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sábado, 18 de outubro de 2025

Benjamin Péret: Estão batendo

 
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[traduzido por Sérgio Lima e Pierre Clemens]

Um pulo de pulga como um carrinho de mão dançando nos joelhos das
    pedras do calçamento
uma pulga que se derrete numa escada onde eu viveria
    contigo
e o sol igual a uma garrafa de vinho tinto
se fez negro
negro escravo fustigado
Mas te amo como a concha ama a sua areia
de onde alguém a desalojará quando o sol tiver a forma de um
    feijão
que começará a germinar como uma pedra mostrando o coração sob a
    chuvarada
ou de uma lata de sardinhas entreaberta
ou de um barco a vela cuja bujarrona está rasgada

Eu queria ser a projeção pulverizada do sol no adereço de trepadeira
    dos teus braços
aquele pequenino inseto que te fez cócegas quando te
     conheci
Não
este efêmero irisado de açúcar não se parece comigo nem um pouco e
    muito menos o visgo com o carvalho
que tem apenas uma coroa de ramos veres onde se aloja um casal de
    pintarroxos
Eu queria ser
pois sem ti sou apenas interstício entre as pedras do calçamento das
    próximas barricadas
Sinto tanto teus seios no meu peito
que aí se imprimem duas crateras fumegantes como uma rena numa
    caverna
para te receber como a armadura recebe a mulher nua aguardada do fundo de sua ferrugem
liquefazendo-se como as vidraças de uma casa em
    chamas
como um castelo numa grande chaminé
igual a um navio derivante
sem âncora nem timão
tudo para uma ilha onde árvores azuis fazem pensar em teu
    umbigo
uma ilha onde eu queria dormir contigo

Benjamin Péret

On sonne

Un saut de puce comme une brouette dansant sur les genoux des
    pavês
une puce qui fond dans un escalier où je vivrais avec
    toi
et le soleil pareil à une bouteille de vin rouge
s’est fait nègre
esclave nègre fustigé
Mais je t’aime comme le coquillage aime son sable
où quelqu’un le dénichera quand le soleil aura la forme d’un
    haricot
qui commencera à germer comme un caillou montrant son cœur sous
    l’averse
ou d’une boîte de sardines entr’ouverte
ou d’un bateau à voiles dont le foc est déchiré

Je voudrais être la projection pulvérisée du soleil sur la parure de
    lierre de tes bras
ce petit insecte qui t’a chatouillée quand je t’ai
    connue
Non
cet éphémère de sucre irisé ne me ressemble pas plus que le gui au
    chêne
qui n’a plus qu’une couronne de branches vertes où loge un couple de
    rouges-gorges
Je voudrais être
car sans toi je suis à peine l’interstice entre les pavés des prochaines
    barricades
J’ai tellement tes seins dans ma poitrine
que deux cratères fumants s’y dessinent comme un renne dans une
    caverne
pour te recevoir comme l’armure reçoit la femme nue attendue du fond de sa rouille
en se liquéfiant comme les vitres d’une maison qui
    brûle
comme un château dans une grande cheminée
pareille à un navire en dérive
sans ancre ni gouvernail
vers une île plantée d’arbres bleus qui font songer à ton
    nombril
une île où je voudrais dormir avec toi
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Amor sublime — Poesias [bilíngue] e Ensaio: Benjamin Péret, Organização e Apresentação de Jean Puyade, Pequeno texto “à guisa de Introdução”, por André Breton [nota transcrita de Anthologie de l’humour noir], + texto “O terceiro encontro”, por Guy Prévant, Tradução de Sérgio Lima e Pierre Clemens, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Victor Maurice Paul Benjamin Péret (1899 1959), francês de Rezé, uma criança resistente à forte sujeição escolar, entre 1912 e 1913 frequentou a Arts et métiers (École Livet), teve ‘breve passagem por uma escola de desenho industrial” e, sem demonstrar interesse nos estudos, abandonou-os, foi importante poeta do movimento surrealista francês e militante trotskista; entre 1914 e 1918, alistou-se, foi designado para atuar na guerra e, num deslocamento do seu regimento, em uma estação entre dois trens encontrou em um banco “um exemplar abandonado da revista Sic contendo poemas de Apollinaire”, permaneceu na guerra até o fim e filiou-se ao Movimento Dada; desde então passou a tomar contato e participar do convívio dos dadaístas e, logo após, dos surrealistas; de sua biografia, consta que em novembro de 1918 teve publicado seu primeiro poema, Crépuscule, em La Tramontane — revue de l’Association des Jeunes; foi em 1924 que Péret, “ao lado de seus companheiros franceses”, fundou o Movimento Surrealista; entre 1924 e 1929, colaborou no Petit Parisien, foi coeditor da revista La Révolution surréaliste; Benjamin Péret, casado com a cantora lírica Elsie Houston, brasileira, residiu no Rio de Janeiro em duas ocasiões: entre 1929 1931 e 1955 1956, aqui, atuando ao lado dos artistas plásticos e militantes trotskistas Mario Pedrosa, Lívio Xavier e Aristides Lobo, foi um dos cofundadores da Liga Comunista (Oposição de Esquerda), de orientação trotskista; em sua primeira estada no Brasil, o poeta foi preso “acusado de ser um agente comunista” e deportado para a França; Perét participou na primeira guerra e na guerra civil espanhola; com a França ocupada pelos nazistas, na segunda guerra, o poeta viveu no México entre 1942 e 1947; suas obras: publicou cerca de 20 livros, entre os quais Le Passager du transatlantique (1921), 152 Proverbes mis au goût du jour (com Paul Éluard, 1925), Le Grand Jeu (1928), Ne visitez pas l’exposition coloniale (1931), De derrière les fagots (1934), Je sublime (16 poemas, 1936), Je ne mange pas de ce pain-là (1936), Dernier malheur dernière chance (1945), Un point c’est tout (11 poemas, 1946), Les syndicats contre la révolution (1952), Le Livre de Chilam Balam de Chumayel (1955), Anthologie de l’amour sublime (1956) ...

