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Cansei-me de tentar o teu segredo:
no teu olhar sem cor — frio escalpelo —,
o meu olhar quebrei, a debatê-lo,
como a onda na crista de um rochedo.
Segredo de tua alma, e meu degredo
e minha obstinação! Para bebê-lo
fui teu lábio oscular, num pesadelo
por noites de pavor, cheio de medo.
E o meu ósculo ardente, alucinado,
esfriou sobre o mármore correto
desse entreaberto lábio enregelado...
Desse lábio de mármore, discreto,
severo como um túmulo fechado,
sereno como um pélago quieto.
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O Mundo Maravilhoso
do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio
de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Camilo
de Almeida Pessanha (1867 — 1926), português coimbrão, formado em Direito pela Universidade
de Coimbra, ingressou na magistratura, foi professor de Filosofia e poeta; ao longo
do seu período acadêmico publicou poemas (o primeiro, 'Lúbrica', datado de 1895)
em revistas e jornais como a Ave Azul, de Viseu, A Crítica, de Coimbra, Novo Tempo,
periódico de Mangualde, e A Gazeta, também de Coimbra; devido seu ofício de magistrado viveu em diversas regiões de Portugal; em 1894 partiu para Macau após ter sido aprovado
em concurso e nomeado professor de Filosofia no recém criado Liceu de Macau; foi
pelas mãos da escritora Ana de Castro Osório e a partir de autógrafos recolhidos
e recortes de jornais, que publicou-se em vida apenas uma obra do poeta, Clepsidra
(1920), várias vezes reeditada; desse modo, os versos de Pessanha, considerado um
dos poetas mais importantes do Simbolismo português, se salvaram do esquecimento;
Camilo Pessanha também recebeu o cognome de “o Verlaine português” por quem apreciava
seus poemas.
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