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domingo, 23 de agosto de 2020

Georg Heym: Maldição das cidades

Resultado de imagem para o livro de ouro da poesia alemã (em alemão e português) ediouro
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[traduzido por João Accioli]

Vós sois malditas. Não obstante, vossa ternura floresce
como o fruto escuro de um beijo amargo,
quando a tarde quente chameja sobre vossas torres
abarcando compridos e sinuosos becos.

Quais girassóis murchos vibram então uníssonos
todos os sinos no campanário. E longe,
numa visão de cruzes, crescem em tormentos de ouro
as vigas sinistras de altas forcas.

E como um mar de chamas ergue-se a cidade,
sobre a qual brilha o ocaso como ferro em brasa;
sobre a qual, liso como a cabeça de um boi,
o sol distante os chifres coroados de sangue negro.

Georg Heym – Wikipédia, a enciclopédia livre
Georg Heym

Verfluchung der Städte

Ihr seid verflucht. Doch eure Süsse blüht
Wie eines herben Kusses dunkle Frucht,
Wenn Abend warm um eure Türme sprüht,
Und weit hinab der langen Gassen Flucht.

Dann zittern alle Glocken allzumal
In ihrem Dach, wie Sonnenblumen welk.
Und weit wie Kreuze wächst in goldner Qual
Der hohen Galgen düsteres Gebälk.

Und wie ein Meer von Flammen ragt die Stadt,
Wo noch der West wie rotes Eisen glänzt,
In den die Sonne wie ein Stierhaupt glatt
Die Hörner streckt, von dunkles Blut bekränzt.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso,1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Georg Heym (1887 1912), alemão de Hirschberg, Baixa Silésia (hoje região pertencente à Polônia), estudou no Liceu de Neuruppin, em Brandemburgo, cursou Direito em Würzburg e Berlim, foi escritor e poeta; em 1910, em Berlim, passou a ter contato com o recém fundado Der Neue Club (Novo Clube), um círculo literário que se reunia no Neopathetisches Cabaret e, ali, Georg Heym e outros promissores poetas, compartilhavam do mesmo sentimento rebelde contra a então cultura contemporânea e deixavam aflorar o desejo de agitação política e estética; publicou seu primeiro poema no Herold e, depois, no Demokrat; seus textos registravam a cidade dos miseráveis, doentes e pedintes, dos hospitais abarrotados, das vielas de fome e miséria, das crianças maltratadas e negligenciadas, o expondo como um visionário do terror e do grotesco, e o tornavam próximo a Poe e a Baudelaire; o poeta morreu afogado no rio Havel, ainda jovem; teve um primeiro e único livro editado em vida, Der ewige Tag (O dia eterno, poesia, 1911); George Heym escreveu Der Athener Ausfahrt (drama, 1907), Der Feldzug nach Sizilien (drama, 1907/10) Spartacus (drama, 1908), Versuch einer neuen Religion (ensaio, 1909), Atalanta oder die Angst (drama, 1910), Dissertation über den Freiherrn von Stein (versos escolhidos, 1911), Der Dieb (romance, 1911/13), Über Genie und Staat (ensaio, 1912), Zu den Wahlen (ensaio, 1912), Umbra vitae (1912), Gedichte aus dem Nachlaß (poesia), Tagebücher (diários) ...; editorialmente ignorado por décadas, as companhias passaram a vê-lo e a editá-lo em grande escala, e o poeta foi reabilitado e reconhecido pela intelectualidade e crítica alemãs como o autor de obras primas do nihilismo literário deste século.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Georg Heym: Cabeça empinada, lá vem ele . . .

Resultado de imagem para poesia expressionista alemã estação liberdade
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[traduzido por Claudia Cavalcanti]

Cabeça empinada, lá vem ele por sobre os telhados
Arrastando seus cabelos amarelos,
O feiticeiro quieto, subindo para os aposentos do céu
Pelo sinuoso atalho de flores bem estrelado.

Embaixo, todos os animais na floresta e nas brenhas
Têm as cabeças limpas e penteadas,
Cantando o coral lunar. Mas as crianças,
De camisões brancos, ajoelham-se nas camas.

O mar infinito de minh’alma
Baixa devagar em suave maré.
Sou todo verde por dentro. Vou desaparecendo
Como um balão de vidro.

(1911)

Georg Heym

Spitzköpfig kommt er...

Spitzköpfig kommt er über die Dächer hoch
Und schleppt seine gelben Haare nach,
Der Zauberer, der still in die Himmelszimmer steigt
In vieler Gestirne gewundenem Blumenpfad.

Alle Tiere unten im Wald und Gestrüpp
Liegen mit Häuptern sauber gekämmt,
Singend den Mond-Choral. Aber die Kinder
Knien in den Bettchen in weißem Hemd.

Meiner Seele unendliche See
Ebbet langsam in sanfter Flut.
Ganz grün bin ich innen. Ich schwinde hinaus
Wie ein gläserner Luftballon.

