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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Lêdo Ivo: A René Descartes

 
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Nesta manhã na Holanda
penso em René Descartes.
Olhando a água fugir
nos canais sucessivos
como fogem os dias
no mar encarcerado
junto às casas de câmbio,
eu penso, logo existo.
E perto dos navios
e bondes amarelos
minha verdade é chama
que não resiste ao vento.
Ó meu caro Descartes,
tua certeza é dúvida
oculta nas tulipas
abertas para a noite
de sol e sacramento.
Todos nós somos sombras.
Nosso existir é um sonho
que sonha o pensamento
entre os plátanos verdes
e as vacas apojadas
que margeiam a estrada
por onde eu passo e penso.

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Antologia Poética — Coleção Prestígio: Lêdo Ivo, Seleção de Walmir Ayala e Introdução de Antônio Carlos Villaça, 1990, Ediouro — Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Lêdo Ivo (1924 2012), alagoano de Maceió, fez o primário no Grupo Escolar D. Pedro II e o secundário no Colégio Diocesano, bacharelou-se pela Faculdade Nacional de Direito (hoje UFRJ) e não exerceu a profissão, foi jornalista, poeta, romancista, contista, cronista, ensaísta e tradutor; em 1938, deu início à colaboração na imprensa local [Maceió] e teve textos publicados na revista Carioca [Rio de Janeiro]; em 1940, transferindo-se para Recife, cursou o Colégio Carneiro Leão e também colaborou na imprensa; em 1942, de volta a Maceió, concluiu o curso “complementar” no Liceu Alagoano, trabalhou como repórter e, em 1943, já no Rio de Janeiro, formou-se em Direito, passou a colaborar em suplementos literários e trabalhou como jornalista; em 1944, estreou na vida poética com a publicação de As Imaginações; suas obras: em poesia, As Imaginações (1944), Ode e Elegia (1945), Acontecimento do Soneto (1948), Ode ao Crepúsculo (1948), Finisterra (poesia, 1972, laureado com o Prêmio Luísa Cláudio de Sousa), A Noite Misteriosa (1982), Calabar (1985), Mar Oceano (1987), Crepúsculo Civil (1990), Curral de Peixe (1997) e outros; em prosa, As Alianças (romance [recebeu o Prêmio Graça Aranha], 1947), O Caminho Sem Aventura (romance, 1948), Lição de Mário de Andrade (ensaio, 1951), O Preto no Branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira (ensaio, 1955), A Cidade e os Dias (crônicas, 1957), Raimundo Correia: poesia (ensaio apresentação, seleção e notas, 1958), Use a Passagem Subterrânea (contos, 1961), O Sobrinho do General (romance, 1964), O Flautim (contos, 1966), O Navio Adormecido no Bosque (crônicas, 1971), Ninho de Cobras (romance, 1973), Modernismo e Modernidade (ensaio, 1972), Teoria e Celebração (ensaio, 1976), Confissões de um poeta (autobiografia, 1979), A Ética da Aventura (ensaio, 1982), O Canário Azul (infanto-juvenil, 1990), O aluno relapso (autobiografia, 1991), O Menino da Noite (infanto-juvenil, 1995), e tantos outros títulos em verso ou prosa, além de ter seus poemas e contos editados em muitas antologias literárias; Lêdo Ivo, que obteve diversas premiações na área da literatura, teve obras vertidas para os idiomas espanhol, italiano, inglês, holandês, francês e sueco e, por sua vez, traduziu Austen, Maupassant, Rimbaud e Dostoievski; viajou por diversos países das Américas e da Europa.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Lêdo Ivo: Os Pobres na Estação Rodoviária

