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[traduzido por Márcio Suzuki]
[62] Imprimir está para o
pensar, assim como a recuperação após parto está para o primeiro beijo.
[66] Quando não tem mais nada
que responder ao crítico, o autor gosta de lhe dizer: Você não pode fazer
melhor. Isso é o mesmo que se um filósofo dogmático quisesse censurar o cético
por este não poder inventar um sistema.
[70] Onde um promotor público
deve entrar em cena, já tem de estar presente um juiz público.
[72] Panoramas do todo, como
agora estão em moda, surgem quando alguém passa por alto* cada particularidade
e depois faz a soma.
[80] O historiador é um profeta
voltado para o passado.
[92] Enquanto os filósofos não
se tornarem gramáticos ou os gramáticos filósofos, a gramática não será o que
foi entre os antigos, uma ciência pragmática e uma parte da lógica, nem se tornará
uma ciência em geral.
[97] Como estado passageiro, o
ceticismo é insurreição lógica; como sistema, é anarquia. Portanto, método
cético seria algo mais ou menos como um governo insurgente.
[Fragmentos Athenäum]
[62] Das Druckenlassen verhält
sich zum Denken, wie eine Wochenstube zum ersten Kuß.
[66] Wenn der Autor dem
Kritiker gar nichts mehr zu antworten weiß, so sagt er ihm gern: Du kannst es
doch nicht besser machen. Das ist eben, als wenn ein dogmatischer Philosoph dem
Skeptiker vorwerfen wollte, daß er kein System erfinden könne.
[70] Wo ein öffentlicher
Ankläger auftreten soll, muß schon ein öffentlicher Richter vorhanden sein.
[72] Übersichten des Ganzen,
wie sie jetzt Mode sind, entstehen, wenn einer alles einzelne übersieht, und
dann summiert.
[80] Der Historiker ist ein
rückwärts gekehrter Prophet.
[92] Ehe nicht die Philosophen
Grammatiker, oder die Grammatiker Philosophen werden, wird die Grammatik nicht,
was sie bei den Alten war, eine pragmatische Wissenschaft und ein Teil der
Logik, noch überhaupt eine Wissenschaft werden.
[97] Als vorübergehender
Zustand ist der Skeptizismus logische Insurrektion; als System ist er Anarchie.
Skeptische Methode wäre also ungefähr wie insurgente Regierung.
[Athenäums-Fragmente]
* Nota do tradutor Márcio Suzuki: Jogo de palavras entre Übersicht
(panorama, visão geral, sinóptica) e übersehen (ver por alto, não ver, não
reparar).
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Schlegel — O dialeto dos
fragmentos, Tradução, Apresentação e Notas de Márcio Suzuki, com Rubens
Rodrigues Torres Filho na Apresentação da Biblioteca Pólen, 1997, Biblioteca
Pólen / Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Karl Wilhelm Friedrich von Schlegel
(1772 — 1829), alemão de Hannover, estudou em Göttingen e Leipzig, foi
filósofo, filólogo, professor, escritor, crítico literário e de arte,
historiador, tradutor e um dos iniciadores do Romantismo alemão; editou
periódicos sobre arte (Europa e Deutsches Museum) e o jornal Concórdia; Em
1798, em Jena, os irmãos Schlegel (August e Friedrich) criaram a revista
estético-crítica Athenaeum, considerada a publicação fundadora do Romantismo
alemão e através da qual se deu a divulgação de textos dos próprios irmãos Schlegel,
de Novalis, de Schleiermacher e de outros impulsionadores do movimento que se
iniciava; obras: Über die Diotima (1795), Kritische Fragmente (“Lyceums”
Fragmente, 1797), Lucinde (romance, 1799), Gespräch über die Poesie (1800),
Alarkos (peça romântica, 1802), Über die Sprache und Weisheit der Indier (1808)
Geschichte der alten und neueren Literatur. Vorlesungen (História da literatura
antiga e moderna. Palestras, 1815) e outros títulos.

