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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Ivan Neris: Anhangá

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Anhangá passou por aqui,
Anhangá tudo levou:
Fim da raça,
Fim da paz,
Fim da roça.
Ficou nossa história,
Ficou o pajé, sonhando na oca
Com um dia melhor que hoje.
Ficou a força da nossa fé
Em Tupã, pai criador,
Mas um dia o verão vai nascer!
Um guerreiro Tamoio descerá do céu,
Num raio de sol,
Com a flecha da honra
E a lança da verdade.
Com o corpo pintado com urucum, em cores de guerra,
Ele vingará nossa dor:
A fome sem nome que abateu os curumins.
Curupira dançará ao seu lado.
Do espelho d’água, a Iara cantará sua triste canção.
Mil sacis romperão da mata,
Nos seus redemoinhos, derrubando os prédios
E os fios da eletricidade.
Desmoronarão as mentiras do homem branco
Marcharão, em praça pública, os Macuchis,
Os Guaianazes, os Tupis.
E todos os bichos sorrirão
O carnaval da mãe terra findará a solidão da lua
Que chora sozinha mil noites
Desde que Anhangá chegou, na primeira caravela.

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Ivan Neris: Horizonte Vertical poesia, Apresentação de Claudemir dos Santos, 1ª edição, 2019, Lavra Editora, São Paulo SP; Ivan Neris, nascido em 1976, paulista e paulistano da ZL (Zona Leste), é multiartista e poeta; produtor musical, compositor e letrista, ator e diretor teatral, Ivan é um dos administradores da Aldeia Satélite Espaço Cultural, no bairro de São Miguel Paulista desta pauliceia esparramada, onde também se apresenta e participa do Sarau Arte Canal; entre 1996 e 2001 foi um dos consolidadores do grupo artístico musical AD Alucinógeno Dramático; tem poemas musicados; o poeta vive e trabalha na ZL paulistana e se esparrama por outras regiões da cidade; é bancário.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Ivan Neris: Todos moram?

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As intenções e os atos,
As realizações e os fatos.
Cru, o Brasil diante de seu autorretrato:
Violência, truculência, hipocrisia, putaria
À margem do concreto, à margem do teto,
À margem do básico.
Entre propagandas e frágeis mentiras
Se compõe esta imagem porca
Que tudo, o que se nomeia mídia,
Sem vacilar expõe como “verdade”.
E os guturais cidadãos civilizados
Compram a um caro preço
Esse fétido peixe na feira das vaidades.
Como e bebam o amargo gosto
Dessa falida democracia,
Dessa mentira deslavada, chamada sociedade humana,
Que de humana, no melhor sentido, não tem nada.
Enquanto cerramos nossos olhos, preparando o corpo,
Pois vem aí a labuta diária:
Nossa carne e sangue fraternas
Sofrem a sede da justiça
Merecida, sim, por tudo o que já se paga
Por existir neste planeta.
Hoje tenho a dar a este mundo meu escarro,
Meu vômito, minha revolta muda.
Venho dedicar a isto que ousa dizer “governo democrático”,
Que me empola o sangue e me derrete a pele
Por saber que tais indivíduos
Também são chamados homo sapiens.

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Ivan Neris: Horizonte Vertical poesia, Apresentação de Claudemir dos Santos, 1ª edição, 2019, Lavra Editora, São Paulo SP; Ivan Neris, nascido em 1976, paulista e paulistano da ZL (Zona Leste), é multiartista e poeta; produtor musical, compositor e letrista, ator e diretor teatral, o poeta Ivan é um dos administradores da Aldeia Satélite Espaço Cultural, no bairro de São Miguel Paulista desta pauliceia esparramada, onde também se apresenta e participa do Sarau Arte Canal; entre 1996 e 2001 foi um dos consolidadores do grupo artístico musical AD Alucinógeno Dramático; tem poemas musicados; o poeta vive e trabalha na ZL paulistana e se esparrama por outras regiões da cidade; é bancário.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Ivan Neris: A noite


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Desfaço-me de mim numa rua qualquer,
Numa esquina perdida de uma cidade gigante.
Solto minha mão e deixo-me andar
Vislumbro nos bares, corações amargos,
Nuances de vodca barata confundem-se com gestos de tequila.
Enterrado em um copo de cerveja,
Não ouso sonhar com amores.
Os corpos somente falam sobre sexo.
Não estamos no paraíso, caro amigo!
Me diz um anjo que já há muitos anos reside nas ruas.
Esta é São Paulo, cidade país e perversa meretriz sem dono.
Ele fora designado para acompanhar um jovem homossexual
Que jaz, sem os seios tensos de silicone,
Em um desconhecido cemitério da periferia.
Desde então, acostumado que estava às torpezas da noite,
Caminha pelas ruas do centro velho.
Os odores de desejo, fome e frustração
Misturam-se no ar noturno,
Solidão é o nome que se lê na maioria dos rostos.
Porém, uma constrangedora febre inexata
Detona os gestos, ilude os sentidos,
Amarra as lágrimas e faz cair no devaneio da beleza falsa
Êxtase, cocaína e outras loucuras,
Apesar de muito usadas, não aplacam a frieza da realidade,
Só confundem a cor da verdade:
Todas as bocas querem aquele beijo,
Todos os corpos solicitam um corpo para sempre,
Um amor que dure todo o sempre,
Aquele idealizado homem sempre, para sempre.


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Ivan Neris: Horizonte Vertical poesia, Apresentação de Claudemir dos Santos, 1ª edição, 2019, Lavra Editora, São Paulo SP; Ivan Neris, nascido em 1976, paulista e paulistano da ZL (Zona Leste), é multiartista e poeta; produtor musical, compositor e letrista, ator e diretor teatral, o poeta Ivan é um dos administradores da Aldeia Satélite Espaço Cultural, no bairro de São Miguel Paulista desta pauliceia esparramada, onde também se apresenta e participa do Sarau Arte Canal; entre 1996 e 2001 foi um dos consolidadores do grupo artístico musical AD Alucinógeno Dramático; tem poemas musicados; o poeta vive e trabalha na ZL paulistana e se esparrama por outras regiões da cidade; é bancário.