 
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Os pobres viajam. Na estação rodoviária
eles alteiam os pescoços como gansos para olhar
os letreiros dos ônibus.  E seus olhares
são de quem teme perder alguma coisa:
a mala que guarda um rádio de pilha e um casaco
que tem a cor do frio num dia sem sonhos,
o sanduíche de mortadela no fundo da sacola,
e o sol de subúrbio e poeira além dos viadutos.
Entre o rumor dos alto-falantes e o arquejo dos ônibus
eles temem perder a própria viagem
escondida no névoa dos horários.
Os que dormitam nos bancos acordam assustados,
embora os pesadelos sejam um privilégio
dos que abastecem os ouvidos e o tédio dos psicanalistas
em consultórios assépticos como o algodão que tapa o nariz dos
mortos.
Nas filas os pobres assumem um ar grave
que une temor, impaciência e submissão.
Como os pobres são grotescos! E como os seus odores
nos incomodam mesmo à distância!
E não têm a noção das conveniências, não sabem portar-se em
público.
O dedo sujo de nicotina esfrega o olho irritado
que do sonho reteve apenas a remela.
Do seio caído e túrgido um filete de leite
escorre para a pequena boca habituada ao choro.
Na plataforma eles vão o vêm, saltam e seguram malas e embrulhos,
fazem perguntas descabidas nos guichês, sussurram palavras
misteriosas
e contemplam os capas das revistas com o ar espantado
de quem não sabe o caminho do salão da vida.
Por que esse ir e vir? E essas roupas espalhafatosas,
esses amarelos de azeite-de-dendê que doem na vista delicada
do viajante obrigado a suportar tantos cheiros incômodos,
e esses vermelhos contundentes de feira e mafuá?
Os pobres não sabem viajar nem sabem vestir-se.
Tampouco sabem morar: não têm noção do conforto
embora alguns deles possuam até televisão.
Na verdade os pobres não sabem nem morrer.
(Têm quase sempre uma morte feia e deselegante.)
E em qualquer lugar do mundo eles incomodam,
viajantes importunos que ocupam os nossos lugares
mesmo quando estamos sentados e eles viajam de pé.

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Antologia Poética — Coleção Prestígio: Lêdo Ivo, Seleção de Walmir Ayala e Introdução de Antônio Carlos Villaça, 1990, Ediouro — Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Lêdo Ivo (1924 2012), alagoano de Maceió, fez o primário no Grupo Escolar D. Pedro II e o secundário no Colégio Diocesano, bacharelou-se pela Faculdade Nacional de Direito (hoje UFRJ) e não exerceu a profissão, foi jornalista, poeta, romancista, contista, cronista, ensaísta e tradutor; em 1938, deu início à colaboração na imprensa local [Maceió] e teve textos publicados na revista Carioca [Rio de Janeiro]; em 1940, transferindo-se para Recife, cursou o Colégio Carneiro Leão e também colaborou na imprensa; em 1942, de volta a Maceió, concluiu o curso “complementar” no Liceu Alagoano, trabalhou como repórter e, em 1943, já no Rio de Janeiro, formou-se em Direito, passou a colaborar em suplementos literários e trabalhou como jornalista; em 1944, estreou na vida poética com a publicação de As Imaginações; suas obras: em poesia, As Imaginações (1944), Ode e Elegia (1945), Acontecimento do Soneto (1948), Ode ao Crepúsculo (1948), Finisterra (poesia, 1972, laureado com o Prêmio Luísa Cláudio de Sousa), A Noite Misteriosa (1982), Calabar (1985), Mar Oceano (1987), Crepúsculo Civil (1990), Curral de Peixe (1997) e outros; em prosa, As Alianças (romance [recebeu o Prêmio Graça Aranha], 1947), O Caminho Sem Aventura (romance, 1948), Lição de Mário de Andrade (ensaio, 1951), O Preto no Branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira (ensaio, 1955), A Cidade e os Dias (crônicas, 1957), Raimundo Correia: poesia (ensaio apresentação, seleção e notas, 1958), Use a Passagem Subterrânea (contos, 1961), O Sobrinho do General (romance, 1964), O Flautim (contos, 1966), O Navio Adormecido no Bosque (crônicas, 1971), Ninho de Cobras (romance, 1973), Modernismo e Modernidade (ensaio, 1972), Teoria e Celebração (ensaio, 1976), Confissões de um poeta (autobiografia, 1979), A Ética da Aventura (ensaio, 1982), O Canário Azul (infanto-juvenil, 1990), O aluno relapso (autobiografia, 1991), O Menino da Noite (infanto-juvenil, 1995), e tantos outros títulos em verso ou prosa, além de ter seus poemas e contos editados em muitas antologias literárias; Lêdo Ivo, que obteve diversas premiações na área da literatura, teve obras vertidas para os idiomas espanhol, italiano, inglês, holandês, francês e sueco e, por sua vez, traduziu Austen, Maupassant, Rimbaud e Dostoievski; viajou por diversos países das Américas e da Europa.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Lêdo Ivo: Ode à Permanência

