Mostrando postagens com marcador Hilda Doolittle. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hilda Doolittle. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Hilda Doolittle: Calor

____________________
[traduzido por Jorge Wanderley]

Ó vento, rasga o calor,
secciona o calor,
rasga-o em farrapos.

Os frutos não podem cair
por este ar espesso...
não podem cair no calor
que se opõe e dá forma romba
às pontas das peras
e arredonda as uvas.

Corta o calor...
fende-o,
transforma-o nos dois lados
da tua estrada.

H. D. (Hilda Doolittle)

Heat

O wind, rend open the heat,
cut apart the heat,
rend it to tatters.

Fruit cannot drop
through this thick air —
fruit cannot fall into heat
that presses up and blunts
the point of pears
and rounds the grapes.

Cut the heat —
plough through it,
turning it on either side
of you path.
____________________
Antologia da Nova Poesia Norte-Americana — Seleção, Tradução e Notas de Jorge Wanderley, edição bilíngue, 1992, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Hilda Doolittle ou H. D. (1886 — 1961), como ficou conhecida nos meios literários, estadunidense de Bethlehem, Pensilvânia, matriculou-se no Bryn Mawr College e logo abandonou os estudos, foi poeta e escritora; suas obras: Sea Garden (1916), Translations (1920), Hymen (1921), Heliodora and Other Poems (1924), Collected Poems of H.D. (obras publicadas anteriormente e várias traduções do grego, 1925), Palimpsest (1926), Kora and Ka (1930), Red Roses for Bronze (1932), Tribute to Freud (1956) e outros títulos em verso e prosa; em 1921, em Londres, H.D. selecionou e organizou poemas de Marianne Moore, coletados de jornais e revistas, e publicou o volume Poems, primeiro livro editado de Marianne, sem que houvesse conhecimento da autora.