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Aí ela veio
chegando bem perto,
bem perto,
bem perto...
e me deu um abraço,
e me deu um beijo,
e me deu um amasso,
e me deu um riso maroto
e me disse no ouvido:
“garoto, garoto...”
e me jogou na cama,
e me jogou no céu,
e me fez planeta,
e me fez cometa,
e toda nua
me fez ser lua,
astro, sol, estrela,
cosmonauta tonto
na órbita louca
da sua boca infinita,
girando, girando,
girando no espaço,
até cair de explosão,
até cair de cansaço
do abismo negro
daquele abraço...
e acordar embrulhado
no lençol molhado
de sonhos e de sol.

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Sementes de sol — Carlos Queiroz Telles, Capa e Ilustrações de
May Shuravel, 1996, 6ª edição, Editora Moderna — São Paulo — SP; José Carlos Botelho de Queiroz Telles (1936 — 1993), paulista e paulistano, formado em Direito pela
Universidade de São Paulo (USP — Largo São Francisco), foi
dramaturgo, escritor e poeta; trabalhou em jornalismo e publicidade, tendo sido
também professor universitário; teve participação ativa na fundação do Teatro
Oficina, em cuja inauguração, 1958, estreou a peça A Ponte, de sua autoria;
como dramaturgo, foi autor de obras para o teatro e televisão (novela e
seriados), adaptou textos de Shakespeare, Camões e Calderón de La Barca;
recebeu dois prêmios Moliére (1972 e 1976); além deste Sementes de
sol (poesias), escreveu Sonhos, grilos e paixões (poesias), Tirando de letra, Asas brancas, Quase Cachorro e Quase Menino, Mulher Manual do Proprietário, Homem Manual
da Proprietária, Os Amantes da chuva, O Pirilampo Telegrafista, O Rock das Estrelas, e tantos outros títulos da
literatura infanto-juvenil.