 
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          Repilo a voz iracunda que condena antecipadamente os sinais da vida e do mundo.
          Não me agradam os passantes que, contemplando os arranha-céus e os mendigos que se lavam nos lagos imundos das praças, as arquibancadas dos estádios e as luzes dos aeroportos, os transeuntes e as estátuas, as escadas rolantes dos centros comerciais e as inscrições obscenas dos mictórios dos botequins, as brancas represas murmurantes e o chão industrial que esconde os gasodutos, os cemitérios de automóveis e os paletós pendentes como espantalhos decepados na porta das lavanderias, os motéis ajardinados e os cartazes dilacerados dos outdoors, advertem que este presente haverá de desfazer-se, e será menos que cinza espalhada pelo vento do mundo.
          Incomoda-me a agressão dessa voz rancorosa que, apontando para o passado esvaído, desde já argumenta que o futuro, embora ainda seja uma promessa suspensa no ar como um balão invisível, também passará, e esse monótono rumor dos homens espremidos nos bancos das estações rodoviárias ou caminhando pelos corredores ministeriais se dissipará, tornado nada, a exemplo das grandes cidades milenares convertidas em relva.
          Que a permanência, e não o pó, seja o exemplo  e a memória, e não o esquecimento, seja o argumento de nossas vidas e a consolação de nossas mortes.

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Antologia Poética — Coleção Prestígio, Lêdo Ivo, Seleção de Walmir Ayala e Introdução de Antônio Carlos Villaça, 1990, Ediouro — Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Lêdo Ivo (1924 2012), alagoano de Maceió, fez o primário no Grupo Escolar D. Pedro II e o secundário no Colégio Diocesano, bacharelou-se pela Faculdade Nacional de Direito (hoje UFRJ) e não exerceu a profissão, foi jornalista, poeta, romancista, contista, cronista, ensaísta e tradutor; em 1938, deu início à colaboração na imprensa local [Maceió] e teve textos publicados na revista Carioca [Rio de Janeiro]; em 1940, transferindo-se para Recife, cursou o Colégio Carneiro Leão e também colaborou na imprensa; em 1942, de volta a Maceió, concluiu o curso “complementar” no Liceu Alagoano, trabalhou como repórter e, em 1943, já no Rio de Janeiro, formou-se em Direito, passou a colaborar em suplementos literários e trabalhou como jornalista; em 1944, estreou na vida poética com a publicação de As Imaginações; suas obras: em poesia, As Imaginações (1944), Ode e Elegia (1945), Acontecimento do Soneto (1948), Ode ao Crepúsculo (1948), Finisterra (poesia, 1972, laureado com o Prêmio Luísa Cláudio de Sousa), A Noite Misteriosa (1982), Calabar (1985), Mar Oceano (1987), Crepúsculo Civil (1990), Curral de Peixe (1997) e outros; em prosa, As Alianças (romance [recebeu o Prêmio Graça Aranha], 1947), O Caminho Sem Aventura (romance, 1948), Lição de Mário de Andrade (ensaio, 1951), O Preto no Branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira (ensaio, 1955), A Cidade e os Dias (crônicas, 1957), Raimundo Correia: poesia (ensaio apresentação, seleção e notas, 1958), Use a Passagem Subterrânea (contos, 1961), O Sobrinho do General (romance, 1964), O Flautim (contos, 1966), O Navio Adormecido no Bosque (crônicas, 1971), Ninho de Cobras (romance, 1973), Modernismo e Modernidade (ensaio, 1972), Teoria e Celebração (ensaio, 1976), Confissões de um poeta (autobiografia, 1979), A Ética da Aventura (ensaio, 1982), O Canário Azul (infanto-juvenil, 1990), O aluno relapso (autobiografia, 1991), O Menino da Noite (infanto-juvenil, 1995), e tantos outros títulos em verso ou prosa, além de ter seus poemas e contos editados em muitas antologias literárias; Lêdo Ivo, que obteve diversas premiações na área da literatura, teve obras vertidas para os idiomas espanhol, italiano, inglês, holandês, francês e sueco e, por sua vez, traduziu Austen, Maupassant, Rimbaud e Dostoievski; viajou por diversos países das Américas e da Europa.

