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segunda-feira, 16 de março de 2026

Tristan Corbière: O Renegado

 

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[traduzido por Marcos Antônio Siscar]

(Homens do mar)

Isto é um renegado. Um grande contumaz:
   Para fazer nada, tudo faz.
Cortou sete mares, ou mais; bravo e poltrão,
Corsário anfíbio, em passeio ou em ação;
Escravo, flibusteiro, negro, branco, soldado,
Capanga; faz de tudo um pouco, o coitado:
Macaco, sabujo de dama... e mesmo: dama.
Profeta in partibus, vendendo a alma por grama;
Veneno, flautista, carrasco ou enforcado,
Médico, eunuco; pedinte, um facão do lado...

A morte o conhece, e já não se sente atraída...
Cuspido pela morte, cuspido pela vida,
Ele come homem, ouro, excremento, poeira,
Come chumbo, ambrósia… ou nada Aquilo que cheira. —

Seu nome! Trocar de pele lhe era fácil...
Em todas as línguas é: Cidalísia, Inácio,
Todos los santos... Mas tal peso já não tem;
O T. F. de forçado apagou muito bem!...

Quem o moveu... o amor? Já cheirou a cueiro!
Ele violou tudo: a forca e o carcereiro.
Ódio? Não. Roubo? Recusou o que era dado.
Amarrou o bode do vício? Não é viciado:
Não... na barriga ele tem uma messalina,
É um temperamento... um artista de rapina.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Não teve misericórdia nem com o diabo.
Tenha o leme! Apodreceu tudo até o cabo,
Matou toda besta, destratou o trato tosco...
Puro, por haver purgado todo desgosto.

                   Baleares.

Tristan Corbière

Le Rénégat*

(Gens de mer)

Ça c’est un renégat. Contumace partout:
    Pour ne rien faire, ça fait tout.
Écumé de partout et d’ailleurs; crâne et lâche,
Écumeur amphibie1, à la course, à la tâche;
Esclave, flibustier, nègre, blanc, ou soldat,
Bravo: fait tout ce qui concerne tout état;
Singe, limier de femme... ou même, au besoin, femme;
Prophète in partibus, à tant par kilo d’âme;
Pendu, bourreau, poison, flûtiste, médecin,
Eunuque; ou mendiant, un coutelas en main...

La mort le connaît bien, mais n’en a plus envie...
Recraché par la mort, recraché par la vie,
Ça mange de l’humain, de l’or, de l’excrément,
Du plomb, de l’ambroisie... ou rien Ce que ça sent.

Son nom? Il a changé de peau, comme chemise...
Dans toutes langues c’est: Ignace ou Cydalyse2,
Todos los santos... Mais il ne porte plus ça;
Il a bien effacé son T. F. de forçat!...

Qui l’a poussé... l’amour? Il a jeté sa gourme3!
Il a tout violé: potence et garde-chiourme.
La haine? Non. Le vol? Il a refusé mieux.
Coup de barre4du vice? Il n’est pas vicieux;
Non... dans le ventre il a de la fille-de-joie,
C’est un tempérament... un artiste de proie.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Au diable même il n’a pas fait miséricorde.
Hale encore! Il a tout pourri jusqu’à la corde,
Il a tué toute bête, éreinté tous les coups...
Pur, à force d’avoir purgé tous les dégoûts.

              Baléares5.

