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domingo, 28 de fevereiro de 2016

José Albano: Trovas com eco

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Debaixo desta alta fronde
Ninguém me ouvirá gemer
Co'a tristeza e desprazer
Que dentro da alma se esconde.

                      Eco

                                          Onde?

Chorai, olhos meus, chorai,
Que eu não abafo o que sinto;
No coração quase extinto
Quanto tormento me vai!

                      Eco

                                          Ai!

Eco saudoso e brando,
Que tens compaixão de mim,
Se sabes gemer assim,
Andas acaso penando?

                      Eco

                                          Ando.

Dura sorte o Céu te deu,
Mas eu sou mais desgraçado,
Pois quem por ordem do fado
Tem pesar igual ao meu?

                      Eco

                                          Eu.

JOSÉ ALBANO
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Coleção Nossos Clássicos — José Albano, poesia, Volume 30, por Braga Montenegro, publicados sob a direção de Alceu Amoroso Lima e Roberto Alvim Corrêa, 1958, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; José d'Abreu Albano (1882  1923), cearense de Fortaleza, iniciou seus estudos em seminário da cidade e, depois, em colégios religiosos da Inglaterra, da Áustria e da França; bem jovem ainda, de volta à terra natal, começou a publicar seus poemas no jornal A República; estudou no Liceu do Ceará, onde também foi professor de Latim; poliglota, escrevia em francês, inglês e alemão, contudo, como lembra Manoel Bandeira, "tão versado em idiomas estrangeiros, prezava como ninguém a pureza do vernáculo"; após ter trabalhado no Ministério das Relações Exteriores, no Rio de Janeiro, e no consulado brasileiro, em Londres, abandonou a carreira pública para viajar pelo mundo; Europa, Ceará e Rio de Janeiro marcaram as várias etapas de sua vida; publicaram-se suas obras em Barcelona  Espanha: Rimas de José Albano — RedondilhasRimas de José Albano — Alegoria e Rimas de José Albano — Cançam a Camoens (todas em 1912), Ode à Língua PortuguesaFour Sonets by José Albano, with Portuguese prosetranslation e Antologia Poética de José Albano (todas em 1918); Manuel Bandeira e Braga Montenegro foram os responsáveis pela divulgação de seus escritos em terras brasileiras, ao publicarem Rimas, de José Albano (1948).

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

José Albano: Ditoso quem foi sempre desamado (soneto)

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II

Ditoso quem foi sempre desamado
Nem nunca na alma viu pintar-se o gozo,
Que lhe promete estado venturoso
Para depois deixá-lo em triste estado.

Já me de todo agora persuado
De que não pode haver brando repouso,
E do afeto mais doce e deleitoso
Se gera às vezes o maior cuidado.

Não quero boa sorte nem sonhá-la,
Pois logo passa, apenas se revela,
Com uma dor que outra nenhuma iguala.

Mas quem desconheceu benigna estrela,
Se não teve a alegria de alcançá-la,
Nunca teve o desgosto de perdê-la.

JOSÉ ALBANO
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Coleção Nossos Clássicos — José Albano, poesia, Volume 30, por Braga Montenegro, publicados sob a direção de Alceu Amoroso Lima e Roberto Alvim Corrêa, 1958, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; José d'Abreu Albano (1882 1923), cearense de Fortaleza, iniciou seus estudos em seminário da cidade e, depois, em colégios religiosos da Inglaterra, da Áustria e da França; bem jovem ainda, de volta à terra natal, começou a publicar seus poemas no jornal A República; estudou no Liceu do Ceará, onde também foi professor de Latim; poliglota, escrevia em francês, inglês e alemão, contudo, como lembra Manoel Bandeira, "tão versado em idiomas estrangeiros, prezava como ninguém a pureza do vernáculo"; após ter trabalhado no Ministério das Relações Exteriores, no Rio de Janeiro, e no consulado brasileiro, em Londres, abandonou a carreira pública para viajar pelo mundo; Europa, Ceará e Rio de Janeiro marcaram as várias etapas de sua vida; publicaram-se suas obras em Barcelona Espanha: Rimas de José Albano — Redondilhas, Rimas de José Albano — Alegoria e Rimas de José Albano — Cançam a Camoens (1912), e Ode à Língua Portuguesa, Four Sonets by José Albano, with Portuguese prosetranslation e Antologia Poética de José Albano (1918); Manuel Bandeira e Braga Montenegro foram os responsáveis pela divulgação de seus escritos em terras brasileiras, ao publicarem Rimas, de José Albano (1948).