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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Gaspara Stampa: Soneto de Amor

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[traduzido por Ivo Barroso]

Se quereis conhecer o meu senhor,
Suponde alguém de vago e doce aspecto,
Jovem na idade e velho no intelecto,
A imagem do triunfo e do valor;

Claro o cabelo e a tez de viva cor,
De boa altura e de garboso peito,
Em tudo quanto faz um ser perfeito,
Só que um pouco (ai de mim!) cruel no amor.

E se quiseres conhecer meu porte,
Vede alguém que nos gestos e semblante
É a imagem dos martírios e da morte;

Fortaleza da fé, pura e constante,
Alguém que embora sofra, arda e suporte,
Não faz piedoso ao seu cruel amante.

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Sonetto d’Amore

Chi vuol conoscer, donne, il mio signore,
Miri un signor di vago e dolce aspetto,
Giovane d'anni e vecchio d'intelletto,
Imagin de la gloria e del valore:

Di pelo biondo, e di vivo colore,
Di persona alta e spazioso petto,
E finalmente in ogni cosa perfetto,
Fuor ch'un poco (oimè lassa!) empio in amore.

E chi vuol poi conoscer me, rimiri
Una donna in effetti ed in sembiante
Imagin de la morte e de’ martìri,

Un albergo di fé salda e costante,
Una, che, perché pianga, arda e sospiri,
Non fa pietoso il suo crudel amante.

Rime”, Biblioteca Universale Rizzoli,
Milano  1954, Vol. 687-88  pág. 15
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O Torso e o Gato — O Melhor da Poesia Universal, Tradução e Organização de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss, 1991, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Gaspara Stampa (1523? 1554), nascida em Pádua —  Itália, de família de origem milanesa e condição burguesa, foi poetisa; Educou-se e viveu em Veneza; bibliografia: Rimas de madonna Gaspara Stampa (publicado postumamente por sua irmã Cassandra, 1554); Gaspara era culta em literatura, arte e música.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Gaspara Stampa: Estou por esperar . . . [soneto]

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[traduzido por Marigê Quirino Marchini]

Estou por esperar tão fatigada,
vencida pela dor, da dor cativa,
pela sua pouca fé tão olvidada
por quem de seu tornar triste me priva.

Essa morte que o mundo empalidece
com a sua foice por último castigo,
chamo sempre, por refrigério, em prece,
no ardentíssimo anseio em que perigo.

E a morte não escuta o meu chamar,
e escarnece das loucas fantasias,
também rebelde o amado ao retornar.

Assim, com pranto meu, águas salinas,
faço as ondas piedosas e este mar,
e ele vive feliz em suas colinas.

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Io son da l’aspettar . . .

Io son da l'aspettar1 omai sì stanca,
sì vinta dal dolor e dal disio,
per la sì poca fede2 e molto oblio
di chi del suo tornar, lassa, mi manca3,

che lei4, che 'l mondo impalidisce e imbianca5
con la sua falce e dà l'ultimo fio6,
chiamo talor per refrigerio mio,
sì 'l dolor nel mio petto si rinfranca7.

Ed ella si fa sorda al mio chiamare,
schernendo i miei pensier fallaci e folli,
come sta sordo8 anch'egli al suo tornare.

Così col pianto, ond'ho gli occhi miei molli9,
fo pietose quest'onde e questo mare;
ed ei10 si vive lieto ne’ suoi colli.


Notas da edição:
1. a causa dell’attesa.
2. per le prove si scarsa fedeltà.
3. mi priva.
4. colei, cioè morte.
5. fa impallidire (di paura).
6. a ciascuno assegna la sua sorte.
7. s’accresce.
8. restio.
9. umidi.
10. È sempre l’uomo amato.
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Revista do Clube de Poesia de São Paulo  Ano XXV, São Paulo —  dezembro de 2001  nº 12 (vários autores), Diretor: Milton de Godoy Campos, Clube de Poesia, São Paulo  SP; Gaspara Stampa (1523? —  1554), nascida em Pádua  Itália, de família de origem milanesa e condição burguesa, foi poetisa; Educou-se e viveu em Veneza; bibliografia: Rimas de madonna Gaspara Stampa (publicado postumamente por sua irmã Cassandra, 1554); Gaspara era culta em literatura, arte e música.