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sábado, 7 de agosto de 2021

Xico Smart: Ser "smart*"

 
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Ora (direis) ser-se "smart", meu caro! Certo
Isto é tolice! E eu vos direi, no entanto,
Que, cada dia, logo que desperto,
pensar em sê-lo é o meu maior encanto...

E disso cuido todo o dia, enquanto
O belo sexo, esse rosal aberto,
Transita. E, vindo a noite, eu, triste e em pranto,
Inda o procuro no jardim deserto.

Direis agora: Meu choroso amigo!
Que cousa é o "smartismo"? Que sentido
Tem isso que entender eu não consigo?

E eu vos direi:  Ora esta! Eu é que sei?
Se eu falo assim é porque tenho ouvido
Que "smart" eu sou e, que fazer?, serei...

([jornal] A Quimera [nº21, pág. 3], 27.08.1908)

* Nota de Joaquim Branco: Segundo nossas pesquisas, nesta e em muitas publicações, a palavra smart tem o significado de chic, “elegante”, e vamos encontrá-la em vários números da Revista da Mata [ . . . ], como propaganda  de uma fábrica de gravatas que havia em Cataguases.
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Passagem para a Modernidade — Transgressões e experimentos na poesia de Cataguases (Década de 1920), Texto e Introdução de Joaquim Branco e Apresentação de Francis Paulina Lopes da Silva, 2002, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG e Editar Editora Associada, Juiz de Fora — MG; sobre Xico Smart [pseudônimo?!], compositor do soneto-paródia, não há outros registros em pesquisas googleanas; o atrevido aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa já antecipa agradecimentos a quem tiver alguma notícia biobibliográfica do autor do poema e quiser/puder compartilhar com esta página.