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sábado, 18 de julho de 2026

Ingeborg Bachmann: Todos os Dias

 
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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

A guerra já não é mais declarada,
Apenas prossegue. O insólito
tornou-se cotidiano. O herói
abstém-se das batalhas. O fraco
é movido para as linhas de fogo.
O uniforme do dia é a paciência,
a medalha, o mísero astro
da esperança sobre o coração.

Esse é conferido
quando nada mais acontece,
quando a metralha se cala,
quando o inimigo ficou invisível
e a sombra do eterno armamento
recobre o céu.

É conferido
pela deserção das bandeiras,
pela bravura frente ao amigo,
pela denúncia de segredos indignos
e pelo ato de ignorar
qualquer ordem.

Ingeborg Bachmann

Alle Tage

Der Krieg wird nicht mehr erklärt,
sondern fortgesetzt. Das Unerhörte
ist alltäglich geworden. Der Held
bleibt den Kämpfen fern. Der Schwache
ist in die Feuerzonen gerückt.
Die Uniform des Tages ist die Geduld,
die Auszeichnung der armselige Stern
der Hoffnung über dem Herzen.

Er wird verliehen,
wenn nichts mehr geschieht,
wenn das Trommelfeuer verstummt,
wenn der Feind unsichtbar geworden ist
und der Schatten ewiger Rüstung
den Himmel bedeckt.

Er wird verliehen
für die Flucht von den Fahnen,
für die Tapferkeit vor dem Freund,
für den Verrat unwürdiger Geheimnisse
und die Nichtachtung
jeglichen Befehls.
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ingeborg Bachmann (1926 — 1973), austríaca de Klagenfurt, estudou Filosofia e Direito nas universidades de Innsbruck, Graz e Viena, foi escritora, dramaturga e poeta; após se formar e doutorar-se trabalhou como roteirista e editora da rádio austríaca Rot-Weiss-Rot; a poeta lecionou nas universidades de Harvard (EUA) e Frankfurt (Alemanha); suas obras: Ein Geschaft mit Traumen (peça radiofônica, 1952), Die gestundete Zeit (coletânea de poesias, 1953), Die Zikaden (peça radiofônica, 1955), Todesarten/The Book of Franza & Requiem for Fanny Goldmann (romance inconcluso, 1955), Anrufung des großen bären (coletânea de poesias, 1956), Der güte Gott von Manhattan (peça radiofônica, 1959), Der Prinz von Homburg (libreto de ópera, 1960), Der junge Lord (libreto de ópera, 1965), Das dreißigste Jahr (contos, 1961), Malina (romance, 1971), Simultan/Three Paths to the Lake (contos, 1972), Ich weiß keine bessere Welt (poemas não publicados, 2000) ...; recebeu premiações por suas obras em poesia e peças para rádio; teve poemas musicados; Ingeborg Bachmann, que também fez uso do pseudônimo Ruth Keller, veio a morrer após sofrer graves queimaduras por incêndio em seu apartamento em Roma — Itália.

domingo, 31 de maio de 2026

Eugen Gömringer: calar

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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

calar  calar  calar
calar  calar  calar
calar            calar
calar  calar  calar
calar  calar  calar

Eugen Gomrimger

schweigen . . .