Notas do tradutor Marcos Antônio Siscar:
O poema apresenta uma sequência de autodefinições comparável à dos poemas-epitáfio em Corbière, poeta “anfíbio”. [ . . . ] [traduzido] da seção do livro chamada “Homens do mar”.
1. verso 4 – “Amphibie”: segundo o dicionário Littré, o homem que professa, sucessivamente, sentimentos contrários;
2. verso 16 – “Ignace”: lembra o santo; “Cydalyse”, nome utilizado por Nerval [Gérard de] lembra um nome de cortesã;
3. verso 19 – “Jeter la gourme”: fazer loucuras na mocidade;
4. verso 22 – “Avoir le coup de barre”: sentir-se repentinamente muito cansado;
5. “Baléares”: os portos das ilhas Baleares eram ponto de passagem e de refúgio para todo tipo de aventureiro em ação no Mediterrâneo.'
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Os Amores amarelos — Tristan Corbière, edição bilíngue, Introdução, Tradução e Notas de Marcos Antônio Siscar, 1996, Editora Iluminuras Ltda., São Paulo — SP; Tristan Corbière, ou Édouard-Joachim Corbière (1845 1875), francês de Morlaix Finistère-Bretagne, estudou no Lycée de Saint-Brieuc [internato], na Bretanha [região noroeste francesa], transferiu-se para um liceu em Nantes [como aluno externo], abandonou os estudos motivado por doença, foi poeta simbolista e caricaturista; desde 1859, saúde frágil, foi acometido por febre reumática; de sua biografia, consta que seus primeiros poemas e caricaturas vieram à luz durante o período em que foi aluno interno, e que seu mais antigo poema, datado de 1860, satirizava um professor de história; escreveu e publicou um único livro em vida, Les Amours jaunes (Os Amores amarelos, 1873), a revista La Vie Parisienne registrou alguns de seus poemas; a obra, considerada um fracasso total, não obteve aceitação pública, só tendo sido valorizada dez anos depois quando Paul Verlaine a incluiu em Les Poètes maudits (1883), recomendando-a; consta que tal citação bastou para trazer o nome Tristan Corbière à tona, firmando-o como um dos mestres reconhecidos do Simbolismo; sua poética é considerada precursora do Surrealismo; em 1891, pelas mãos do editor Léon Vanier, veio a público a 2ª edição de Os Amores amarelos e, desta vez, foi absorvida e benquista nos meios literários; depois, vieram outras edições e reimpressões; muito anteriormente, em 1874 Corbière ainda vivo, haviam sido publicados dois textos em prosa: Casino des trépassés (Cassino dos finados) e L’Americaine (A Americana); a poesia de Tristan Corbière influenciou Jules Laforgue, e já no século 20, Ezra Pound (1885 1972) consagrou Corbière definitivamente “como um dos maiores versificadores [da língua francesa], mediante os contextos originais, satíricos, as estruturas coloquiais e seus jogos de palavras em rimas ricas” [conforme o tradutor e estudioso José Lino Grümewald]; debilitado, o poeta morreu de tuberculose aos 29 anos de idade.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Haroldo de Campos: renga em new york


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(fragmento)

1.
renga em new york: dante e louis zukofsky
estanças de três linhas terza rima
na manhattan de lorca e maiakóvski

quem será a primeira bailarina
nessa cadeia tríplice de estrofes
ouro dançante ou rápida platina?

renga em new york: estrofe e antístrofe
a rima rara a rima peregrina
vodka e rododendros cafre e cofre

café e frutas cítricas citrina
é a cor das nuvens voando para o norte
e o sol se põe: tabaco e purpurina

enquanto a noite pende e o amor desporte
de cínicos conjuga vitaminas
e orgasmos dedirróseos de clitóris

renga em new york: a estrela vespertina
sousândrade desastres astros sorte
e o guesa pára aqui e a luz se fina
[ . . . ]

Crisantempo no espaço curvo nasce um (1998)

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Haroldo de Campos: [Coleção] Ciranda da poesia, Apresentação, Seleção e Notas de Marcos Siscar, 2015, EdUERJ Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro RJ; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929 2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC SP e na Universidade do Texas, em Austin USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum Signância: quase céu (1979), A educação dos cinco sentidos (1985), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), Crisantempo no espaço curvo nasce um (1998), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Haroldo de Campos: Klimt: tentativa de pintura (com modelo ausente)

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1.
lourovioleta: um monstro uma
figura em ouro cin
zelada das unhas à raiz (crin
a) metalizada dos cabelos pedi
curada em roxo um traço bis
(não de bistre) um risco de li
lás as pálpebras dobradas
como mariposas (como mari
posas) sim pedicurada em roxo
e as pontiagudas unhas só li
lás da mesma cor do pij
ama uma figura um monstro
sim (quimono): klimt.

