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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

José Martí: Para Aragon em Espanha . . .

 
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[traduzido por Thiago de Mello]

VII.
Para Aragon em Espanha
Tenho no meu coração
Um lugar todo Aragon,
Franco, bravo, fiel, sem sanha.

Se um tolo quiser saber
Porque o tenho, só lhe digo
Que ali tive um bom amigo,
Que ali amei uma mulher.

Ali, na várzea florida,
Da mais heroica defesa,
Para manter o que pensa
A gente se arrisca a vida.

Se um prefeito vem e o aperta
Ou se um rei chucro o ofende,
Põe logo a manta o valente
E morre com a escopeta.

Eu amo a terra amarela
Que banha o Ebro lodoso:
Amo o Pilar azuloso
De Lanuza e de Padilla.

Estimo a quem de um revés
Deita por terra a um tirano.
O estimo se é um cubano,
O estimo se aragonês.

Amo os seus pátios sombrios,
Suas escadas bordadas:
As suas naves caladas
E seus conventos vazios.

Amo essa terra florida,
Muçulmana ou espanhola,
Onde rompeu sua corola
A rosa da minha vida.

(Versos sencillos 1891)

José Martí

Para Aragón, en España, . . .

VII
Para Aragón, en España,
Tengo yo en mi corazón
Un lugar todo Aragón,
Franco, fiero, fiel, sin saña.

Si quiere un tonto saber
Por qué lo tengo, le digo
Que allí tuve un buen amigo,
Que allí quise a una mujer.

Allá, en la vega florida,
La de la heroica defensa,
Por mantener lo que piensa
Juega la gente la vida.

Y si un alcalde lo aprieta
O lo enoja un rey cazurro,
Calza la manta el baturro
Y muere con su escopeta.

Quiero a la tierra amarilla
Que baña el Ebro lodoso:
Quiero el Pilar azuloso
De Lanuza y de Padilla.

Estimo a quien de un revés
Echa por tierra a un tirano:
Lo estimo, si es un cubano;
Lo estimo, si aragonés.

Amo los patios sombrios
Con escaleras bordadas;
Amo las naves caladas
Y los conventos vacíos.

Amo la tierra florida,
Musulmana o española,
Donde rompió su corola
La poca flor de mi vida.

(Versos sencillos 1891)
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Poetas da América de Canto Castelhano [várias autorias]: Introdução, Seleção, Tradução e Notas de Thiago de Mello, e Apresentação de Roberto Fernández Retamar, 1ª edição, 2011, Global Editora, São Paulo — SP; José Julián Martin Pérez ou José Martí (1853 1895), nascido em Havana Cuba, estudou no Instituto de Ensino Secundário de Havana, fez Desenho Elementar na Escola Profissional de Pintura e Escultura, também em Havana, e, tendo sido preso, posteriormente, após comutação da pena em troca de exílio na Espanha, formou-se em Direito, Filosofia e Letras nas universidades de Madri e Zaragoza, foi jornalista, escritor, poeta, filósofo, pensador e político revolucionário cubano; depois de ter passado um período em Paris, Nova Iorque, México e Guatemala, retornou à Cuba e participou da criação do Partido Revolucionário Cubano e da organização da Guerra de [18]95 ou Gerra Necessária; por sua participação político-revolucionária sofreu nova detenção, tendo sido outra vez deportado para a Espanha; escreveu seus primeiros poemas por volta dos quinze anos, o soneto “10 de outubro” entre os quais; teve seus artigos e crônicas publicados no La Opinión Nacional, de Caracas Venezuela, La Nación, de Buenos Aires Argentina, e The Liberal Party, do México; em Caracas, fundou a Revista Venezolana, com duração de apenas dois números; em Nova Iorque, criou e publicou a revista infantil The Golden Age; suas obras: em poesia: Edad de oro (1878-1882), Ismaelillo (1881-1882), Versos sencillos (Versos simples, 1891), Flores del destierro (1878-1895), Versos Libres: 1878 — 1882 (publicados postumamemente, 1913), em prosa e outros: Abdala (drama em 1 ato, em versos octossílabos, 1869), El presidio político en Cuba (ensaio, 1871), La Adúltera (drama em versos octossílabos, 1873), Amor con amor se paga (drama em versos, 1875), Amistad funesta (romance, publicado em fascículos no jornal El Latino Americano, de maio a setembro de 1885), Nuestra América (1891) e outros títulos; o poeta “é considerado o precursor do Modernismo na América Latina, movimento literário que explodiria no continente latino-americano com Rubén Darío [poeta nicaraguense]”; José Martí, com algumas prisões e deportações, viveu boa parte de sua vida no exílio.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

José Martí: Já sei: de carne se pode . . . & Cultivo uma rosa branca . . .