schweigen  schweigen  schweigen
schweigen  schweigen  schweigen
schweigen                          schweigen
schweigen  schweigen  schweigen
schweigen  schweigen  schweigen
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Eugen Gomringer, nascido em 1925, boliviano de Cachuela Esperanza, viveu em Berna — Suiça, frequentou escola em Zurique, estudou Economia, Arte e História na Universidade de Berna, tendo obtido ali seus primeiros contatos com a arte concreta, o concretismo, é poeta, artista visual, poeta visual, crítico literário, foi professor de Arte e Teoria Estética; estagiou no jornal diário Der Bund, foi co-fundador da revista de arte Spirale, em 1954 fez surgir o Vom Vers zur Konstellation, primeiro manifesto teórico da poesia concreta na língua alemã; em 1973, organizou uma antologia de poesia concreta, Konkrete Poesia: Deutschprachige Autoren — Poesia Concreta de Autores de Língua Alemã, também editado em português e lançado no Brasil pelo Instituto Goethe; suas obras: Gedichtsammlung der Konkreten Poesie: konstellationen constellations constelaciones (1953), Das Stundenbuch (O livro das horas, 1965), Zur Sache der Konkreten. Band 1, Konkrete Poesie, Band 2: Konkrete Kunst. (1988), Theorie der Konkreten Poesie. Texte und Manifeste 1954-1997 (1997), Grammatische Konfession. Confession grammaticale (2002), Kommandier(t) die Poesie. Biografische Berichte (2006), Der Sonette Gezeiten. The sonnet’s tides (2009) e outros títulos; como palestrante, o poeta percorreu os Estados Unidos, países da América do Sul — incluso Brasil — e Zaire, a convite de Goethe-Instituts e Schweizer Kulturstiftung Pro Helvetia; Gomringer foi laureado com o Prêmio Cultural da cidade de Rehau, onde também fundou o Institut für Konstruktive Kunst und Konkrete Poesie (IKKP) — Instituto de Arte Construtiva e Poesia Concreta — em 2000 e, em 2022, recebeu o Prêmio Pro meritis scientiae et litterarum pelo conjunto da obra, estado da Baviera.

sábado, 4 de abril de 2026

Paul Celan: Os anos de ti até mim


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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

De novo se enrolam teus cachos quando choro. Com o azul dos teus
olhos
pões a mesa do nosso amor: uma cama entre verão e outono.
Bebemos o que fermentou alguém que não fui eu, nem tu, nem um
terceiro:
sorvemos um vazio pela última vez.
Nos espelhos do fundo do mar nos observamos e nos servimos mais
apressados os pratos:
a noite é a noite, ela inicia com a manhã,
ela me deita junto a ti.

Paul Celan

Die Jahre von dir zu mir

Wieder wellt sich dein Haar, wenn ich wein. Mit dem Blau deiner
Augen
deckst du den Tisch unsrer Liebe: ein Bett zwischen Sommer und
Herbst.
Wir trinken, was einer gebraut, der nicht ich war, noch du, noch ein
dritter:
wir schlürfen ein Leeres und Letztes.
Wir sehen uns zu in den Spiegeln der Tiefsee und reichen uns rascher
die Speisen:
die Nacht ist die Nacht, sie beginnt mit dem Morgen,
sie legt mich zu dir.
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Paul Pessakh Antschel ou Paul Celan (1920 — 1970), nascido em Czernowitz (Bukowina — Romênia, hoje Ucrânia), fez seus estudos pré-universitários em sua cidade natal, foi poeta, tradutor e ensaísta; em 1938 iniciou a faculdade de Medicina em Tours — França e, um ano depois deu início à faculdade de Romanística, em Czernowitz, em 1941, 2ª Guerra em andamento, a região é ocupada por tropas alemãs nazistas e romenas. Celan é encaminhado a um campo de trabalhos forçados, seus pais morreram num campo de concentração; com o fim da guerra, Celan trabalhou em Bucareste como assistente editorial e tradutor — traduziu obras de Tchecov e Lemontov; em Paris, estudou Germanística e Linguística; obra poética: Der sand aus den Urnen (1948), Mohn und Gedächtnis (1952), Von Schwelle zu Schwelle (1955), Sprachgitter (1959), Die Niemandsrose (1963), Atemwende (1967), Fadensonnen (1968), Lichtzwang (1970), Schneepart (póstumo, 1971), Zeitgehöft (póstumo, 1976); recebeu o Prêmio Literário da Cidade de Bremen, 1958, e o Prêmio Georg Büchner de Darmstadt, 1960; Paul Celan, embora de origem judaica, nascido na Romênia e vivido décadas em Paris, sempre ‘se fez entender como “escritor alemão”’; Celan, seu pseudônimo literário, teve origem no seu nome romeno: Ancel; o poeta, que nos anos que antecederam sua morte viu-se com "tendências autodestrutivas, mania de perseguição e surtos de amnésia", suicidou-se atirando no rio Sena, em abril de 1970.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Hans Magnus Enzensberger: Mais razões por que os poetas mentem