sábado, 25 de outubro de 2025

Lêdo Ivo: Barganha

 
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Domingo é dia de barganha.
Troco um relógio dos antigos
por um cavalo rosilho,
um bode por um trinca-ferro,
e uma roda de cabriolé
por um radinho de pilha.
Troco um gibão de cigano
pela serra que serrou
o tronco mais odorante
e por um fogão de lenha
troco um cachorro de caça
e uma panela de cobre.
Troco toda a luz do sol
pela sombra de um só pássaro.
Por uma espingarda troco
um tacho que foi de escravos
além de um almofariz
e uma xícara sem asa.
Troco a salmoura dos peixes
por qualquer gosto de lágrima.
Pela vitrola rachada
dou a minha bicicleta
com os pneus arriados.
Troco o entulho que restou
do muro que derrubei
pelo calor da fogueira
que por uma noite apenas
negou o frio dos pobres.
Troco um lençol de noivado
e uma toalha bordada
pela lua refletida
na escuridão das cisternas.
Troco o meu selim de couro
por um arreio de prata.
Dou um caminhão de pedra
por um portão de peroba.
Na tabuada do mundo
troco o número um
pelo número dois.
E troco o bolor do dia
pelo silêncio guardado
na boca aberta dos doidos.
Troco a alvorada dos galos
pelo rumor dos reis mouros
que passam com seus vassalos
pelas antigas muralhas
rubras de tantas batalhas.
Também troco uma tigela
feita de barro da terra
por um jarro e uma gamela.
Barganho a chuva celeste
pela água negra da terra
e troco a nuvem que passa
por tudo o que for eterno.
Só a minha alma é inegociável.
Não a dou por dinheiro nenhum.

(A Noite Misteriosa — 1982)

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Antologia Poética — Coleção Prestígio, Lêdo Ivo, Seleção de Walmir Ayala e Introdução de Antônio Carlos Villaça, 1990, Ediouro — Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Lêdo Ivo (1924 2012), alagoano de Maceió, fez o primário no Grupo Escolar D. Pedro II e o secundário no Colégio Diocesano, bacharelou-se pela Faculdade Nacional de Direito (hoje UFRJ) e não exerceu a profissão, foi jornalista, poeta, romancista, contista, cronista, ensaísta e tradutor; em 1938, deu início à colaboração na imprensa local [Maceió] e teve textos publicados na revista Carioca [Rio de Janeiro]; em 1940, transferindo-se para Recife, cursou o Colégio Carneiro Leão e também colaborou na imprensa; em 1942, de volta a Maceió, concluiu o curso “complementar” no Liceu Alagoano, trabalhou como repórter e, em 1943, já no Rio de Janeiro, formou-se em Direito, passou a colaborar em suplementos literários e trabalhou como jornalista; em 1944, estreou na vida poética com a publicação de As Imaginações; suas obras: em poesia, As Imaginações (1944), Ode e Elegia (1945), Acontecimento do Soneto (1948), Ode ao Crepúsculo (1948), Finisterra (poesia, 1972, laureado com o Prêmio Luísa Cláudio de Sousa), A Noite Misteriosa (1982), Calabar (1985), Mar Oceano (1987), Crepúsculo Civil (1990), Curral de Peixe (1997) e outros; em prosa, As Alianças (romance [recebeu o Prêmio Graça Aranha], 1947), O Caminho Sem Aventura (romance, 1948), Lição de Mário de Andrade (ensaio, 1951), O Preto no Branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira (ensaio, 1955), A Cidade e os Dias (crônicas, 1957), Raimundo Correia: poesia (ensaio apresentação, seleção e notas, 1958), Use a Passagem Subterrânea (contos, 1961), O Sobrinho do General (romance, 1964), O Flautim (contos, 1966), O Navio Adormecido no Bosque (crônicas, 1971), Ninho de Cobras (romance, 1973), Modernismo e Modernidade (ensaio, 1972), Teoria e Celebração (ensaio, 1976), Confissões de um poeta (autobiografia, 1979), A Ética da Aventura (ensaio, 1982), O Canário Azul (infanto-juvenil, 1990), O aluno relapso (autobiografia, 1991), O Menino da Noite (infanto-juvenil, 1995), e tantos outros títulos em verso ou prosa, além de ter seus poemas e contos editados em muitas antologias literárias; Lêdo Ivo, que obteve diversas premiações na área da literatura, teve obras vertidas para os idiomas espanhol, italiano, inglês, holandês, francês e sueco e, por sua vez, traduziu Austen, Maupassant, Rimbaud e Dostoievski; viajou por diversos países das Américas e da Europa.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Oscar Wilde: O Mestre