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Benjamin Péret: Eu

 
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[traduzido por Sérgio Lima e Pierre Clemens]

Entre os desejos simples como uma alface que se ergue acima das
     grandes árvores
o amanhã afogado no cimento escarrado pelos padeiros que não têm pelos no queixo como um pitu não tem
     cofrezinho
entre todas essas uvas que me lembram um mendigo na porta de um
     palacete
dois olhos de pedra azulada pelo último quarto
     minguante
comem lentamente os cogumelos que crescem
     sossegadamente
no interior do pequeno mapa-múndi
animado pelo álcool de tua voz onde dançam os ludiões
Que um leve sol de uva-espim se ergua através da grande roda dos
     teus cílios
que só sabe moer o café
que eu queria beber como um funil quero dizer como um
     marzipã
maior que tua imagem no armário onde tento
     dormir
mas que se perde no cemitério de assombrações
como uma lata de leite condensado num forno de cal e ceifo as pedras do calçamento mais claras que um vôo de
     libélulas*
atravessando uma nuvem de bandeiras negras desbotadas como um pepino em conserva desde a morte de meu
     avô
basta um reflexo aparecer num copo de vinho bordeaux na paisagem onde me procuro como um cão correndo atrás da
     cauda
e as brigadas centrais de aparelhos de rádio
que de ordinário só sabem rosnar como
     enterros
cantarolarão nas minhas orelhas abertas como uma concha que vai-se
     rebentar
Rosa está aí

Benjamin Perét

Je

Parmi les désirs simples comme une salade qui se dresse au-dessus des
     grands arbres
demain noyé dans le ciment craché par les boulangers qui n’ont pas plus de poils au menton qu’une écrevisse n’a de
     tirelire
parmi tous ces raisins qui me rappellent un mendiant à la porte d’un
     hôtel particulier
deux yeux de pierre bleuie par le dernier
     quartier
mangent lentement les champignons qui croissent
     paisiblement
à l’intérieur de la petite mappemonde
animée par l’alcool de ta voix où dansent des ludions
Qu’un léger soleil d’épine-vinette se lève à travers la grande roue de tes
     cils
qui ne sait plus que moudre le café
que je voudrais boire comme un entonnoir je veux dire un
     massepain
plus grand que ton image dans le placard où j’essaie de
     dormir
mais qui se perd dans le cimetière aux fantômes
comme une boîte de lait condensé dans un four à chaux
et je moissonne les pavés plus clairs qu’un vol de
     demoiselles
traversant une nuée de drapeau grecs délavés
comme un cornichon conservé depuis la mort de mon
     grand-père
qu’un reflet apparaisse dans un verre de bordeaux dans le paysage où je me cherche comme un chien qui court après sa
     queue
et les brigades centrales d’appareils de T. S. F.
qui d’ordinaire ne savent que grogner comme des
     enterrements
fredonneront à mes oreilles ouvertes comme un coquillage qui va
     crever
Rosa est là

(Je sublime — 1936)
[Oeuvres completes, tome 2: Benjamin Péret — 1971]