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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

Porque o momento
em que se pronuncia
a palavra feliz
nunca é o momento feliz.
Porque os lábios de quem morre de sede
já não conseguem exprimir sede.
Porque a palavra proletariado
não passa pela boca do proletariado.
Porque quem está desolado
não sente vontade de dizer:
“Eu sou um desolado.”
Porque orgasmo e orgasmo
não podem ser conciliados.
Porque o moribundo, em vez de afirmar:
“Agora estou morrendo”,
apenas emite um ruído surdo
que nós não compreendemos.
Porque são os vivos que
enchem os ouvidos dos mortos
com suas notícias nefastas.
Porque as palavras vêm tarde,
ou cedo demais.
Porque, portanto, é um outro,
sempre um outro
que está falando
e porque aquele
de quem se está falando
cala.

Hans Magnus Enzensberger

Weitere Gründe dafür, dass die Dichter lügen

Weil der Augenblick,
in dem das Wort glücklich
ausgesprochen wird,
niemals der glückliche Augenblick ist.
Weil der Verdurstende seinen Durst
nicht über die Lippen bringt.
Weil im Munde der Arbeiterklasse
das Wort Arbeiterklasse nicht vorkommt.
Weil, wer verzweifelt,
nicht Lust hat, zu sagen:
»Ich bin ein Verzweifelnder.«
Weil Orgasmus und Orgasmus
nicht miteinander vereinbar sind.
Weil der Sterbende, statt zu behaupten:
»Ich sterbe jetzt«,
nur ein mattes Geräusch vernehmen läßt,
das wir nicht verstehen.
Weil es die Lebenden sind,
die den Toten in den Ohren liegen
mit ihren Schreckensnachrichten.
Weil die Wärter zu spät kommen,
oder zu früh.
Weil es also ein anderer ist,
immer ein anderer,
der da redet,
und weil der,
von dem da die Rede ist,
schweigt.
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Hans Magnus Enzensberger (1929 — 2022), alemão de Kaufbeuren, Baviera, estudou literatura (com doutorado) e filosofia nas universidades de Erlangen, Freiburg, Hamburgo, além da Sorbonne, em Paris, foi poeta, ensaísta, tradutor, escritor e editor; foi ainda redator na rádio Süddeutscher Rundfunk, em Stuttgart, e docente para Arte Poética na Universidade de Frankfurt; criou a revista Kursbuch e editou a série literária Die andere Bibliothek; suas obras: Verteidingung der Wölfe (Defendendo os Lobos, poemas, 1957), Landessprache (Fala Nacional, poesia, 1960), Allerleirauh (poemas, 1961), Gedichte, wie entsteht ein Gedicht (1962), Blindenschrift (Braille — escrita para cegos, poesia, 1964), Deutschland, Deutschland unter anderm (Alemanha, Alemanha, entre outros, ensaio, 1967), Der kurze Sommer der Anarchie: Buenaventura Durrutis Leben und Tod (O curto verão da anarquia: Buenaventura Durrutis vida e morte, prosa, 1972), Palaver (Bajulação, ensaio, 1974), Mausoleum (Mausoléu, poemas, 1975), Der Untergang der Titanic (O naufrágio do Titanic, poema épico, 1978), Die Furie des Verschwindens (A fúria do sumiço, poesias, 1980), Zukunftsmusik (Futuro Música, poesia, 1991), Die Tochter der Luft (A filha do ar, ficção, 1992) e outros títulos; em seus escritos também fez uso dos pseudônimos Linda Quitt, Andreas Yhalmayr, Elisabeth Ambras e Serenus M. Brezengang; recebeu premiações por sua obra.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Eugen Gömringer: da margem para dentro . . .