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[traduzidos por Thiago de Mello]

XXXVI.
Já sei: de carne se pode
Fazer uma flor: se pode
Com o poder do carinho
Fazer um céu e um menino.

De carne se faz também
O escorpião, e também
O verme dentro da rosa
E uma coruja de espanto.

— o —

XXXIX.
Cultivo uma rosa branca
Em julho como em janeiro
Para um amigo sincero
Que me dá sua mão franca.

E para o cruel que me arranca
O coração com que vivo,
Cardo, urtiga, não cultivo:
Cultivo uma rosa-branca.

(Versos sencillos 1891)

José Martí

XXXVI
Ya sé: de carne se puede
Hacer una flor: se puede,
Con el poder del cariño,
Hacer un cielo, ¡y un niño!

De carne se hace también
El alacrán; y también
El gusano de la rosa,
Y la lechuza espantosa.

— o —

XXXIX
Cultivo una rosa blanca
En julio como en enero,
Para el amigo sincero
Que me da su mano franca.

Y para el cruel que me arranca
El corazón con que vivo,
Cardo ni ortiga cultivo;
Cultivo la rosa blanca.

(Versos sencillos 1891)
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Poetas da América de Canto Castelhano [várias autorias]: Introdução, Seleção, Tradução e Notas de Thiago de Mello, e Apresentação de Roberto Fernández Retamar, 1ª edição, 2011, Global Editora, São Paulo — SP; José Julián Martin Pérez ou José Martí (1853 1895), nascido em Havana Cuba, estudou no Instituto de Ensino Secundário de Havana, fez Desenho Elementar na Escola Profissional de Pintura e Escultura, também em Havana, e, tendo sido preso, posteriormente, após comutação da pena em troca de exílio na Espanha, formou-se em Direito, Filosofia e Letras nas universidades de Madri e Zaragoza, foi jornalista, escritor, poeta, filósofo, pensador e político revolucionário cubano; depois de ter passado um período em Paris, Nova Iorque, México e Guatemala, retornou à Cuba e participou da criação do Partido Revolucionário Cubano e da organização da Guerra de [18]95 ou Gerra Necessária; por sua participação político-revolucionária sofreu nova detenção, tendo sido outra vez deportado para a Espanha; escreveu seus primeiros poemas por volta dos quinze anos, o soneto “10 de outubro” entre os quais; teve seus artigos e crônicas publicados no La Opinión Nacional, de Caracas Venezuela, La Nación, de Buenos Aires Argentina, e The Liberal Party, do México; em Caracas, fundou a Revista Venezolana, com duração de apenas dois números; em Nova Iorque, criou e publicou a revista infantil The Golden Age; suas obras: em poesia: Edad de oro (1878-1882), Ismaelillo (1881-1882), Versos sencillos (Versos simples, 1891), Flores del destierro (1878-1895), Versos Libres: 1878 — 1882 (publicados postumamemente, 1913), em prosa e outros: Abdala (drama em 1 ato, em versos octossílabos, 1869), El presidio político en Cuba (ensaio, 1871), La Adúltera (drama em versos octossílabos, 1873), Amor con amor se paga (drama em versos, 1875), Amistad funesta (romance, publicado em fascículos no jornal El Latino Americano, de maio a setembro de 1885), Nuestra América (1891) e outros títulos; o poeta “é considerado o precursor do Modernismo na América Latina, movimento literário que explodiria no continente latino-americano com Rubén Darío [poeta nicaraguense]”; José Martí, com algumas prisões e deportações, viveu boa parte de sua vida no exílio.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

José Martí: A noite é propícia

 
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[traduzido por Thiago de Mello]