2.
e sob isto tudo como sob
uma panóplia (armada) um pavilhão
de pedraria (um baldaquino) dra
pejantes panos (um azul turquino)
(caravelas ao largo) bandeiras de um
(impossível) impromptu ultra
(biombo grand’aberto gonfalão panóplia)
violeta

o corpo (a ci
catriz li
lás)
o branco albino se diria
o corpo um cor
po de me
nina
 
(A educação dos cinco sentidos  1985)

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Haroldo de Campos: [Coleção] Ciranda da poesia, Apresentação, Seleção e Notas de Marcos Siscar, 2015, EdUERJ — Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro — RJ; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929  2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH  USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC  SP e na Universidade do Texas, em Austin  USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum — Signância: quase céu (1979), A educação dos cinco sentidos (1985), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), Crisantempo  no espaço curvo nasce um (1998), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.

segunda-feira, 20 de março de 2023

Haroldo de Campos: Parafernália para Hélio Oiticica


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1.
retículas
redes desredes
reticulares ares áreas
tramas retramas redes
áreas
reticulares
reticulária
colares de quadrículos
contas cubículos
áreas ares
tramas retramas
desarticulária
de áreas reais
o rosto implode
camaleocaleidoscópico

2.
o amarelo
os elos do amarelo
o vermelho
os espelhos do vermelho
o verde
os revérberos do verde
o azul
os nus do azul
os martelos do amarelo
as veredas do vermelho
os enredos do verde
os zulus nus do azul
os brancos elefantes do branco

3.
hélios, o sol, não desmesura

4.
(cineteatro nô / psicocenografado por sousândrade
com roteiro ideogrâmico de eisenstein):

onde se lê hagoromo, leia-se parangolé
onde se vê monte fuji, veja-se morro da mangueira

o parangoromo
pluriplumas
se héliexcelsa
hélifante
celucinário
até
decéuver-se
no céu do
céu

5.
hélio sobe no zepelim das cores
movido a parangol’hélium
e se dissolve no sol do céu

(A educação dos cinco sentidos 1985)

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Haroldo de Campos: [Coleção] Ciranda da poesia, Apresentação, Seleção e Notas de Marcos Siscar, 2015, EdUERJ Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro RJ; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929 2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC SP e na Universidade do Texas, em Austin USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum Signância: quase céu (1979), A educação dos cinco sentidos (1985), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), Crisantempo no espaço curvo nasce um (1998), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.

domingo, 21 de agosto de 2022

Haroldo de Campos: um lance de godardos


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a vida é tão perversa e feminina
a vida é tão perversa
e não me venha
com essa (arte) conversa fescenina
a vida é tão
conversa      é tão
menina
(arte) e não me venha com essa (venha)
lábia fina
ave
vida perversa
e pequenina
ave  vida  maria  virgem  fina
vida de descoberta          pinta & nina
pequena vida perversa
e feminina
vida    vidanossa    vidaminha
(tudo o que em mim pensa está*
filmando:
caetano em pessoa)
ave   (arte)   vida
tão diversa
santamariavida tão carina
(e tão depressa) parte
vida-cinema-d’arte    vai &
voa

(Crisantempo: no espaço curvo nasce um — 1998)


* Nota de Marcos Siscar: Na edição única do livro, a palavra “está” aparece sem acento.
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Haroldo de Campos: [Coleção] Ciranda da poesia, Apresentação, Seleção e Notas de Marcos Siscar, 2015, EdUERJ Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro RJ; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929 2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC SP e na Universidade do Texas, em Austin USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum Signância: quase céu (1979), A educação dos cinco sentidos (1985), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), Crisantempo no espaço curvo nasce um (1998), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Haroldo de Campos: Minima moralia & Como ela é

 
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Minima moralia

já fiz de tudo com as palavras

agora eu quero fazer de nada

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Como ela é

acupunturas com raios cósmicos
realismo: a poesia como ela é
inscrições rupestres na ponta da língua
poesia à beira-fôlego: no último fole do pulmão
como ela é (a poesia)
fogo (é)
fogo
(a poesia)
fogo

(A educação dos cinco sentidos 1985)

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Haroldo de Campos: [Coleção] Ciranda da poesia, Apresentação, Seleção e Notas de Marcos Siscar, 2015, EdUERJ Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro RJ; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929 2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC SP e na Universidade do Texas, em Austin USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum Signância: quase céu (1979), A educação dos cinco sentidos (1985), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.