* Nota dos tradutores Sérgio Lima e Pierre Clemens: Demoiselle: palavra plurissemântica podendo significar, no contexto, o inseto, a donzela ou senhorita, o aparelho para colocar pedras ou placas no calçamento. A palavra também é usada como denominação genérica para aviões e planadores, a partir da nomenclatura estabelecida por Santos Dumont.
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Amor sublime — Poesias [bilíngue] e Ensaio: Benjamin Péret, Organização e Apresentação de Jean Puyade, Pequeno texto “à guisa de Introdução”, por André Breton [nota transcrita de Anthologie de l’humour noir], Tradução de Sérgio Lima e Pierre Clemens, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Victor Maurice Paul Benjamin Péret (1899 1959), francês de Rezé, uma criança resistente à forte sujeição escolar, entre 1912 e 1913 frequentou a Arts et métiers (École Livet), teve ‘breve passagem por uma escola de desenho industrial” e, sem demonstrar interesse nos estudos, abandonou-os, foi importante poeta do movimento surrealista francês e militante trotskista; entre 1914 e 1918, alistou-se, foi designado para atuar na guerra e, num deslocamento do seu regimento, em uma estação entre dois trens encontrou em um banco “um exemplar abandonado da revista Sic contendo poemas de Apollinaire”, permaneceu na guerra até o fim e filiou-se ao Movimento Dadá; desde então passou a tomar contato e participar do convívio dos dadaístas e, logo após, dos surrealistas; de sua biografia, consta que em novembro de 1918 teve publicado seu primeiro poema, Crépuscule, em La Tramontane — revue de l’Association des Jeunes; foi em 1924 que Péret, “ao lado de seus companheiros franceses”, fundou o Movimento Surrealista; entre 1924 e 1929, colaborou no Petit Parisien, foi coeditor da revista La Révolution surréaliste; Benjamin Péret, casado com a cantora lírica Elsie Houston, brasileira, residiu no Rio de Janeiro em duas ocasiões: entre 1929 1931 e 1955 1956, aqui, atuando ao lado dos artistas plásticos e militantes trotskistas Mario Pedrosa, Lívio Xavier e Aristides Lobo, foi um dos cofundadores da Liga Comunista (Oposição de Esquerda), de orientação trotskista; em sua primeira estada no Brasil, o poeta foi preso “acusado de ser um agente comunista” e deportado para a França; Perét participou na primeira guerra e na guerra civil espanhola; com a França ocupada pelos nazistas, na segunda guerra, o poeta viveu no México entre 1942 e 1947; suas obras: publicou cerca de 20 livros, entre os quais Le Passager du transatlantique (1921), 152 Proverbes mis au goût du jour (com Paul Éluard, 1925), Le Grand Jeu (1928), Ne visitez pas l’exposition coloniale (1931), De derrière les fagots (1934), Je sublime (16 poemas, 1936), Je ne mange pas de ce pain-là (1936), Dernier malheur dernière chance (1945), Un point c’est tout (11 poemas, 1946), Les syndicats contre la révolution (1952), Le Livre de Chilam Balam de Chumayel (1955), Anthologie de l’amour sublime (1956) ...

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Benjamin Péret: Sabes

 
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[traduzido por Sérgio Lima e Pierre Clemens]

Minha cabeça de lixa de papel esfregando-se à beça nas bordas de
    uma taça de cristal
feita à tua imagem de ave que um javali impede de alçar o primeiro voo
está cheia da fina chuva dos teus semelhantes a duas laranjas que
    nunca serão colhidas
teus olhos que talvez são pedra despedaçada como árvore fulminada
tudo igual ao pequeno coração que tenho no meu bolso encostado
    num fogareiro mais vermelho que um zepelim em chamas
semelhante ao desabrochar de uma flor de agave
que seria uma bandeira vermelha
mais rasgada que uma cabeleira ao vento
que queria te acariciar como um pássaro apenas nascido e tão azul que parece uma folha morta que reverdece tão brilhante que parece
    uma barra de lacre numa banheira
onde apareces tanto quanto uma folha de nenúfar no coração da mata
tanto quanto um morango silvestre numa câmara de ar
tanto quanto minha vida na virada da esquina

(E Ponto Final [11 poemas, primeira publicação],
revista Les 4 vents, nº 4, ‘A evidência surrealista’,
Paris, 1946)

Benjamin Péret

Sais-tu

Ma tête de papier de verre frottant tant et plus sur une coupe de cristal
faite à ton image d'oiseau qu’un sanglier empêche de prendre son
    premier vol
est pleine de l’embrun de tes yeux semblables à deux oranges qu'on ne
    cueillera jamais
tes yeux qui sont peut-être une pierre éclatée comme un arbre
    foudroyé
tout pareil au petit cœur que j'ai dans ma poche
contre un poêle plus rouge qu’un zeppelin qui brûle
semblable à l'éclosion d'une fleur d'agave
qui serait un drapeau rouge
plus déchiré qu'une chevelure dans le vent
qui voudrait te caresser comme un oiseau à peine né
et si bleu qu'on dirait une feuille morte qui reverdit
si brillant qu‘on dirait un pain à cacheter dans une
    baignoire
où tu n'apparais pas plus qu‘une feuille de nénuphar au fond des bois
pas plus qu’une fraise des bois dans une chambre à air
pas plus que ma vie au tournant de la rue