A noite é propícia,
Boa amiga dos versos. Quebrantada,
Como a messe sob a trilha, nasce
Pelas horas ruidosas a Poesia.
Para a criação a escuridão convém.
As serpentes, de dia entrelaçadas
Ao pensamento, dormem: as vilezas
Nos causam mais horror vistas às claras,
Deixa o silêncio uma impressão de altura:
Com despudorado império estende
O coração as asas sobre o mundo.
Noite amiga... noite criadora!
Mais que o mar, mais que o céu, mais que o ruído
Dos vulcões e mais do que o tremendo
Tremor de terra, a tua formosura
Sobre o poder da terra se ajoelha.
Pela tarde com passo majestoso
Por sua porta de aço avança a altiva
Natureza e então cala e cobre o mundo
A mais fecunda escuridão da noite.
Surge o vapor perfumado da terra,
Fecham seus bordes as cansadas folhas,
Na azul ramagem ninhos estremecem
Como num cesto de coral,
Na luz do dia, as bárbaras imagens
Defronte do homem, se encolhem, têm medo:
E na taça do crânio dolorido
Estalam as asas rotas dos cisnes
Que morrem da dor da sua brancura.
Oh, como pesam na tristeza da alma
Estas aves crescidas que lhe nascem
E morrem sem voar.
                              Flores de plumas.
Sob esses pobres versos, essas flores,
Flores de funeral! Mas onde a alvura
Poderá, de asa firme, abrir o voo?
Onde não será crime a formosura?

Óleo sacerdotal as frontes unge
Quando começa o silêncio da noite:
E como rainha que se senta, brilha
A majestade humana acurralada.
Vibra o amor, gozam as flores, se abre
Ao beijo de um criador que cruza
A sazonada mente: o frio invita
A divindade e envolve o mundo inteiro
A solidão perfeita, mãe do verso.

(Versos libres — 1878 [publicados postumamente em 1913])

José Martí

La noche es la propicia

                        La noche es la propicia
amiga de los versos. Quebrantada,
como la mies bajo la trilla, nace
En las horas ruidosas la Poesía.
A la creación la oscuridad conviene
Las serpientes, de día entrelazadas
al pensamiento, duermen: las vilezas
nos causan más horror, vistas a solas.
Deja el silencio una impresión de altura:
y con imperio pudoroso, tiende
por sobre el mundo el corazón sus alas.
¡Noche amiga, noche creadora!:
más que el mar, más que el cielo, más que el ruído
de los volcanes, más que la tremenda
convulsión de la tierra, tu hermosura
sobre la tierra la rodilla encorva.
A la tarde con paso majestuoso
por su puerta de acero entra la altiva
naturaleza, calla, y cubre al mundo,
la oscuridad fecunda de la noche:
surge el vapor de la fresca tierra,
Pliegan sus bordes las cansadas hojas;
y en el ramaje azul tiemblan los nidos.
Como en un cesto de coral, sangrientas,
en el día, las bárbaras imágenes
frente al hombre, se estrujan: tienen miedo:
y en la taza del cráneo adolorido
crujen las alas rotas de los cisnes
que mueren del dolor de su blancura.
¡Oh, cómo pesan en el alma triste
estas aves crecidas que le nacen
y mueren sin volar!
                              ¡Flores de plumas
bajo los pobres versos, estas flores,
flores de funeral! ¿Donde, lo blanco
podrá, segura el ala, abrir el vuelo?
¿Dónde no será crimen la hermosura?

Oleo sacerdotal unge las sienes
quando el silencio de la noche empieza:
y como reina que se sienta, brilla
la majestad del hombre acorralada.

Vibra el amor, gozan las flores, se abre
al beso de un creador que cruza
la sazonada mente: el frío invita
a la divinidad; y envuelve al mundo
la casta soledad, madre del verso.

