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sábado, 16 de maio de 2026

Teixeira de Pascoaes: Uma ave e o poeta

 
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I

Sobre aquele pinheiro aureolado,
De inerte e vegetal melancolia,
Um passarinho, alegre e alvoroçado,
Cantou, cantou, durante todo o dia...

Fiquei-me a ouvi-lo mudo e extasiado...
Mas, por fim, perguntei-lhe: Que alegria,
Se fez, em ti, ó corpo acostumado
À cruz das tuas asas de agonia?

Que descobriste, além, no céu profundo?
Ou que milagre aconteceu no mundo?
Grande coisa decerto adivinhaste...

A aurora revelou-te o seu mistério?
E divina canção de amor etéreo,
À luz, sombra de Deus, alevantaste?

II

E a avezinha serena e confiada,
Num olhar de ternura me envolveu;
E, em sua doce voz iluminada
E tão cheia de graça, respondeu:

Meu canto é luz do sol em mim filtrada;
Vou a cantar... e canta a luz do céu.
E das aves da noite a voz cerrada
É penumbra que nelas se embebeu.

Sonho a perfeita e mística alegria!
Desejo ser a alma da harmonia,
Que toda a terra e todo o espaço inflama!

Quero ser o Infinito e a Eternidade;
Não ser a estrela e ser a claridade;
Ser apenas o Amor, não ser quem ama.

(As Sombras — 1907)

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A Poesia de Teixeira de Pascoaes — Ensaio e Antologia, de Jacinto do Prado Coelho, 1945, Atlantida Livraria Editora Ltda., Coimbra — Portugal; Teixeira de Pascoaes, pseudônimo de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos (1877 1952), português de Amarante, formado em Direito pela Faculdade de Coimbra exerceu os ofícios de advogado e juiz por breve período , foi poeta e escritor; estreou na literatura publicando Embriões em 1895, tendo sido consagrado com o lançamento de Sempre em 1898, obra “que simboliza o encontro do poeta consigo mesmo”; Pascoaes, considerado um “poeta-filósofo”, foi cultor e iniciador do então denominado “movimento saudosista” nas artes literárias lusitanas; em 1911, no Porto, ajudou a fundar o grupo Renascença Portuguesa, o qual tinha como objetivo lutar pela elevação cultural da república portuguesa; fundou a revista Águia, órgão do grupo Renascença, e a dirigiu até 1917; suas obras: em poesia: Embriões (1895), Belo, 1ª parte (1896), Belo, 2ª parte (1897), À Minha Alma e Sempre (ambos em 1898), Terra Proibida (1900), Jesus e Pã (1903), Vida Eterna (1906), As Sombras (1907), Senhora da Noite (1909), Marãnos (1911), Regresso ao Paraíso (1912), Verbo Escuro (1914), Elegia da Solidão (1920), Cantos Indecisos (1921), O Pobre Tolo (1924), Últimos Versos (publicação póstuma, 1953) e outros; em prosa: O Espírito Lusitano e o Saudosismo (1912), O Génio Português na sua Expressão Filosófica, Poética e Religiosa (1913), A Arte de Ser Português (1915), À Beira Num Relâmpago (1916), Os Poetas Lusíadas (conferências, 1919), O Bailado (1921), A Nossa Fome (1923), Livro de Memórias (autobiografia, 1928), O Homem Universal (1937) ...; biografias romanceadas: Napoleão (1940), O penitente Camilo Castelo Branco (1942), Santo Agostinho (1945) etc.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Teixeira de Pascoaes: A Sombra Humana

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Quando passeio, ao longo dos caminhos,
Batem asas de medo os passarinhos,
Escondem-se os reptis, no tojo em flor.
Meu ser espalha um trágico pavor
Nas pobres criaturas
Que, neste mundo, vivem, às escuras!

Avezinha fugindo ao ruído dos meus passos,
Se o que eu sinto por ti, acaso, pressentisses,
Tu virias fazer o ninho nos meus braços...
Virias ter comigo, ó pedra, se me ouvisses!