(1911)
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Poesia Expressionista Alemã: uma antologia, Organização e Tradução de Claudia Cavalcanti, edição bilíngue ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São Paulo — SP; Georg Heym (1887 — 1912), alemão de Hirschberg, Baixa Silésia (hoje região pertencente à Polônia), estudou no Liceu de Neuruppin, em Brandemburgo, cursou Direito em Würzburg e Berlim, foi escritor e poeta; em 1910, em Berlim, passou a ter contato com o recém fundado Der Neue Club (Novo Clube), um círculo literário que se reunia no recém fundado Neopathetisches Cabaret e, ali, Georg Heym e outros promissores poetas, compartilhavam do mesmo sentimento rebelde contra a então cultura contemporânea e deixavam aflorar o desejo de agitação política e estética; publicou seu primeiro poema no Herold e, depois, no Demokrat; seus textos registravam a cidade dos miseráveis, doentes e pedintes, dos hospitais abarrotados, das vielas de fome e miséria, das crianças maltratadas e negligenciadas, o expondo como um visionário do terror e do grotesco, e o tornavam próximo a Poe e a Baudelaire; o poeta morreu afogado no rio Havel, ainda jovem; teve um primeiro e único livro editado em vida, Der ewige Tag (O dia eterno, poesia, 1911); George Heym escreveu Der Athener Ausfahrt (drama, 1907), Der Feldzug nach Sizilien (drama, 1907/10) Spartacus (drama, 1908), Versuch einer neuen Religion (ensaio, 1909), Atalanta oder die Angst (drama, 1910), Dissertation über den Freiherrn von Stein (versos escolhidos, 1911), Der Dieb (romance, 1911/13), Über Genie und Staat (ensaio, 1912), Zu den Wahlen (ensaio, 1912), Umbra vitae (1912), Gedichte aus dem Nachlaß (poesia) Tagebücher (diários)...; editorialmente ignorado por décadas, as companhias passaram a vê-lo e a editá-lo em grande escala, e o poeta foi reabilitado e reconhecido pela intelectualidade e crítica alemãs como o autor de obras primas do nihilismo literário deste século.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Georg Heym: Semi-sono

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[traduzido por Claudia Cavalcanti]

Qual uma roupa sussurra a escuridão,
Na beira do céu as árvores cambaleiam.

Salva-te no coração da noite
Enterra-te no escuro rapidamente
Como em favos. Sê um pequeno ente,
Desce da tua cama.

Algo quer atravessar as pontes,
Raspando um rastro pesado.
De susto, as estrelas estão brancas.

E a lua com suas ancas
Ginga no céu riscado
Com as costas qual dois montes.

(1911)

Georg Heym

Halber Schlaf

Die Finsternis raschelt wie ein Gewand,
Die Bäume torkeln am Himmelsrand.

Rette dich in das Herz der Nacht,
Grabe dich schnell in das Dunkele ein,
Wie in Waben. Mache dich klein,
Steige aus deinem Bette.

Etwas will über die Brücken,
Es scharret mit Hufen krumm,
Die Sterne erschraken so weiß.

Und der Mond wie ein Greis
Watschelt oben herum
Mit dem höckrigen Rücken.

(1911)
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Poesia Expressionista Alemã: uma antologia, Organização e Tradução de Claudia Cavalcanti, edição bilíngue ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São Paulo  SP; Georg Heym (1887  1912), alemão de Hirschberg,  Baixa Silésia (hoje região pertencente à Polônia), estudou no Liceu de Neuruppin, em Brandemburgo, cursou Direito em Würzburg e Berlim, foi escritor e poeta; em 1910, em Berlim, passou a ter contato com o recém fundado Der Neue Club (Novo Clube), um círculo literário que se reunia no Neopathetisches Cabaret e, ali, Georg Heym e outros promissores poetas, compartilhavam do mesmo sentimento rebelde contra a então cultura contemporânea e deixavam aflorar o desejo de agitação política e estética; publicou seu primeiro poema no Herold e, depois, no Demokrat; seus textos registravam a cidade dos miseráveis, doentes e pedintes, dos hospitais abarrotados, das vielas de fome e miséria, das crianças maltratadas e negligenciadas, o expondo como um visionário do terror e do grotesco, e o tornavam próximo a Poe e a Baudelaire; o poeta morreu afogado no rio Havel, ainda jovem; teve um primeiro e único livro editado em vida, Der ewige Tag (O dia eterno, poesia, 1911); George Heym escreveu Der Athener Ausfahrt (drama, 1907), Der Feldzug nach Sizilien (drama, 1907/10) Spartacus (drama, 1908), Versuch einer neuen Religion (ensaio, 1909), Atalanta oder die Angst (drama, 1910), Dissertation über den Freiherrn von Stein (versos escolhidos, 1911), Der Dieb (romance, 1911/13), Über Genie und Staat (ensaio, 1912), Zu den Wahlen (ensaio, 1912), Umbra vitae (1912), Gedichte aus dem Nachlaß (poesia) Tagebücher (diários)...; editorialmente ignorado por décadas, as companhias passaram a vê-lo e a editá-lo em grande escala, e o poeta foi reabilitado e reconhecido pela intelectualidade e crítica alemãs como o autor de obras primas do nihilismo literário deste século.