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[traduzido por Paulo Cesar Pimentel]
Numa terra sem vida, abandonada e
dura,
quero eu mesmo cavar um buraco
profundo,
onde possa esticar minha velha
ossatura
para dormir tranqüilo, esquecido
do mundo.
Odeio o testamento, odeio a
sepultura;
a esmolar compaixão como um vil
vagabundo,
antes quisera ver minha carcaça
impura,
inda viva servir de pasto a um
corvo imundo.
Vermes, amigos meus sem olhos, sem
ouvidos,
um morto vos procura alegre e
descuidado!
Filhos da podridão, asquerosos e
tortos.
sem pena percorrei meus restos
corrompidos,
e dizei-me se pode inda ser
torturado
este corpo sem alma e mais morto
que os mortos!
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| Baudelaire |
LXXII. – Le mort joyeux
Dans une terre grasse et
pleine d’escargots
Je veux creuser moi-même
une fosse profonde,
Où je puisse à loisir
étaler mes vieux os
Et dormir dans l’oubli
comme um requin dans l’onde.
Je hais les testaments et
je hais les tombeaux;
Plutôt que d’implorer une
larme du monde,
Vivant, j’aimerais mieux
inviter les corbeaux
À saigner tous les bouts de ma carcasse immonde.
Ô vers! noirs compagnons sans oreille et sans yeux,
Voyez venir à vous un
mort libre et joyeux;
Philosophes viveurs, fils
de la pourriture,
À travers ma ruine allez
donc sans remords,
Et dites-moi s’il est
encor quelque torture
Pour ce vieux corps sans âme et mort parmi les morts!
(Les fleurs du mal)
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O Mundo Maravilhoso do Soneto,
de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas
Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Charles-Pierre Baudelaire
(1821 — 1867), nascido em Paris — França, foi poeta, crítico de
arte, tradutor e literato; escreveu e publicou Les Fleurs du Mal (Flores do Mal, poemas,
1857), Os Paraísos Artificiais (ensaios, 1860) e outros;
considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente
como um dos fundadores da tradição moderna em poesia, sua obra teórica
também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.
