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Debaixo desta alta fronde
Ninguém me ouvirá gemer
Co'a tristeza e desprazer
Que dentro da alma se esconde.
Eco
Onde?
Chorai, olhos meus, chorai,
Que eu não abafo o que sinto;
No coração quase extinto
Quanto tormento me vai!
Eco
Ai!
Eco saudoso e brando,
Que tens compaixão de mim,
Se sabes gemer assim,
Andas acaso penando?
Eco
Ando.
Dura sorte o Céu te deu,
Mas eu sou mais desgraçado,
Pois quem por ordem do fado
Tem pesar igual ao meu?
Eco
Eu.

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Coleção Nossos Clássicos — José
Albano, poesia, Volume 30, por Braga Montenegro, publicados sob a direção
de Alceu Amoroso Lima e Roberto Alvim Corrêa, 1958, Livraria Agir Editora, Rio
de Janeiro — RJ; José d'Abreu Albano (1882 — 1923), cearense
de Fortaleza, iniciou seus estudos em seminário da cidade e, depois, em
colégios religiosos da Inglaterra, da Áustria e da França; bem jovem
ainda, de volta à terra natal, começou a publicar seus poemas no jornal A
República; estudou no Liceu do Ceará, onde também foi professor de Latim;
poliglota, escrevia em francês, inglês e alemão, contudo, como lembra Manoel
Bandeira, "tão versado em idiomas estrangeiros, prezava como ninguém a
pureza do vernáculo"; após ter trabalhado no Ministério das Relações
Exteriores, no Rio de Janeiro, e no consulado brasileiro, em Londres, abandonou
a carreira pública para viajar pelo mundo; Europa, Ceará e Rio de Janeiro
marcaram as várias etapas de sua vida; publicaram-se suas obras em Barcelona — Espanha: Rimas
de José Albano — Redondilhas, Rimas de José Albano — Alegoria e Rimas
de José Albano — Cançam a Camoens (todas em 1912), e Ode à Língua Portuguesa, Four
Sonets by José Albano, with Portuguese prosetranslation e Antologia
Poética de José Albano (todas em 1918); Manuel Bandeira e Braga Montenegro foram os
responsáveis pela divulgação de seus escritos em terras brasileiras, ao
publicarem Rimas, de José Albano (1948).