Escrever para supraviver
por um momento, ou ser
inteiramente num instante
em que passado, presente
e futuro se fundem numa
chama única e transparente.
Escrever para ver num lago
branco ao lado negro de Narciso,
luz e sombra velando-se e
revelando-se nas pontas do
sorriso — anjo-monstro, que
nas águas aparece refletido.
Escrever, riscar à carvão na própria
lápide o brilho cego de diamantes.
Escrever, morrer e aspirar, eterna
mente, a poeira de uma estante.
inteiramente num instante
em que passado, presente
e futuro se fundem numa
chama única e transparente.
Escrever para ver num lago
branco ao lado negro de Narciso,
luz e sombra velando-se e
revelando-se nas pontas do
sorriso — anjo-monstro, que
nas águas aparece refletido.
Escrever, riscar à carvão na própria
lápide o brilho cego de diamantes.
Escrever, morrer e aspirar, eterna
mente, a poeira de uma estante.
Rio Silêncio (2004)
____________________Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 90, Seleção e Prefácio de Paulo Ferraz, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2011, São Paulo — SP; Antônio Moura, paraense de Belém, nascido em 1963, poeta, letrista, publicitário e roteirista de cinema e vídeo, publicou Dez (Super Cores, 1996), Hong Kong & outros poemas (Ateliê Editorial, 1999), Rio Silêncio (Lumme Editor, 1999) e Quase-Sonhos (tradução de Presque-songes, de Jean-Joseph Rabearivelo — Lumme Editor, 2004); tem trabalhos publicados em diversas revistas brasileiras (Cult, Suplemento Literário de Minas Gerais e Sibila) e em antologias nacionais e internacionais.