(Vida Eterna)

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A Poesia de Teixeira de Pascoaes — Ensaio e Antologia, de Jacinto do Prado Coelho, 1945, Atlantida Livraria Editora Ltda., Lisboa — Portugal; Teixeira de Pascoaes, pseudônimo de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos (1877 1952), nascido em Amarante Portugal, formado em Direito pela Faculdade de Coimbra exerceu os ofícios de advogado e juiz por breve período , foi poeta e escritor; em 1911, no Porto, ajudou a fundar o grupo Renascença Portuguesa, o qual tinha como objetivo lutar pela elevação cultural da república portuguesa; fundou a revista Águia, órgão do grupo Renascença, e a dirigiu até 1917; escreveu e publicou: em poesia, Embriões (1895), Belo, 1ª parte (1896), Belo, 2ª parte (1897), À Minha Alma e Sempre (1898), Jesus e Pã (1903), Vida Eterna (1906) As Sombras (1907), Senhora da Noite (1909), Marãnos (1911), Regresso ao Paraíso (1912), Verbo Escuro (1914), Elegia da Solidão (1920), Cantos Indecisos (1921), O Pobre Tolo (1924), Últimos Versos (publicação póstuma, 1953) e outros; em prosa: A Arte de Ser Português (1915), À Beira Num Relâmpago (1916), Os Poetas Lusíadas (conferências, 1919), O Bailado (1921), A Nossa Fome (1923), Livro de Memórias (autobiografia, 1928), O Homem Universal (1937), Napoleão (biografia romanceada, 1940), Camilo Castelo Branco (biografia romanceada, 1942), além de outros escritos e conferências.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Teixeira de Pascoaes: Uma Ave e o Poeta

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I

Sobre aquele pinheiro aureolado
De inerte e vegetal melancolia,
Um passarinho alegre e alvoroçado,
Cantou, cantou, durante todo o dia...

Estive a ouvi-lo, mudo e extasiado...
Mas, por fim, perguntei-lhe: Que alegria,
Se fez, em ti, ó corpo acostumado
À cruz das tuas asas de agonia?

Que descobriste, além, no céu profundo?
Ou que milagre aconteceu no mundo?
Grande cousa de certo adivinhaste...

A aurora revelou-te o seu mistério?
E divina canção de amor etéreo,
À luz, sombra de Deus, alevantaste?


II

E a avezinha serena e confiada,
Num olhar de ternura me envolveu;
E, em sua doce voz iluminada
E tão cheia de graça, respondeu:

Meu canto é luz do sol em mim filtrada;
Vou a cantar... e canta a luz do céu.
E das aves da noite a voz cerrada,
É penumbra que nelas se embebeu.

Sonho a perfeita e mística alegria!
Desejo ser a alma da harmonia,
Que toda a terra e todo o espaço inflama!

Quero ser o Infinito e a Eternidade;
Não ser a estrela e ser a claridade;
Ser apenas o Amor, não ser quem ama.

(As Sombras)

Resultado de imagem para teixeira de pascoaes
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A Poesia de Teixeira de Pascoaes — Ensaio e Antologia, de Jacinto do Prado Coelho, 1945, Atlantida Livraria Editora Ltda., Lisboa Portugal; Teixeira de Pascoaes, pseudônimo de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos (1877 1952), nascido em Amarante Portugal, formado em Direito pela Faculdade de Coimbra exerceu os ofícios de advogado e juiz por breve período , foi poeta e escritor; em 1911, no Porto, ajudou a fundar o grupo Renascença Portuguesa, o qual tinha como objetivo lutar pela elevação cultural da república portuguesa; fundou a revista Águia, órgão do grupo Renascença, e a dirigiu até 1917; escreveu e publicou: em poesia, Embriões (1895), Belo, 1ª parte (1896), Belo, 2ª parte (1897), À Minha Alma e Sempre (1898), Jesus e Pã (1903), Vida Eterna (1906), As Sombras (1907), Senhora da Noite (1909), Marãnos (1911), Regresso ao Paraíso (1912), Verbo Escuro (1914), Elegia da Solidão (1920), Cantos Indecisos (1921), O Pobre Tolo (1924), Últimos Versos (publicação póstuma, 1953) e outros; em prosa: A Arte de Ser Português (1915), À Beira Num Relâmpago (1916), Os Poetas Lusíadas (conferências, 1919), O Bailado (1921), A Nossa Fome (1923), Livro de Memórias (autobiografia, 1928), O Homem Universal (1937), Napoleão (biografia romanceada, 1940), Camilo Castelo Branco (biografia romanceada, 1942), além de outros escritos e conferências.

domingo, 29 de junho de 2014

Teixeira de Pascoaes: A um Homem

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Tu que desceste enfim à negra vala,
Sem que ouvisses um grito ou um lamento,
A grande voz do mar que nos embala,
A voz dos pinheirais e a voz do vento...