(Un point c’est tout: revue Les 4 vents, nº 4,
L’Évidence surréaliste, Paris, 1946)
[Oeuvres complètes, tome 2: Benjamin Péret  1971]
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Amor sublime — Poesias [bilíngue] e Ensaio: Benjamin Péret, Organização e Apresentação de Jean Puyade, Pequeno texto “à guisa de Introdução”, por André Breton [nota transcrita de Anthologie de l’humour noir], Tradução de Sérgio Lima e Pierre Clemens, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Victor Maurice Paul Benjamin Péret (1899 1959), francês de Rezé, uma criança resistente à forte sujeição escolar, entre 1912 e 1913 frequentou a Arts et métiers (École Livet), teve ‘breve passagem por uma escola de desenho industrial” e, sem demonstrar interesse nos estudos, abandonou-os, foi importante poeta do movimento surrealista francês e militante trotskista; entre 1914 e 1918, alistou-se, foi designado para atuar na guerra e, num deslocamento do seu regimento, em uma estação entre dois trens encontrou em um banco “um exemplar abandonado da revista Sic contendo poemas de Apollinaire”, permaneceu na guerra até o fim e filiou-se ao Movimento Dadá; desde então passou a tomar contato e participar do convívio dos dadaístas e, logo após, dos surrealistas; de sua biografia, consta que em novembro de 1918 teve publicado seu primeiro poema, Crépuscule, em La Tramontane — revue de l’Association des Jeunes; foi em 1924 que Péret, “ao lado de seus companheiros franceses”, fundou o Movimento Surrealista; entre 1924 e 1929, colaborou no Petit Parisien, foi coeditor da revista La Révolution surréaliste; Benjamin Péret, casado com a cantora lírica Elsie Houston, brasileira, residiu no Rio de Janeiro em duas ocasiões: entre 1929 1931 e 1955 1956, aqui, atuando ao lado dos artistas plásticos e militantes trotskistas Mario Pedrosa, Lívio Xavier e Aristides Lobo, foi um dos cofundadores da Liga Comunista (Oposição de Esquerda), de orientação trotskista; em sua primeira estada no Brasil, o poeta foi preso “acusado de ser um agente comunista” e deportado para a França; Perét participou na primeira guerra e na guerra civil espanhola; com a França ocupada pelos nazistas, na segunda guerra, o poeta viveu no México entre 1942 e 1947; suas obras: publicou cerca de 20 livros, entre os quais Le Passager du transatlantique (1921), 152 Proverbes mis au goût du jour (com Paul Éluard, 1925), Le Grand Jeu (1928), Ne visitez pas l’exposition coloniale (1931), De derrière les fagots (1934), Je sublime (16 poemas, 1936), Je ne mange pas de ce pain-là (1936), Dernier malheur dernière chance (1945), Un point c’est tout (11 poemas, 1946), Les syndicats contre la révolution (1952), Le Livre de Chilam Balam de Chumayel (1955), Anthologie de l’amour sublime (1956) ...

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Benjamin Péret: Daqui a pouco

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[traduzido por Sérgio Lima e Pierre Clemens]

Pela fenda que se abriu no último tremor de terra
fogem pássaros em forma de cachimbo
os gatos pulando porque suas caudas voam
e grandes jatos de champagne
que espuma tanto que as bolhas obscurecem o
    sol
o esverdeiam como uma velha bisteca
e o azulam como uma vinha na primavera
onde se abriria
multiplicado ao infinito
o galo retraz dos olhos
que me olham como uma bandeira vermelha numa
    barricada

Como o riacho vou correndo para o lampião
como a bala para o peito fascista
Mas quando os dois olhos somados ao olhar dos seios chamam
como junquilho entre caçarolas pisoteadas
como bola vermelha do bilhar
como a lanterna vermelha da rua proibida do beijo
prestes a se apagar para me deixar passar
diga-me esquilo dos primeiros ruídos da rua
qual grito de charuto roído pelos ratos
qual cérebro de urze em chamas abanará o ar em leque e qual voz de
carvalho-corticeiro reduzido a rolha ousará falar como uma equação

(E Ponto Final [11 poemas, primeira publicação],
revista Les 4 vents, nº 4, ‘A evidência surrealista’, Paris, 1946)

Benjamin Péret

Tout a l’heure

Par la faille qui s’est ouverte par le dernier tremblement de terre
s’échappent des oiseaux en forme de pipe
les chats bondissants parce que leur queue s’envole
et de grands jets de champagne
qui mousse tellement que les bulles obscurcissent le
    soleil
le verdissent comme un vieil entrecôte
le bleuissent comme une vigne au printemps
où s’ouvrirait
démultiplié
le coq de bruyère des yeux
qui me regardent comme un drapeau rouge une
    barricade