 
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[traduzido por Dilermando Duarte Cox]

          Quando as trevas começaram a cair sobre a terra, José de Arimathéa acendeu uma tocha de pinheiro e desceu da colina para o vale. Tinha o que fazer em casa. E, ajoelhando-se sobre as pedras do Vale da Desolação, viu um jovem que estava nu e chorava. Seus cabelos eram da cor do mel e o corpo tão branco como uma flor; mas ferira o corpo nos espinhos e sobre os cabelos pusera cinza à guisa de coroa.
          E José, que possuía grandes virtudes, disse ao jovem que se encontrava nu e chorava:
           Não me admira que o teu sentimento seja tão grande, porque, realmente, Ele foi um homem justo.
          E o jovem respondeu:
           Não é por Ele que eu choro, mas por mim mesmo. Eu também mudei a água em vinho, curei o leproso e restituí a vista ao cego. Andei sobre as águas e das profundezas dos sepulcros expulsei os demônios. Alimentei os famintos no deserto onde não havia comida; ergui os mortos dos leitos exíguos e à minha ordem, diante de imensa multidão, uma figueira seca novamente frutificou. Tudo que esse homem realizou eu também realizei e, todavia, não me crucificaram.

Oscar Wilde

The Master

          Now when the darkness came over the earth Joseph of Arimathea, having lighted a torch of pinewood, passed down from the hill into the valley. For he had business in his own home.
          And kneeling on the flint stones of the Valley of Desolation he saw a young man who was naked and weeping. His hair was the colour of honey, and his body was as a white flower, but he had wounded his body with thorns and on his hair had he set ashes as a crown.
          And he who had great possessions said to the young man who was naked and weeping, 'I do not wonder that your sorrow is so great, for surely He was a just man.'
          And the young man answered, 'It is not for Him that I am weeping, but for myself. I too have changed water into wine, and I have healed the leper and given sight to the blind. I have walked upon the waters, and from the dwellers in the tombs I have cast out devils. I have fed the hungry in the desert where there was no food, and I have raised the dead from their narrow houses, and at my bidding, and before a great multitude, of people, a barren fig-tree withered away. All things that this man has done I have done also. And yet they not crucified me.”
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Oscar Wilde: Poemas em Prosa e Salomé, Tradução de Dilermando Duarte Cox, Introdução de Walmir Ayala e Ilustrações de Aubrey Beardsley, Clássicos de Bolso Ediouro 90368, sem data, Editora Tecnoprint, Rio de Janeiro — RJ; Oscar Wilde (1854 1900), irlandês de Dublin, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, estudou no Trinity College Dublin e na Universidade de Oxford, desde jovem falava fluentemente o francês e o alemão, foi poeta, dramaturgo, contista, novelista, romancista e jornalista; desde 1879 passou a viver em Londres; em 1895, Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor e homossexualismo, apesar de inúmeras intervenções por clemência vindas de setores progressistas e dos mais importantes círculos literários da Europa e, por consequência, teve seus livros recolhidos e suas comédias retiradas de cartaz; obras: Poems (coletânea de poesias publicadas em periódicos e revistas durante o tempo da faculdade, 1881), The Happy Prince and Other Stories (O Príncipe Feliz e Outros Contos, 1888), A House of Pomegranates (Uma Casa de Romãs, contos, 1891), The Picture of Dorian Gray (O Retrato de Dorian Gray, romance, 1891), Salome (Salomé, tragédia em um ato, 1891), The Importance of Being Earnest (peça teatral cômica, 1895), The Balad of Reading Gaol (A Balada do Cárcere de Reading, poema escrito na prisão, 1896), De Profundis (longa carta a Lord Alfred Douglas, escrita da prisão, primeira publicação em 1897) e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia.