Tu que não viste a luz do Firmamento
E nem soubeste, em êxtase, adorá-la;
Tu que nunca tiveste o sentimento
Do aroma triste que uma flor exala!...

Tu que não choras, vendo uma flor morta
Ou um pobre que bate à tua porta,
No redentor suspiro derradeiro,

Nunca foste, meu triste semelhante
Nem por acaso, apenas por um instante,
Durante a vida, um homem verdadeiro...

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Teixeira de Pascoaes — Poesia, Coleção Nossos Clássicos, Volume 80, seleção e organização de Jorge de Sena, segunda edição revista, 1970, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; Teixeira de Pascoaes, pseudônimo de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos (1877 1952), nascido em Amarante Portugal, formado em Direito pela Faculdade de Coimbra exerceu os ofícios de advogado e juiz por breve período , foi poeta e escritor; em 1911, no Porto, ajudou a fundar o grupo Renascença Portuguesa, o qual tinha como objetivo lutar pela elevação cultural da república portuguesa; fundou a revista Águia, órgão do grupo Renascença, e a dirigiu até 1917; escreveu e publicou: em poesia, Embriões (1895), Belo, 1ª parte (1896), Belo, 2ª parte (1897), À Minha Alma e Sempre (1898), Jesus e Pã (1903), Vida Eterna (1906), As Sombras (1907), Senhora da Noite (1909), Marãnos (1911), Regresso ao Paraíso (1912), Verbo Escuro (1914), Elegia da Solidão (1920), Cantos Indecisos (1921), O Pobre Tolo (1924),Últimos Versos (publicação póstuma, 1953) e outros; em prosa: A Arte de Ser Português (1915), À Beira Num Relâmpago (1916), Os Poetas Lusíadas (conferências, 1919), O Bailado (1921), A Nossa Fome (1923), Livro de Memórias (autobiografia, 1928), O Homem Universal (1937), Napoleão (biografia romanceada, 1940), Camilo Castelo Branco (biografia romanceada, 1942), além de outros escritos e conferências.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Teixeira de Pascoaes: Paraísos

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Temos dois paraísos: o da infância
E o da velhice;
O da flor e o do fruto,
O da loucura e o da razão.
O Jardim e o Pomar,
A Primavera, Deusa helênica,
O Outono, Deus da Ibéria.
O resto é Inverno até à Groenlândia
E Verão até ao Cabo.

Últimos Versos  1953

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Teixeira de Pascoaes — Poesia, Coleção Nossos Clássicos, Volume 80, seleção e organização de Jorge de Sena, segunda edição revista, 1970, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; Teixeira de Pascoaes, pseudônimo de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos (1877  1952), nascido em Amarante  Portugal, formado em Direito pela Faculdade de Coimbra exerceu os ofícios de advogado e juiz por breve período , foi poeta e escritor; em 1911, no Porto, ajudou a fundar o grupo Renascença Portuguesa, o qual tinha como objetivo lutar pela elevação cultural da república portuguesa; fundou a revista Águia, órgão do grupo Renascença, e a dirigiu até 1917; escreveu e publicou: em poesia, Embriões (1895), Belo, 1ª parte (1896), Belo, 2ª parte (1897), À Minha Alma e Sempre (1898), Jesus e Pã (1903), Vida Eterna (1906), As Sombras (1907), Senhora da Noite (1909), Marãnos (1911), Regresso ao Paraíso (1912), Verbo Escuro (1914), Elegia da Solidão (1920), Cantos Indecisos (1921), O Pobre Tolo (1924), Últimos Versos (publicação póstuma, 1953) e outros; em prosa: A Arte de Ser Português (1915), À Beira Num Relâmpago (1916), Os Poetas Lusíadas (conferências, 1919), O Bailado (1921), A Nossa Fome (1923), Livro de Memórias (autobiografia, 1928), O Homem Universal (1937), Napoleão (biografia romanceada, 1940), Camilo Castelo Branco (biografia romanceada, 1942), além de outros escritos e conferências.