Je vais comme le torrente au lampion
como la balle à la poitrine fasciste
Mais quand les deux yeux ajoutés au regard des seins appellent
comme une jonquille entre des casseroles piétinées
la boule rouge du billard
la lanterne rouge de la rue barrée du baiser
prête à s’éteindre pour me laisser passer
dois-moi écureuil des premiers bruits de la rue
quel cri de cigare rongé par les rats
quel cerveau de bruyère en feu battra l’air en éventail et quelle voix de chêne-liège devenu
bouchon
osera parler comme une équation

1947

(Un point c’est tout: revue Les 4 vents, nº 4,
L’Évidence surréaliste, Paris, 1946)
[Oeuvres completes, tome 2: Benjamin Péret — 1971]
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Amor sublime — Poesias [bilíngue] e Ensaio: Benjamin Péret, Organização e Apresentação de Jean Puyade, Pequeno texto “à guisa de Introdução”, por André Breton [nota transcrita de Anthologie de l’humour noir], + texto “O terceiro encontro”, por Guy Prévant, Tradução de Sérgio Lima e Pierre Clemens, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Victor Maurice Paul Benjamin Péret (1899 1959), francês de Rezé, uma criança resistente à forte sujeição escolar, entre 1912 e 1913 frequentou a Arts et métiers (École Livet), teve ‘breve passagem por uma escola de desenho industrial” e, sem demonstrar interesse nos estudos, abandonou-os, foi importante poeta do movimento surrealista francês e militante trotskista; entre 1914 e 1918, alistou-se, foi designado para atuar na guerra e, num deslocamento do seu regimento, em uma estação entre dois trens encontrou em um banco “um exemplar abandonado da revista Sic contendo poemas de Apollinaire”, permaneceu na guerra até o fim e filiou-se ao Movimento Dada; desde então passou a tomar contato e participar do convívio dos dadaístas e, logo após, dos surrealistas; de sua biografia, consta que em novembro de 1918 teve publicado seu primeiro poema, Crépuscule, em La Tramontane — revue de l’Association des Jeunes; foi em 1924 que Péret, “ao lado de seus companheiros franceses”, fundou o Movimento Surrealista; entre 1924 e 1929, colaborou no Petit Parisien, foi coeditor da revista La Révolution surréaliste; Benjamin Péret, casado com a cantora lírica Elsie Houston, brasileira, residiu no Rio de Janeiro em duas ocasiões: entre 1929 1931 e 1955 1956, aqui, atuando ao lado dos artistas plásticos e militantes trotskistas Mario Pedrosa, Lívio Xavier e Aristides Lobo, foi um dos cofundadores da Liga Comunista (Oposição de Esquerda), de orientação trotskista; em sua primeira estada no Brasil, o poeta foi preso “acusado de ser um agente comunista” e deportado para a França; Perét participou na primeira guerra e na guerra civil espanhola; com a França ocupada pelos nazistas, na segunda guerra, o poeta viveu no México entre 1942 e 1947; suas obras: publicou cerca de 20 livros, entre os quais Le Passager du transatlantique (1921), 152 Proverbes mis au goût du jour (com Paul Éluard, 1925), Le Grand Jeu (1928), Ne visitez pas l’exposition coloniale (1931), De derrière les fagots (1934), Je sublime (16 poemas, 1936), Je ne mange pas de ce pain-là (1936), Dernier malheur dernière chance (1945), Un point c’est tout (11 poemas, 1946), Les syndicats contre la révolution (1952), Le Livre de Chilam Balam de Chumayel (1955), Anthologie de l’amour sublime (1956) ...

sexta-feira, 7 de março de 2025

Benjamin Péret: Piscada

 
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[traduzido por Sérgio Lima e Pierre Clemens]

Bandos de papagaios atravessam minha cabeça quando te vejo de
    perfil
e o céu de banha estria-se de relâmpagos azuis
que traçam teu nome em todos os sentidos
Rosa penteada de tribo negra perdida numa escada onde os seios
    agudos das mulheres olham pelos olhos dos homens
Hoje eu olho pelos teus cabelos
Rosa de opala da manhã
e desperto pelos teus olhos
Rosa de armadura
e penso pelos teus seios de explosão
Rosa de lagoa esverdeada pelas rãs
e durmo no teu umbigo de mar Cáspio
Rosa de rosa do mato durante a greve geral
e me perco entre teus ombros de via láctea fecundada por cometas
Rosa de jasmim na noite da lavagem dos linhos
Rosa de casa assombrada
Rosa de floresta negra inundada de selos azuis
    e verdes
Rosa de papagaio-de-papel sobre um terreno baldio onde brigam
    crianças
Rosa de fumaça de charuto
Rosa de espuma de mar feita cristal
Rosa