[Flores del destierro, 1878-1895]
(Versos libres — 1878 [publicados postumamente em 1913])
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Poetas da América de Canto Castelhano [várias autorias]: Introdução, Seleção, Tradução e Notas de Thiago de Mello, e Apresentação de Roberto Fernández Retamar, 1ª edição, 2011, Global Editora, São Paulo — SP; José Julián Martin Pérez ou José Martí (1853 1895), nascido em Havana Cuba, estudou no Instituto de Ensino Secundário de Havana, fez Desenho Elementar na Escola Profissional de Pintura e Escultura, também em Havana, e, tendo sido preso, posteriormente, após comutação da pena em troca de exílio na Espanha, formou-se em Direito, Filosofia e Letras nas universidades de Madri e Zaragoza, foi jornalista, escritor, poeta, filósofo, pensador e político revolucionário cubano; depois de ter passado um período em Paris, Nova Iorque, México e Guatemala, retornou à Cuba e participou da criação do Partido Revolucionário Cubano e da organização da Guerra de [18]95 ou Gerra Necessária; por sua participação político-revolucionária sofreu nova detenção, tendo sido outra vez deportado para a Espanha; escreveu seus primeiros poemas por volta dos quinze anos, o soneto “10 de outubro” entre os quais; teve seus artigos e crônicas publicados no La Opinión Nacional, de Caracas Venezuela, La Nación, de Buenos Aires Argentina, e The Liberal Party, do México; em Caracas, fundou a Revista Venezolana, com duração de apenas dois números; em Nova Iorque, criou e publicou a revista infantil The Golden Age; suas obras: em poesia: Edad de oro (1878-1882), Ismaelillo (1881-1882), Versos sencillos (Versos simples, 1891), Flores del destierro (1878-1895), Versos Libres: 1878 — 1882 (publicados postumamemente, 1913), em prosa e outros: Abdala (drama em 1 ato, em versos octossílabos, 1869), El presidio político en Cuba (ensaio, 1871), La Adúltera (drama em versos octossílabos, 1873), Amor con amor se paga (drama em versos, 1875), Amistad funesta (romance, publicado em fascículos no jornal El Latino Americano, de maio a setembro de 1885), Nuestra América (1891) e outros títulos; o poeta “é considerado o precursor do Modernismo na América Latina, movimento literário que explodiria no continente latino-americano com Rubén Darío [poeta nicaraguense]”; José Martí, com algumas prisões e deportações, viveu boa parte de sua vida no exílio.

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

José Martí: Meu reizinho

 
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[traduzido por Thiago de Mello]

Os persas têm
Um rei sombrio
Os hunos foscos
Um rei altivo,
Um rei ameno
Têm os iberos;
Rei tem o homem,
Rei amarelo
Mal vão os homens
Com seu domínio!
Mas eu vassalo
De outro rei vivo,
Um rei desnudo
Banco e roliço:
Seu cetro um beijo!
Meu prêmio um mimo!
Oh! Como uns áureos
Reis, os divinos
De terras mortas,
Dos povos idos

Quando te fores,
Leva-me, filho!
Toca-me a fronte
Teu cetro onímodo,
Unge-me servo,
Servo submisso:
Não me cansarei
De me ver ungido!
Te juro lealdade,
Oh, meu reizinho!
Seja meu dorso
Teus pavês, filho;
Passa em meus ombros
O mar sombrio:
Morra ao te pôr
Em terra vivo:
Mas se amar pensas
Esse amarelo
Que é rei dos hiomens,
Morre comigo!
Viver impuro?
Não vivas, filho!

(Ismaelillo — 1881—1882)

José Martí

Mi reyecillo

Los persas tienen
Un rey sombrío;
Los hunos foscos
Un rey altivo;
Un rey ameno
Tienen los íberos;
Rey tiene el hombre,
Rey amarillo:
¡Mal van los hombres
Con su dominio!
Mas yo vassalo
De otro rey vivo,
Un rey desnudo,
Blanco y rollizo:
Su cetro un beso,
Mi premio un mimo!
Oh! cual los áureos
Reyes divinos
De tierras muertas,
De pueblos idos
¡Cuando te vayas,
Llévame, hijo!
Toca en mi frente
Tu cetro omnímodo:
Úngeme siervo,
Siervo sumiso:
¡No he de cansarme
De verme ungido!
¡Lealtad te juro,
Mi reyecillo!
Sea mi espalda
Pavés de mi hijo:
Pasa en mis hombros
El mar sombrío:
Muera al ponerte
En tierra vivo:
Mas si amar piensas
El amarillo
Rey de los hombres,
¡Muere conmigo!
¿Vivir impuro?
¡No vivas, hijo!

