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[traduzido por José Paulo
Paes]
Há dois homens neste mundo
que cruzam sempre a minha
estrada;
um é aquele a quem amo,
o outro, por quem sou amada.
Um está nos sonhos que à noite
me enchem de sombras a
mente;
à porta do meu coração,
bate o outro inutilmente.
Um me deu primaveril
ventura logo consumida;
sem nada ganhar em troca,
o outro me deu sua vida.
Um canta no sangue, onde o
amor
é puro, livre, risonho;
o outro une-se ao dia triste
onde se afogam os sonhos.
entre os dois, tão pura e
amada
é toda mulher que talvez
ocorra a cada cem anos
num só se fundirem os três.
De
evige tre
Der er to mænd i verden, der
bestandig krydser min vej;
den ene er ham jeg elsker,
den anden elsker mig.
Den ene er i en natlig drøm
der bor i mit mørke sind,
den anden står ved mit hjertes
dør,
jeg lukker ham aldrig ind.
Den ene gav mig et vårligt
pust
af lykke, der snart fo'r hen,
den anden gav mig sit hele liv
og fik aldrig en time igen.
Den ene bruser i blodets sang,
hvor elskov er ren og fri,
den anden er eet med den
triste dag,
drømmene drukner i.
Hver kvinde står mellem disse
to,
forelsket, elsket og ren —
een gang hvert hundrede år kan
det ske,
de smelter sammen til een.
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Quinze Poetas Dinamarqueses, edição bilíngue, Seleção, Tradução,
Introdução, Prefácio e Notas de José Paulo Paes e Apresentação de Jorge H. Wolff,
Coleção Poesia Traduzida, Volume II, 1997, Letras Contemporâneas, Florianópolis
— SC; Tove Irma Margit Ditlevsen (1918 — 1976), dinamarquesa de Copenhague, nascida
no bairro Vesterbro, em ambiente de extrema pobreza e problemas sociais por que
passava a classe trabalhadora, recebeu pouca educação escolar formal e, autodidata,
tornou-se escritora, romancista, contista, memorialista e poeta; sua escrita transitou
“entre o autobiográfico e o ficcional, com foco na ansiedade e na dor, na criança
queimada e nos problemas psicológicos dos adultos”; teve seu primeiro poema publicado
no Vild Invede, jornal editado por Viggo F. Møller, seu marido à época; em 1939,
publicou Pigesind, sua coleção de poesias de estréia na literatura; suas obras:
Pigesind (poesias, 1939), Man did et barn træð (romance, 1941), Lille verden (poesias,
1942), Barndommens gade (romance, 1943), Den fulde frihed (contos, 1944), Dommeren
(contos, 1948), Paraplyen (contos, 1952), Kvindesind (poesias, 1955), Annelise —
tretten år (literatura infantil, 1959), Hva nå, Annelise? (literatura infantil,
1960), Den hemmelige rude (poesias, 1961), Den onde lykke (contos, 1963), Ansigterne
(romance, 1968), De voksne (poesias, 1969), Det tidlige forår — erindringene Barndom
og Ungdom (memórias, Infância e Juventude, 2 volumes, 1969), Gift (memória, Dependência,
1971), Vilhelms værelse (romance, 1975) e outros títulos; a poeta, já adulta, viveu
adoecida, tratou de ansiedade, foi internada mais de uma vez em hospitais psiquiátricos,
foi medicada e viciou-se em drogas até o fim da vida, suicidando-se entre os dias
4 e 7 de março de 1976 devido overdose de comprimidos para dormir, tendo sido encontrada
em 8 de março; já havia tentado o suicídio dois anos antes; suas obras e sua vida
inspiraram musicistas, tornaram-se performance teatral, foram transportadas para
o cinema, caso do filme Barndommens gade (1986), baseado no romance de igual nome;
além de autora, Ditlevsen foi editora da coluna de cartas [caixa do correio] na
revista Famile Journalen; premiações: Emil Aarestrup-medaljen (1954), Undervisningsministeriets
(prêmio do Livro Infantil, 1959), Søren Gyldendal-prisen (1971) ...; hoje a poeta
faz parte da lista de autores canônicos daneses e compõe o rol das leituras obrigatórias
na escola primária; seus três livros de memórias, Barndom, Ungdom e Gift, também
são conhecidos como Trilogia de Copenhagen: Infância, Juventude e Dependência.