Benjamin Péret

Clin d’oeil

Des vols de perroquets traversent ma tête quand je te vois de profil
et le ciel de graisse se strie d’éclairs bleus
qui tracent ton nom dans tous les sens
Rosa coiffée d’une tribu nègre égarée sur un escalier
où les seins aigus des femmes regardent par les yeux des hommes
Aujourd’hui je regarde par tes cheveux
Rosa d’opale du matin
et je m’éveille par tes yeux
Rosa d’armure
et je pense par tes seins d’explosion
Rosa d’étang verdi par les grenouilles
et je dors dans ton nombril de mer Caspienne
Rosa d’églantine pendant la grève générale
et je m’égare entre tes épaules de voie lactée fécondée par des comètes
Rosa de jasmin dans la nuit de lessive
Rosa de maison hantée
Rosa de forêt noire inondée de timbres-poste bleus et verts
Rosa de cerf-volant au-dessus d’un terrain vague où se battent des
    enfants
Rosa de fumée de cigare
Rosa d’écume de mer faite cristal
Rosa
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Amor sublime — Poesias [bilíngue] e Ensaio: Benjamin Péret, Organização e Apresentação de Jean Puyade, Pequeno texto “à guisa de Introdução”, por André Breton [nota transcrita de Anthologie de l’humour noir], + texto “O terceiro encontro”, por Guy Prévant, Tradução de Sérgio Lima e Pierre Clemens, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Victor Maurice Paul Benjamin Péret (1899 1959), francês de Rezé, uma criança resistente à forte sujeição escolar, entre 1912 e 1913 frequentou a Arts et métiers (École Livet), teve ‘breve passagem por uma escola de desenho industrial” e, sem demonstrar interesse nos estudos, abandonou-os, foi importante poeta do movimento surrealista francês e militante trotskista; entre 1914 e 1918, alistou-se, foi designado para atuar na guerra e, num deslocamento do seu regimento, em uma estação entre dois trens encontrou em um banco “um exemplar abandonado da revista Sic contendo poemas de Apollinaire”, permaneceu na guerra até o fim e filiou-se ao Movimento Dadá; desde então passou a tomar contato e participar do convívio dos dadaístas e, logo após, dos surrealistas; de sua biografia, consta que em novembro de 1918 teve publicado seu primeiro poema, Crépuscule, em La Tramontane — revue de l’Association des Jeunes; foi em 1924 que Péret, “ao lado de seus companheiros franceses”, fundou o Movimento Surrealista; entre 1924 e 1929, colaborou no Petit Parisien, foi coeditor da revista La Révolution surréaliste; Benjamin Péret, casado com a cantora lírica Elsie Houston, brasileira, residiu no Rio de Janeiro em duas ocasiões: entre 1929 1931 e 1955 1956, aqui, atuando ao lado dos artistas plásticos e militantes trotskistas Mario Pedrosa, Lívio Xavier e Aristides Lobo, foi um dos cofundadores da Liga Comunista (Oposição de Esquerda), de orientação trotskista; em sua primeira estada no Brasil, o poeta foi preso “acusado de ser um agente comunista” e deportado para a França; Perét participou na primeira guerra e na guerra civil espanhola; com a França ocupada pelos nazistas, na segunda guerra, o poeta viveu no México entre 1942 e 1947; suas obras: publicou cerca de 20 livros, entre os quais Le Passager du transatlantique (1921), 152 Proverbes mis au goût du jour (com Paul Éluard, 1925), Le Grand Jeu (1928), Ne visitez pas l’exposition coloniale (1931), De derrière les fagots (1934), Je sublime (16 poemas, 1936), Je ne mange pas de ce pain-là (1936), Dernier malheur dernière chance (1945), Un point c’est tout (11 poemas, 1946), Les syndicats contre la révolution (1952), Le Livre de Chilam Balam de Chumayel (1955), Anthologie de l’amour sublime (1956) ...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Benjamin Péret: Não durmo

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[traduzido por Sérgio Lima e Pierre Clemens]

Diga-me reflexo de cobalto
por que o bando de corvos que te rodeia
como o carvão abraça o fogo que o fez engolindo
    pimentas
que sempre depositaram avos vermelhos sobre teus lábios de São
    Jorge
que vai até Pigalle
balançando-se na rede da praça
como uma bala num peito de culhões que tanto se assemelha a um giroscópio
que parece Plutão raptando Proserpina no seu
    lenço
que desaparece no horizonte como as duas ilhas anglo-normandas dos
    teus olhos
perto da Mancha do teu nariz
que é um raio de luar no porão que eu
assalto
esperando aí achar uma boca-de-leão em forma de sim que não terá buracos de poltrona de dentista
que estará sem rede para capturar os peixes pescados com cabeças
    de mosquito
sem mosquitos adormecidos como um despertador num recanto de um
    bosque
sem despertador roendo os esqueletos dos meus antepassados e dos
    seus
como uma cabeça de alho na maionese
que tem realmente
nesta noite
por pouco que de pétalas de amêndoas amargas seja
    regada
nos ares de vinho novo
um pouco ácido
um pouco doce
ácido e doce
como um novo vulcão
cuja lava reproduziria indefinidamente teu rosto