domingo, 3 de outubro de 2021

Oscar Wilde: O Artista

 
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[traduzido por Dilermando Duarte Cox]

          Um dia, despertou-lhe na alma o desejo de esculpir uma estátua do Prazer que dura um instante. E partiu pelo mundo, à procura do bronze, porque ele só podia trabalhar o bronze. Mas todo o bronze existente no mundo havia desaparecido e em nenhuma parte o metal seria encontrado, a não ser na estátua da Dor que é permanente.
          E fora ele que, com as próprias mãos fundira essa estátua, erigindo-a no túmulo de alguém a quem muito amara na vida. E na tumba da morta, que tanto amara, colocou a própria criação, como um símbolo do amor masculino, que é imortal, e a dor humana, que dura a vida inteira.
          E, em todo o mundo, não havia bronze a não ser o dessa estátua.
          Ele então, retirou a estátua que moldara, pô-la num grande forno, deixando-a derreter-se.
          E, com o bronze da estátua da Dor que é permanente, fundiu a do Prazer que dura um instante.

Oscar Wilde

The Artist

          One evening there came into his soul the desire to fashion an image of The Pleasure that abideth for a Moment. And he went forth into the world to look for bronze. For he could only think in bronze.
          But all the bronze of the whole world had disappeared, nor anywhere in the whole world was there any bronze to be found, save only the bronze of the image of The Sorrow that endureth for Ever.
          Now this image he had himself, and with his own hands, fashioned, and had set it on the tomb of the one thing he had loved in life. On the tomb of the dead thing he had most loved had he set this image of his own fashioning, that it might serve as a sign of the love of man that dieth not, and a symbol of the sorrow of man that endureth for ever. And in the whole world there was no other bronze save the bronze of this image.
          And he took the image he had fashioned, and set it in a great furnace, and gave it to the fire.
          And out of the bronze of the image of The Sorrow that endureth for Ever he fashioned an image of The Pleasure that abideth for a Moment.
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Oscar Wilde: Poemas em Prosa e Salomé, Tradução de Dilermando Duarte Cox, Introdução de Walmir Ayala e Ilustrações de Aubrey Beardsley, Clássicos de Bolso Ediouro 90368, sem data, Editora Tecnoprint, Rio de Janeiro — RJ; Oscar Wilde (1854 1900), irlandês de Dublin, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, estudou no Trinity College Dublin e na Universidade de Oxford, desde jovem falava fluentemente o francês e o alemão, foi poeta, dramaturgo, contista, novelista, romancista e jornalista; desde 1879 passou a viver em Londres; em 1895, Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor e homossexualismo, apesar de inúmeras intervenções por clemência vindas de setores progressistas e dos mais importantes círculos literários da Europa e, por consequência, teve seus livros recolhidos e suas comédias retiradas de cartaz; suas obras: Poems (coletânea de poesias publicadas em periódicos e revistas durante o tempo da faculdade, 1881), The Happy Prince and Other Stories (O Príncipe Feliz e Outros Contos, 1888), A House of Pomegranates (Uma Casa de Romãs, contos, 1891), The Picture of Dorian Gray (O Retrato de Dorian Gray, romance, 1891), Salome (Salomé, tragédia em um ato, 1891), The Importance of Being Earnest (peça teatral cômica, 1895), The Balad of Reading Gaol (A Balada do Cárcere de Reading, poema escrito na prisão, 1896), De Profundis (longa carta a Lord Alfred Douglas, escrita da prisão, primeira publicação em 1897) e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia.

domingo, 8 de agosto de 2021

Oscar Wilde: O Semeador do Bem

 
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[traduzido por Dilermando Duarte Cox]