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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

da margem
para dentro

e dentro
ao meio

pelo centro
do meio

para fora
à margem

Eugen Gömringer

vom rand nach innen . . .

vom rand
nach innen

im innern
zur mitte

duchs zentrum
der mitte

nach aussen
zum rand
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Eugen Gomringer, nascido em 1925, boliviano de Cachuela Esperanza, viveu em Berna — Suiça, frequentou escola em Zurique, estudou Economia, Arte e História na Universidade de Berna, tendo obtido ali seus primeiros contatos com a arte concreta, o concretismo, é poeta, artista visual, poeta visual, crítico literário, foi professor de Arte e Teoria Estética; estagiou no jornal diário Der Bund, foi co-fundador da revista de arte Spirale, em 1954 fez surgir o Vom Vers zur Konstellation, primeiro manifesto teórico da poesia concreta na língua alemã; em 1973, organizou uma antologia de poesia concreta, Konkrete Poesia: Deutschprachige Autoren — Poesia Concreta de Autores de Língua Alemã, também editado em português e lançado no Brasil pelo Instituto Goethe; suas obras: Gedichtsammlung der Konkreten Poesie: konstellationen constellations constelaciones (1953), Das Stundenbuch (O livro das horas, 1965), Zur Sache der Konkreten. Band 1, Konkrete Poesie, Band 2: Konkrete Kunst. (1988), Theorie der Konkreten Poesie. Texte und Manifeste 1954-1997 (1997), Grammatische Konfession. Confession grammaticale (2002), Kommandier(t) die Poesie. Biografische Berichte (2006), Der Sonette Gezeiten. The sonnet’s tides (2009) e outros títulos; como palestrante, o poeta percorreu os Estados Unidos, países da América do Sul — incluso Brasil — e Zaire, a convite de Goethe-Instituts e Schweizer Kulturstiftung Pro Helvetia; Gomringer foi laureado com o Prêmio Cultural da cidade de Rehau, onde também fundou o Institut für Konstruktive Kunst und Konkrete Poesie (IKKP) — Instituto de Arte Construtiva e Poesia Concreta — em 2000 e, em 2022, recebeu o Prêmio Pro meritis scientiae et litterarum pelo conjunto da obra, estado da Baviera.

segunda-feira, 10 de março de 2025

Almut Adler: Como eu entendo liberdade

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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

Você me dá a liberdade
que me liga a você
mas a nossa ligação
não tem amarras

— Isso nos amarra

Almut Adler

Freiheit die ich meine

Du gibst mir die Freiheit
die  mich an dich bindet
doch unsere Verbindung
hat keine Fesseln

— Das fesselt uns
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Almut Adler, nascida em 1951, alemã de Oldenburg, formou-se fotógrafa em sua cidade natal, estudou Design Gráfico na Academia US, em Munique, é fotógrafa, autora freelancer e poeta; foi consultora para produções de materiais didáticos visuais em Mogasdíscio — Somália, designer gráfico e artista de layout e fotógrafa para agências e editoras em Munique, é líder e organizadora de cursos de fotografia em Munique e Colônia e oficinas de fotografia na Espanha; percorreu dezenas de países nos mais variados continentes, atuando sempre como fotógrafa freelancer — na Ásia: Turquia, Irã, Índia, Tailândia..., na África: Marrocos, Egito, Somália, Quênia..., na Europa: Finlândia, Suécia, Bulgária, Turquia, Grécia..., na América Central: México, El Salvador,  Costa Rica, Cuba..., na América do Norte: EUA e Canadá — ...; suas obras: Leidenschaftlich (Apaixonadamente..., 1996), Natur sehen — Der Landschafts-Fotokurs (Vendo a Natureza — O Curso de Fotografia de Paisagem, 2008), Menschen sehen — Der Porträt-Fotokurs (O Curso de Fotografia de Retratos, 2008), Das weibliche Auge (O Olho Feminino, 2009), Stilleben meisterlich fotografieren (Tirando fotos mais criativas, 2009), Die Lichtschreiberin, tredition (O escritor leve, tradição, 2020) ...