(Ismaelillo — 1881—1882)

Dedicatoria *

     Hijo:
     Espantado de todo, me refugio en ti.
     Tengo fe en el mejoramiento humano, en la vida futura, en la utilidad de la virtud, y en ti.
     Si alguien te dice que estas páginas se parecen a otras páginas, diles que te amo demasiado para profanarte así. Tal como aquí te pinto, tal te han visto mis ojos. Con esos arreos de gala te me has aparecido. Cuando he cesado de verte en esa forma, he cesado de pintarte. Esos riachuelos han pasado por mi corazón.
     ¡Lleguen al tuyo!

* Nota apensa na edição, pelo tradutor Thiago de Mello: (De Ismaelillo, livro que o Poeta escreveu para o seu filho. Vale a pena gravar nestas páginas as palavras com as quais Martí lhe oferece os versos:
     Filho:
     Espantado de tudo, me refugio em ti.
     Tenho fé no melhoramento humano, na vida futura, Na utilidade da virtude – e em ti.
     Se alguém te diz que estas páginas se parecem a outras páginas, responde que te amo demasiado para te profanar assim. Tal como aqui te pinto, assim te viram meus olhos. Com esses arreios de gala me apareceste. Quando cessei de ver a tua forma, deixei de pintar. Esses riachos passaram pelo meu coração.
     Que eles cheguem ao teu!)
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Poetas da América de Canto Castelhano [várias autorias]: Introdução, Seleção, Tradução e Notas de Thiago de Mello, e Apresentação de Roberto Fernández Retamar, 1ª edição, 2011, Global Editora, São Paulo — SP; José Julián Martin Pérez ou José Martí (1853 1895), nascido em Havana Cuba, estudou no Instituto de Ensino Secundário de Havana, fez Desenho Elementar na Escola Profissional de Pintura e Escultura, também em Havana, e, tendo sido preso, posteriormente, após comutação da pena em troca de exílio na Espanha, formou-se em Direito, Filosofia e Letras nas universidades de Madri e Zaragoza, foi jornalista, escritor, poeta, filósofo, pensador e político revolucionário cubano; depois de ter passado um período em Paris, Nova Iorque, México e Guatemala, retornou à Cuba e participou da criação do Partido Revolucionário Cubano e da organização da Guerra de [18]95 ou Gerra Necessária; por sua participação político-revolucionária sofreu nova detenção, tendo sido outra vez deportado para a Espanha; escreveu seus primeiros poemas por volta dos quinze anos, o soneto “10 de outubro” entre os quais; teve seus artigos e crônicas publicados no La Opinión Nacional, de Caracas Venezuela, La Nación, de Buenos Aires Argentina, e The Liberal Party, do México; em Caracas, fundou a Revista Venezolana, com duração de apenas dois números; em Nova Iorque, criou e publicou a revista infantil The Golden Age; suas obras: em poesia: Edad de oro (1878-1882), Ismaelillo (1881-1882), Versos sencillos (Versos simples, 1891), Flores del destierro (1878-1895), Versos Libres: 1878 — 1882 (publicados postumamemente, 1913), em prosa e outros: Abdala (drama em 1 ato, em versos octossílabos, 1869), El presidio político en Cuba (ensaio, 1871), La Adúltera (drama em versos octossílabos, 1873), Amor con amor se paga (drama em versos, 1875), Amistad funesta (romance, publicado em fascículos no jornal El Latino Americano, de maio a setembro de 1885), Nuestra América (1891) e outros títulos; o poeta “é considerado o precursor do Modernismo na América Latina, movimento literário que explodiria no continente latino-americano com Rubén Darío [poeta nicaraguense]”; José Martí, com algumas prisões e deportações, viveu boa parte de sua vida no exílio.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

José Martí: Homens de mármore

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[traduzido por Henriqueta Lisboa]

Sonho com claustros de mármore
onde em silêncio divino
repousam heróis, de pé.
De noite, aos fulgores da alma,
falo com eles, de noite.
Estão em fila; passeio
Por entre as filas; as mãos
de pedra lhes beijo; entreabrem
os olhos de pedra; movem
os lábios de pedra; tremem
as barbas de pedra; choram;
vibra a espada na bainha!
Calada lhes beijo as mãos.

