura brasileira; após ter atuado em diversas funções como funcionário da Biblioteca Nacional, foi nomeado seu diretor, cargo este que exerceu até se aposentar; como pesquisador e historiador, pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e colaborou com várias publicações especializadas, entre as quais Anais da Biblioteca Nacional e Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil; o poeta que, ainda estudante de medicina, dirigira e participara de O Acadêmico, “periódico científico-literário, especialmente médico”, posteriormente foi um dos fundadores e colaborador da Gazeta Literária, publicação que divulgava textos dos mais renomados intelectuais da época; como jornalista, assinou seus textos também com o pseudônimo Anódino; bibliografia: Sombras e Sonhos (poesia, 1858), Que Regime Será Mais Conveniente para a Criação dos Expostos da Santa Casa de Misericórdia (tese acadêmica do curso de medicina, 1859), Miosótis (poesia, 1877), Efemérides Nacionais (1879), Limites do Brasil com a Confederação Argentina (1883), Poesias (1914) e outros.
Teixeira de Melo — Série Essencial 19, Academia Brasileira de Letras, Organização, Apresentação e Notas de Ubiratan Machado, 2010, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; José Alexandre Teixeira de Melo (1833 — 1907), fluminense de Campos dos Goytacazes, cursou Humanidades no Seminário São José, onde aprendeu latim, francês, filosofia, história, poética, geografia e teologia, e, depois, formou-se médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro; além de médico, foi jornalista, historiador e poeta; o poeta é tido como o precursor e introdutor dos versos alexandrinos clássicos na literatura brasileira; após ter atuado em diversas funções como funcionário da Biblioteca Nacional, foi nomeado seu diretor, cargo este que exerceu até se aposentar; como pesquisador e historiador, pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e colaborou com várias publicações especializadas, entre as quais Anais da Biblioteca Nacional e Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil; o poeta que, ainda estudante de medicina, dirigira e participara de O Acadêmico, “periódico científico-literário, especialmente médico”, posteriormente foi um dos fundadores e colaborador da Gazeta Literária, publicação que divulgava textos dos mais renomados intelectuais da época; como jornalista, assinou seus textos também com o pseudônimo Anódino; bibliografia: Sombras e Sonhos (poesia, 1858), Que Regime Será Mais Conveniente para a Criação dos Expostos da Santa Casa de Misericórdia (tese acadêmica do curso de medicina, 1859), Miosótis (poesia, 1877), Efemérides Nacionais (1879), Limites do Brasil com a Confederação Argentina (1883), Poesias (1914) e outros.