Benjamin Péret

Je ne dors pas

Dis-moi reflet de cobalt
pourquoi le vol de corbeaux qui t’entoure
comme le charbon étreint le feu qui l’a fait en avalant des
    piments
qui ont toujours déposé des œufs rouges sur tes lèvres de Saint-
    Georges
qui va jusqu’à Pigalle
se balance dans le hamac de la place
s’inscrit comme une balle dans une poitrine à couilles qui ressemble tellement à un gyroscope
qu’on dirait Pluton enlevant Proserpine dans son
    mouchoir
qui disparaît à l’horizon comme les deux îles anglo-normandes de tes
    yeux
près de la Manche de ton nez
qui est un rayon de lune dans la cave que je cambriole
espérant y trouver une gueule-de-loup en forme de oui qui n’aura pas d’ornières à fauteuil de dentiste
qui sera sans filet pour capturer les pêches à tête de
    moustique
sans moustiques endormis comme une minuterie au coin d’un
    bois
sans minuterie rongeant les squelettes de mes aïeux et des
    siens
comme une tête d’ail dans la mayonnaise
qui a vraiment
ce soir
pour peu qu’on l’arrose de pétales d’amandes
    amères
un grand air de vin nouveau
un peu acide
un peu doux
acide et doux
comme un volcan nouveau
dont la lave reproduirait indéfiniment ton visage.
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Amor sublime — Poesias [bilíngue] e Ensaio: Benjamin Péret, Organização e Apresentação de Jean Puyade, Pequeno texto “à guisa de Introdução”, por André Breton [nota transcrita de Anthologie de l’humour noir], + texto “O terceiro encontro”, por Guy Prévant, Tradução de Sérgio Lima e Pierre Clemens, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Victor Maurice Paul Benjamin Péret (1899 1959), francês de Rezé, uma criança resistente à forte sujeição escolar, entre 1912 e 1913 frequentou a Arts et métiers (École Livet), teve ‘breve passagem por uma escola de desenho industrial” e, sem demonstrar interesse nos estudos, abandonou-os, foi importante poeta do movimento surrealista francês e militante trotskista; entre 1914 e 1918, alistou-se, foi designado para atuar na guerra e, num deslocamento do seu regimento, em uma estação entre dois trens encontrou em um banco “um exemplar abandonado da revista Sic contendo poemas de Apollinaire”, permaneceu na guerra até o fim e filiou-se ao Movimento Dada; desde então passou a tomar contato e participar do convívio dos dadaístas e, logo após, dos surrealistas; de sua biografia, consta que em novembro de 1918 teve publicado seu primeiro poema, Crépuscule, em La Tramontane — revue de l’Association des Jeunes; foi em 1924 que Péret, “ao lado de seus companheiros franceses”, fundou o Movimento Surrealista; entre 1924 e 1929, colaborou no Petit Parisien, foi coeditor da revista La Révolution surréaliste; Benjamin Péret, casado com a cantora lírica Elsie Houston, brasileira, residiu no Rio de Janeiro em duas ocasiões: entre 1929 1931 e 1955 1956, aqui, atuando ao lado dos artistas plásticos e militantes trotskistas Mario Pedrosa, Lívio Xavier e Aristides Lobo, foi um dos cofundadores da Liga Comunista (Oposição de Esquerda), de orientação trotskista; em sua primeira estada no Brasil, o poeta foi preso “acusado de ser um agente comunista” e deportado para a França; Perét participou na primeira guerra e na guerra civil espanhola; com a França ocupada pelos nazistas, na segunda guerra, o poeta viveu no México entre 1942 e 1947; suas obras: publicou cerca de 20 livros, entre os quais Le Passager du transatlantique (1921), 152 Proverbes mis au goût du jour (com Paul Éluard, 1925), Le Grand Jeu (1928), Ne visitez pas l’exposition coloniale (1931), De derrière les fagots (1934), Je sublime (16 poemas, 1936), Je ne mange pas de ce pain-là (1936), Dernier malheur dernière chance (1945), Un point c’est tout (11 poemas, 1946), Les syndicats contre la révolution (1952), Le Livre de Chilam Balam de Chumayel (1955), Anthologie de l’amour sublime (1956) ...