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Hans Magnus Enzensberger: Nênia à maçã

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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

Aqui estava a maçã
Aqui ficava a mesa
Isto era a casa
Isto era a cidade
Aqui jaz o país

Essa maçã ali
É a Terra
Um belo astro
Onde havia maçãs
E comedores de maçãs.

Hans Magnus Enzensberger

Nänie auf den Apfel

Hier lag der Apfel
Hier stand der Tisch
Das war das Haus
Das war die Stadt
Her ruht das Land.

Dieser Apfel dort
ist die Erde
ein schönes Gestirn
auf dem es Äpfel gab
und Esser von Äpfeln.
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Hans Magnus Enzensberger (1929 — 2022), alemão de Kaufbeuren, Baviera, estudou literatura (com doutorado) e filosofia nas universidades de Erlangen, Freiburg, Hamburgo, além da Sorbonne, em Paris, foi poeta, ensaísta, tradutor, escritor e editor; foi ainda redator na rádio Süddeutscher Rundfunk, em Stuttgart, e docente para Arte Poética na Universidade de Frankfurt; criou a revista Kursbuch e editou a série literária Die andere Bibliothek; suas obras: Verteidingung der Wölfe (Defendendo os Lobos, poemas, 1957), Landessprache (Fala Nacional, poesia, 1960), Allerleirauh (poemas, 1961), Gedichte, wie entsteht ein Gedicht (1962), Blindenschrift (Braille — escrita para cegos, poesia, 1964), Deutschland, Deutschland unter anderm (Alemanha, Alemanha, entre outros, ensaio, 1967), Der kurze Sommer der Anarchie: Buenaventura Durrutis Leben und Tod (O curto verão da anarquia: Buenaventura Durrutis vida e morte, prosa, 1972), Palaver (Bajulação, ensaio, 1974), Mausoleum (Mausoléu, poemas, 1975), Der Untergang der Titanic (O naufrágio do Titanic, poema épico, 1978), Die Furie des Verschwindens (A fúria do sumiço, poesias, 1980), Zukunftsmusik (Futuro Música, poesia, 1991), Die Tochter der Luft (A filha do ar, ficção, 1992) e outros títulos; em seus escritos também fez uso dos pseudônimos Linda Quitt, Andreas Yhalmayr, Elisabeth Ambras e Serenus M. Brezengang; recebeu premiações por sua obra.

sábado, 11 de janeiro de 2025

Bertolt Brecht: A troca da roda


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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

Estou sentado no barranco da estrada.
O condutor trocando a roda.
Não gosto do lugar de onde vim.
Não gosto do lugar para onde vou.
Por que eu vejo a troca da roda
Com impaciência?

