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quinta-feira, 26 de março de 2015

Félix de Athayde: [Imitação] da Pedra

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que importância
tem uma pedra

que importância
tem um poema

se não se faz pedra

se não se petrifica
se não ar[r]anha ou fere[a]

que importância
tem uma pedra

se não lhe confiro
minha raiva

ao atirá-la

que importância
tem um homem

se não tem raiva

que importância
tem um poema

se não posso pedra — 
atirá-lo contra

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Poesia Viva 1 (vários poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Félix Augusto de Athayde (1932  1995), pernambucano de Olinda, foi jornalista, poeta e ensaísta; iniciou-se no Jornal do Commércio (Recife  PE) e trabalhou na Última Hora, Tribuna da ImprensaCorreio da ManhãO PaísO Estado de São PauloO GloboJornal do Brasil, e colaborou regularmente com o semanário O Pasquim; divulgou seus escritos em jornais, revistas e em antologias literárias; em vida, escreveu e publicou O Bicho Amoroso (poemas eróticos, 1980) e Aloísio Magalhães Interlocução Félix de Athayde (diálogo poético, 1984); postumamente, editou-se Poemas Reunidos (os dois livros anteriores, além de outros poemas, 2002); o poeta, que esteve exilado na década de 60, voltou clandestino ao Brasil, progressivamente retornou à legalidade e retomou suas atividades de jornalista e articulista.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Félix de Athayde: Ah! Mérica

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américa do norte
américa rapina

américa da fome
américa latrina

américa do norte
américa que come

américa de carga
américa que paga

américa do norte
américa do forte

américa de corte
américa da morte

américa do norte
américa do muito

américa do povo
américa do pouco

américa do norte
américa do tudo

américa sugada
américa do nada

américa do norte
américa padrão

américa do pobre
américa sem pão

américa do norte
américa patrão

américa latina
américa do NÃO

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Poesia Viva 1 (vários poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Félix Augusto de Athayde (1932  1995), pernambucano de Olinda, foi jornalista, poeta e ensaísta; iniciou-se no Jornal do Commércio (Recife PE) e trabalhou na Última Hora, Tribuna da ImprensaCorreio da ManhãO PaísO Estado de São PauloO GloboJornal do Brasil, e colaborou regularmente com o semanário O Pasquim; divulgou seus escritos em jornais, revistas e em antologias literárias; em vida, escreveu e publicou O Bicho Amoroso (poemas eróticos, 1980) e Aloísio Magalhães Interlocução Félix de Athayde (diálogo poético, 1984); postumamente, editou-se Poemas Reunidos (os dois livros anteriores, além de outros poemas, 2002); o poeta, que esteve exilado na década de 60, voltou clandestino ao Brasil, progressivamente retornou à legalidade e retomou suas atividades de jornalista e articulista.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Félix Augusto de Athayde: Que Mal Pergunte Poeta

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poeta da boca para fora
boca cheia barriga cheia
da boca cheia de línguas
poeta que está sempre na boca

que língua falas poeta
que semáforos hieróglifos
que dialeto falas poeta
we d'ont speek mug *

(nosso vocabulário
é precário
de camponês operário
fome pão e salário)

que língua falas poeta
com quem falas de que falas
por que falas tanto
tanto tanto e tão pouco

(nosso vocabulário
é primário
vida no crediário
terra do latifundiário)

que línguas falas poeta
que lenga-língua
que palavras ocas
a ouvidos famintos.

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Nota deste atrevido aprendiz de blogueiro:
* We d'ont speek mug, assim está transcrito no livro que se encontra em meu poder. O autor atuou poeticamente e, portanto, intencionalmente? Foi erro de revisão gráfica? A frase parece ser, ou poderia ser, "We don't speak mug". Têm a palavra os estudiosos e/ou conhecedores da poesia athaydeana.
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Poesia Viva 1 (vários poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Félix Augusto de Athayde (1932  1995), pernambucano de Olinda, foi jornalista, poeta e ensaísta; iniciou-se no Jornal do Commércio (Recife  PE) e trabalhou na Última Hora, Tribuna da ImprensaCorreio da ManhãO PaísO Estado de São PauloO GloboJornal do Brasil, e colaborou regularmente com o semanário O Pasquim; divulgou seus escritos em jornais, revistas e em antologias literárias; em vida, escreveu e publicou O Bicho Amoroso (poemas eróticos, 1980)Aloísio Magalhães Interlocução Félix de Athayde (diálogo poético, 1984); postumamente, editou-se Poemas Reunidos (os dois livros anteriores, além de outros poemas, 2002); o poeta, que esteve exilado na década de 60, voltou clandestino ao Brasil, progressivamente retornou à legalidade e retomou suas atividades de jornalista e articulista.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Félix Augusto de Athayde: Nordeste

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ser  tão  sem
sem  ser  tão
tão  sem  ser


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Poesia Viva 1 (vários poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Félix Augusto de Athayde (1932 1995), pernambucano de Olinda, foi jornalista, poeta e ensaísta; iniciou-se no Jornal do  Commércio (Recife PE) e trabalhou na Última Hora, Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, O País, O Estado de São Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, e colaborou regularmente com o semanário O Pasquim; divulgou seus escritos em jornais, revistas e em antologias literárias; em vida, escreveu e publicou O Bicho Amoroso (poemas eróticos, 1980) e Aloísio Magalhães  Interlocução Félix de Athayde (diálogo poético, 1984); postumamente, editou-se Poemas Reunidos (os dois livros anteriores, além de outros poemas, 2002); o poeta, que esteve exilado na década de 60, voltou clandestino ao Brasil, progressivamente retornou à legalidade e retomou suas atividades de jornalista e articulista.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Félix Augusto de Athayde: Crônica Policial Transcendental

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o homem estrangula sua filha de dois anos
apunhala sua mulher que dorme
dá dois tiros no vizinho que acode
toca fogo na casa e resiste
à polícia que o subjuga

na delegacia confessa
 não sei porque fiz isso

o homem toma uma garrafa de cachaça
esculhamba deus e o mundo
quando o dono do bar protesta
ele lhe mete um tiro na testa

na delegacia confessa
 não sei porque fiz isso

o homem vai no ônibus sentado
lendo seu jornal atentamente
subitamente se levanta
saca seu revólver calmamente
e descarrega nos passageiros

na delegacia confessa
 não sei porque fiz isso

à calada da noite
reúnem-se os homens
que sabem
porque aqueles homens fizeram isso
contam os lucros
e chegam à conclusão
que a democracia cristã-ocidental
está forte
e ainda tem muitos anos de vida.

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Poesia Viva 1 (vários poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Félix Augusto de Athayde (1932  1995), pernambucano de Olinda, foi jornalista, poeta e ensaísta; iniciou-se no Jornal do Commércio (Recife  PE) e trabalhou na Última Hora, Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, O País, O Estado de São Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, e colaborou regularmente com o semanário O Pasquim; divulgou seus escritos em jornais, revistas e em antologias literárias; em vida, escreveu e publicou O Bicho Amoroso (poemas eróticos, 1980) e Aloísio Magalhães Interlocução Félix de Athayde (diálogo poético, 1984); postumamente, editou-se Poemas Reunidos (os dois livros anteriores, além de outros poemas, 2002); o poeta, que esteve exilado na década de 60, voltou clandestino ao Brasil, progressivamente retornou à legalidade e retomou suas atividades de jornalista e articulista.