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Benjamin Péret: Esperar

 
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[traduzido por Sérgio Lima e Pierre Clemens]

Machucado pelas grandes placas de tempo
o homem avança como as veias de mármore que querem se poupar
    os olhos
numa correnteza onde as trutas com cabeças de
    ventilador
arrastam pesadas crateras de espuma de champagne que enegrecem teus cabelos de fortaleza
onde a parietária não ousa se aventurar
com medo de ser devorada
além da grande planície glaciária onde os dinossauros chocam
    ainda
seus ovos donde não sairão tulipas de hematita
mas caravanas de ouriços de ventre azul
com medo de serem engolidas pela fonte de relâmpagos
    marítimos
engendrada pelo teu olhar onde voam impalpáveis
    mariposas
vestidas de estações de trem fechadas das quais procuro a chave de
    sinal aberto
sem nada encontrar
a não ser ferraduras geladas
que pulam como um guarda-chuva numa orelha
e como patos de urtigas frescas
sérios como ostras

Benjamin Péret

Attendre

Meurtri par les grandes plaques de temps
l’homme s’avance comme les veines du marbre qui veulent se ménager
    des yeux
dans un torrent où les truites à tête de ventilateur traînent de lourds chariots de mousse de champagne qui noircissent tes cheveux de château fort
où la pariétaire n’ose pas s’aventurer
de crainte d’être dévorée
au-delà de la grande plaine glacière où les dinosaures couvent
    encore
leurs œufs d’où ne sortiront pas des tulipes d’hématite mais des caravanes de hérissons au ventre bleu
de crainte d’être avalées par la fontaine d’éclairs de
    mer
engendrée par ton regard où volent d’impalpables papillons de
    nuit
vêtus de gares fermées dont je cherche la clé de signal
    ouvert
sans rien trouver
sinon des fers à cheval gelés
qui bondissent comme un parapluie dans une oreille et des canards d’orties fraîches
graves comme des huîtres.
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Amor sublime — Poesias [bilíngue] e Ensaio: Benjamin Péret, Organização e Apresentação de Jean Puyade, Pequeno texto “à guisa de Introdução”, por André Breton [nota transcrita de Anthologie de l’humour noir], + texto “O terceiro encontro”, por Guy Prévant, Tradução de Sérgio Lima e Pierre Clemens, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Victor Maurice Paul Benjamin Péret (1899 1959), francês de Rezé, uma criança resistente à forte sujeição escolar, entre 1912 e 1913 frequentou a Arts et métiers (École Livet), teve ‘breve passagem por uma escola de desenho industrial” e, sem demonstrar interesse nos estudos, abandonou-os, foi importante poeta do movimento surrealista francês e militante trotskista; entre 1914 e 1918, alistou-se, foi designado para atuar na guerra e, num deslocamento do seu regimento, em uma estação entre dois trens encontrou em um banco “um exemplar abandonado da revista Sic contendo poemas de Apollinaire”, permaneceu na guerra até o fim e filiou-se ao Movimento Dada; desde então passou a tomar contato e participar do convívio dos dadaístas e, logo após, dos surrealistas; de sua biografia, consta que em novembro de 1918 teve publicado seu primeiro poema, Crépuscule, em La Tramontane — revue de l’Association des Jeunes; foi em 1924 que Péret, “ao lado de seus companheiros franceses”, fundou o Movimento Surrealista; entre 1924 e 1929, colaborou no Petit Parisien, foi coeditor da revista La Révolution surréaliste; Benjamin Péret, casado com a cantora lírica Elsie Houston, brasileira, residiu no Rio de Janeiro em duas ocasiões: entre 1929 1931 e 1955 1956, aqui, atuando ao lado dos artistas plásticos e militantes trotskistas Mario Pedrosa, Lívio Xavier e Aristides Lobo, foi um dos cofundadores da Liga Comunista (Oposição de Esquerda), de orientação trotskista; em sua primeira estada no Brasil, o poeta foi preso “acusado de ser um agente comunista” e deportado para a França; Perét participou na primeira guerra e na guerra civil espanhola; com a França ocupada pelos nazistas, na segunda guerra, o poeta viveu no México entre 1942 e 1947; suas obras: publicou cerca de 20 livros, entre os quais Le Passager du transatlantique (1921), 152 Proverbes mis au goût du jour (com Paul Éluard, 1925), Le Grand Jeu (1928), Ne visitez pas l’exposition coloniale (1931), De derrière les fagots (1934), Je sublime (16 poemas, 1936), Je ne mange pas de ce pain-là (1936), Dernier malheur dernière chance (1945), Un point c’est tout (11 poemas, 1946), Les syndicats contre la révolution (1952), Le Livre de Chilam Balam de Chumayel (1955), Anthologie de l’amour sublime (1956) ...