Bertolt Brecht

Der Radwechsel

Ich sitze am Straßenhang
Der Fahrer wechselt das Rad.
Ich bin nicht gern, wo ich herkomme.
Ich bin nicht gern, wo ich hinfahre.
Warum sehe ich den Radwechsel
Mit Ungeduld?
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Eugen Bertholt Friedrich Brecht (1898 — 1956), alemão de Augsburg — Baviera, foi dramaturgo, encenador e poeta; em 1917 iniciou o curso de Medicina em Munique, mas tendo sido convocado pelo exército na Primeira Guerra interrompeu o estudo e trabalhou como enfermeiro em hospital militar; com a ascensão de Hitler em 1933, deixou a Alemanha e exilou-se primeiro na Dinamarca e depois nos Estados Unidos e Suiça; de volta à Alemanha em 1948, fundou a companhia teatral Berliner Ensemble; Brecht, atuante na poesia e na arte dramática, deixou-nos extensa produção artística, Baal (texto de 1918/produção em 1926), Trommein in der Nacht (Tambores na Noite, 1918/1920), Mann is Mann (Um Homem é um Homem, 1924-26/1926), Die Dreigroschenoper (A Ópera dos Três Vinténs, 1928/1928), Die Kleinbürgerhochzeit (O Casamento do Pequeno Burguês, 1919/1926), Die Ausnahme und die Regel (A Exceção e a Regra, 1930/1938) e tantos outros textos escritos e produzidos para o teatro; sua poesia não se dissocia da arte dramática, havendo em seus poemas o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais.

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Ulla Hahn: Suspeita


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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

Sou suspeita pelo silêncio:
Há semanas calo minhas
Palavras para dentro do botão de uma rosa.

Falas boas falas bonitas falas de amor
Falas veras e comprovadas
Falas de criança falas de pássaro leves e reais
Falas solidárias falas de ânimo: ele há de
Desabrochar na realidade
Marcha morte música no ar.

Sou suspeita por um aroma estranho:
A rosa começa a respirar de minhas palavras.

Ulla Hahn

Verdächtig

Ich bin der Stille verdächtig:
Seit Wochen schweige ich meine
Wörther in die Knospe einer Rose

Cute Worte schöne Worte Liebesworte
Auf ihre Echtheit geprüfte Worte
Kinderworte Vogelworte leicht und whar
Mitworte Mutworte: sie muss
In der Wirklichkeit aufgehn
Marsch Mord Musik in der Luft

Ich bin eines fremden Geruchs verdächtig:
Die Rose beginnt aus meinen Wörtern zu atmen.
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ulla Hahn, nascida em 1945, alemã de Brachthausen, hoje Kirchhundem, estudou Literatura Alemã, Sociologia e História na Universidade de Colônia, doutorou-se, é escritora e poeta; trabalhou como jornalista,  atuou como editora literária na Rádio Bremen, foi professora nas universidades de Bremem, Hamburgo e Oldenburg; foi membro temporário do Partido Comunista Alemão; decidiu viver como autora freelance; suas obras: Literatur in der Aktion. Zur Entwicklung operativer Literaturformen in der Bundesrepublik (dissertation, Athenaion-Literaturwissenschaft — Band 9, 1978), Herz uber Kopf (primeira coleção de poemas, 1981), Unerhörte Nähe (poemas, 1988), Liebesgedichte (1993), Das verborgene Wort, Aufbruch e Spiel der Zeit (trilogia de romances, 2001, 2009 e 2014), Gesammelte Gedichte (coleção de poemas, 2013) e outros títulos; recebeu premiações por sua obra, entre as quais o Prêmio Alemão do Livro, Deutscher Bucherpreis, em 2002, pelo romance Das verborgene Wort.

domingo, 4 de agosto de 2024

Paul Celan: Elogio da distância


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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

Na fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores dos mares errantes.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre sua promessa.

Aqui lanço,
um coração que habitava entre os homens,
minhas vestes e o brilho dum voto:

Mais preto no preto, estou mais nu.
Apenas na renegação me torno fiel.
Eu sou tu quando sou eu.

Na fonte dos teus olhos
estou à deriva e sonho com rapto.

Um fio fisgou um fio:
separados num enlace.

Na fonte dos teus olhos

um enforcado estrangula a corda.

Paul Celan

Lob der Ferne

Im Quell deiner Augen
leben die Garne der Fischer der Irrsee.
Im Quell deiner Augen
hält das Meer sein Versprechen.

