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[traduzido por Ivo Barroso]
Se quereis conhecer o meu
senhor,
Suponde alguém de vago e doce aspecto,
Jovem na idade e velho no intelecto,
A imagem do triunfo e do valor;
Claro o cabelo e a tez de viva
cor,
De boa altura e de garboso peito,
Em tudo quanto faz um ser perfeito,
Só que um pouco (ai de mim!) cruel no amor.
E se quiseres conhecer meu
porte,
Vede alguém que nos gestos e semblante
É a imagem dos martírios e da morte;
Fortaleza da fé, pura e
constante,
Alguém que embora sofra, arda e suporte,
Não faz piedoso ao seu cruel amante.
Sonetto
d’Amore
Chi vuol conoscer, donne, il
mio signore,
Miri un signor di vago e dolce aspetto,
Giovane d'anni e vecchio d'intelletto,
Imagin de la gloria e del valore:
Di pelo biondo, e di vivo
colore,
Di persona alta e spazioso petto,
E finalmente in ogni cosa perfetto,
Fuor ch'un poco (oimè lassa!) empio in amore.
E chi vuol poi conoscer me,
rimiri
Una donna in effetti ed in sembiante
Imagin de la morte e de’ martìri,
Un albergo di fé salda e
costante,
Una, che, perché pianga, arda e sospiri,
Non fa pietoso il suo crudel amante.
“Rime”, Biblioteca Universale
Rizzoli,
Milano — 1954, Vol. 687-88 — pág. 15
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O Torso e o Gato — O Melhor da
Poesia Universal, Tradução e Organização de Ivo Barroso, Prefácio de
Antônio Houaiss, 1991, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Gaspara Stampa
(1523? — 1554), nascida em Pádua — Itália, de família de origem milanesa e condição burguesa, foi poetisa; Educou-se
e viveu em Veneza; bibliografia: Rimas de madonna Gaspara Stampa (publicado
postumamente por sua irmã Cassandra, 1554); Gaspara era culta em literatura,
arte e música.