Falo com eles, de noite.
Estão em fila; passeio
por entre as filas; choroso
me abraço a um mármore.  “Ó mármore,
dizem que bebem teus filhos
o próprio sangue nas taças
envenenadas dos déspotas!
Que falam a língua torpe
dos libertinos! Que comem
reunidos o pão do opróbrio
na mesa tinta de sangue!
Que gastam em parolagem
as últimas fibras! Dizem,
ó mármore adormecido,
que tua raça está morta!”

Atira-me à terra súbito,
esse herói que abraço; agarra-me
o pescoço; varre a terra
com meus cabelos; levanta
o braço; fulge-lhe o braço
semelhante a um sol; ressoa
a pedra; buscam a cinta
as mãos diáfanas; da peanha
saltam os homens de mármore!

Jose-Marti.jpg
José Martí

Poesía XLV

Sueño con claustros de mármol
Donde en silencio divino
Los héroes, de pie, reposan:
¡De noche, a la luz del alma,
Hablo con ellos: de noche!
Están en fila: paseo
Entre las filas: las manos
De piedra les beso: abren
Los ojos de piedra: mueven
Los labios de piedra: tiemblan
Las barbas de piedra: empuñan
La espada de piedra: lloran:
¡Vibra la espada en la vaina!
Mudo, les beso la mano.

¡Hablo con ellos, de noche!
Están en fila: paseo
Entre las filas: lloroso
Me abrazo a un mármol: “¡Oh mármol,
Dicen que beben tus hijos
Su propia sangre en las copas
Venenosas de sus dueños!
¡Que hablan la lengua podrida
De sus rufianes! ¡Que comen
Juntos el pan del oprobio,
En la mesa ensangrentada!
!Que pierden en lengua inútil
El último fuego! ¡Dicen,
Oh mármol, mármol dormido,
Que ya se ha muerto tu raza!”

Echame en tierra de un bote
El héroe que abrazo: me ase
Del cuello: barre la tierra
Con mi cabeza: levanta
El brazo, ¡el brazo le luca
Lo mismo que un sol!: resuena
La piedra: buscan el cinto
Las manos blancas: ¡del soclo
Saltan los hombres de mármol!

(Versos Sencillos  1891)
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Antologia de Poemas para a Juventude (vários autores) — Organização e Apresentação de Henriqueta Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações S/A, Rio de Janeiro — RJ; José Julián Martin Pérez ou José Martí (1853 1895), nascido em Havana Cuba, foi político, pensador, jornalista, filósofo e poeta; fez seus estudos iniciais e secundários em Havana e, tendo sido preso, com comutação da pena em troca de exílio na Espanha, formou-se em Direito, Filosofia e Letras nas universidades de Madri e Zaragoza; após ter passado um período em Paris, Nova Iorque, México e Guatemala, retorna à Cuba e participa da criação do Partido Revolucionário Cubano e da organização da Guerra de 95 ou Gerra Necessária; por sua participação político-revolucionária sofre nova detenção e é outra vez deportado para a Espanha; bibliografia: em poesia: Ismaelillo (1882), Versos sencillos (1891), Edad de oro (18781882), Flores del destierro (18781895), ensaios: El presidio político en Cuba (1871), Nuestra América (1891), e outros títulos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

José Martí: Pensamientos

  • Se debe enseñar conversando, como Sócrates, de aldea en aldea, de campo en campo, de casa en casa.
  • El egoísmo es la mancha del mundo: el desinterés, su sol.
  • La única religion digna de los hombres es aquella que no excluye a hombre alguno de su seno.
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Cien pensamientos escogidos, Colección Guanaley - José Martí - Selección y Notas de Víctor Marrero - Imprenta de la Oficina del Programa Martiano, financiada por el Dr.Vittorio di Cagno - La Habana, julio del 2001; José Julián Martin Pérez ou José Martí (1853 - 1895) foi político, pensador, jornalista, filósofo e poeta cubano.