Hier werf ich,
ein Herz, das geweilt unter Menschen,
die Kleider von mir und den Glanz eines Schwures:

Schwärzer im Schwarz, bin ich nackter.
Abtrünnig erst bin ich treu.
Ich bin du, wenn ich ich bin.

Im Quell deiner Augen
treib ich und träume von Raub.

Ein Garn fing ein Garn ein:
wir scheiden umschlungen.

Im Quell deiner Augen
erwürgt ein Gehenkter den Strang.
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Paul Pessakh Antschel ou Paul Celan (1920 — 1970), nascido em Czernowitz (Bukowina — Romênia, hoje Ucrânia), fez seus estudos pré-universitários em sua cidade natal, foi poeta, tradutor e ensaísta; em 1938 iniciou a faculdade de Medicina em Tours — França e, um ano depois deu início à faculdade de Romanística, em Czernowitz, em 1941, 2ª Guerra em andamento, a região é ocupada por tropas alemãs nazistas e romenas. Celan é encaminhado a um campo de trabalhos forçados, seus pais morreram num campo de concentração; com o fim da guerra, Celan trabalhou em Bucareste como assistente editorial e tradutor — traduziu obras de Tchecov e Lemontov; em Paris, estudou Germanística e Linguística; obra poética: Der sand aus den Urnen (1948), Mohn und Gedächtnis (1952), Von Schwelle zu Schwelle (1955), Sprachgitter (1959), Die Niemandsrose (1963), Atemwende (1967), Fadensonnen (1968), Lichtzwang (1970), Schneepart (póstumo, 1971), Zeitgehöft (póstumo, 1976); recebeu o Prêmio Literário da Cidade de Bremen, 1958, e o Prêmio Georg Büchner de Darmstadt, 1960; Paul Celan, embora fosse de origem judaica, ter nascido na Romênia e vivido décadas em Paris, sempre ‘se fez entender como “escritor alemão”’; Celan, seu pseudônimo literário, teve origem no seu nome romeno: Ancel..

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Karin Kiwus: Aos poetas


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[traduzido por Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger]

O mundo adormeceu
na hora em que vocês nasceram

somente com os sonhos diurnos
vocês o despertam de novo

cru e doce e louco
por uma aventura

pelo tempo duma partida de realidade
imbatível no jogo.

Karin Kiwus

An die Dichter

Die Welt ist eingeschlafen
in der Stunde eurer Geburt

allein mit den Tagträumen
erweckt ihr sie wieder

roh und süß und wild
auf ein Abenteuer

eine Partie Wirklichkeit lang
unbesiegbar im Spiel
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Seis décadas de poesia alemã: do pós-guerra ao início do século XXI [diversos poetas e poemas], antologia bilíngue, Organização e Tradução de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger, Prefácio de Berthold Zilly, Posfácio de Marcus J. Weininger, Colaboração de Stephan Arnulf Baumgärtel, 2012, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Karin Kiwus, nascida em 1942, alemã de Berlim, estudou Jornalismo, Alemão e Ciências Políticas na Universidade Livre de Berlim, concluiu mestrado, foi escritora e poeta; trabalhou como editora da Suhrkamp Verlag, Editora Suhrkamp, chefiou o departamento de literatura da Academia de Artes de Berlim, foi palestrante, professora na Universidade Livre de Berlim e professora visitante na Universidade do Texas, Austin — EUA; suas obras poéticas: Von beiden Seiten der Gegenwart (1976), Angenommen später (1979), 39 Gedichte (1981), Das chinesische Examen (1992), Nach dem Leben (2006), Das Gesicht der Welt (2014) etc.; como editora, produziu Vom Essen e Trinken (Sobre comer e beber, 1978), Berliner Autoren-Stadtbuch (Livro dos autores berlinenses, 1985) Berlin — ein Ort zum Schreiben (juntamente com Barbara Voigt, 1996) e outros títulos; recebeu premiações por sua obra; Karin Kiwus vive em Berlim.