          Era noite e ele estava só.
          Lobrigou, à distância, as muralhas de uma grande cidade e para ela se dirigiu. E, quando se aproximou, ouviu dentro da cidade o tropel dos folguedos, o alarido da alegria e o ruído ensurdecedor de muitos alaúdes. E Ele bateu no portão e os guardas abriram-lho.
          E Ele viu uma casa de mármore, com belas colunas de mármore à sua frente. As colunas estavam adornadas de guirlandas e quer fora, quer no interior, ardiam tochas de cedro. Ele entrou na casa.
          E, quando cruzou o vestíbulo de calcedônias, o de jaspe e atingiu o salão dos festins, viu estendido sobre um leito de púrpura marinha um homem cujos cabelos estavam coroados de rosas vermelhas e os lábios rubros manchados de vinho. E Ele aproximou-se por detrás, tocou-lhe as costas, dizendo-lhe:
           Por que viveis assim?
          O jovem, voltando-se, reconheceu-O e respondeu-Lhe:
           Eu era leproso e vós me curastes. Como iria viver?
          Ele deixou a casa e voltou à rua. Pouco depois, viu uma mulher cujo rosto e trajes eram coloridos e cujos pés estavam recamados de pérolas. Atrás dela, cauteloso como um caçador, caminhava um jovem usando túnica de duas cores. O rosto da mulher era tão belo como o rosto de um ídolo e os olhos do jovem faiscavam de sua sensualidade.
          Ele, rapidamente, seguiu o jovem e tocando-lhe na mão, indagou:
           Por que olhais para essa mulher de tal maneira?
          O jovem, voltando-se, reconheceu-O e retrucou-Lhe:
           Eu era cego e vós me restituístes a vista. A quem mais eu poderia olhar.
          Ele correu para diante e tocando no vestido colorido da mulher perguntou-lhe:
           Não há outro caminho para trilhardes que não seja o do pecado?
          A mulher voltou-se e reconhecendo-O, replicou-Lhe:
           Vós perdoastes os meus pecados e este é um caminho agradável.
          Ele, então, afastou-se da cidade. E, quando a deixava, deparou-se-lhe à beira da estrada um jovem a chorar. Aproximou-se, e, tocando nas longas madeixas dos seus cabelos, perguntou-lhe:
           Por que chorais?
          O jovem ergueu os olhos e reconhecendo-O, respondeu-Lhe:
           Eu estava morto e vós me ressuscitastes. Que farei agora senão chorar?

Oscar Wilde

The Doer of Good

          It was night-time and He was alone.
          And He saw afar-off the walls of a round city and went towards the city.
          And when He came near He heard within the city the tread of the feet of joy, and the laughter of the mouth of gladness and the loud noise of many lutes. And He knocked at the gate and certain of the gate-keepers opened to Him.
          And He beheld a house that was of marble and had fair pillars of marble before it. The pillars were hung with garlands, and within and without there were torches of cedar. And He entered the house.
          And when He had passed through the hall of chalcedony and the hall of jasper, and reached the long hall of feasting, He saw lying on a couch of sea-purple one whose hair was crowned with red roses and whose lips were red with wine.
          And He went behind him and touched him on the shoulder and said to him, 'Why do you live like this?'
          And the young man turned round and recognised Him, and made answer and said, 'But I was a leper once, and you healed me. How else should I live?'
          And He passed out of the house and went again into the street.
          And after a little while He saw one whose face and raiment were painted and whose feet were shod with pearls. And behind her came, slowly as a hunter, a young man who wore a cloak of two colours. Now the face of the woman was as the fair face of an idol, and the eyes of the young man were bright with lust.
          And He followed swiftly and touched the hand of the young man and said to him, 'Why do you look at this woman and in such wise?'
          And the young man turned round and recognised Him and said, 'But I was blind once, and you gave me sight. At what else should I look?'
          And He ran forward and touched the painted raiment of the woman and said to her, 'Is there no other way in which to walk save the way of sin?'
          And the woman turned round and recognised Him, and laughed and said, 'But you forgave me my sins, and the way is a pleasant way.'
          And He passed out of the city.
          And when He had passed out of the city He saw seated by the roadside a young man who was weeping.
          And He went towards him and touched the long locks of his hair and said to him, 'Why are you weeping?'
          And the young man looked up and recognised Him and made answer, 'But I was dead once, and you raised me from the dead. What else should I do but weep?'
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Oscar Wilde: Poemas em Prosa e Salomé, Tradução de Dilermando Duarte Cox, Introdução de Walmir Ayala e Ilustrações de Aubrey Beardsley, Clássicos de Bolso Ediouro 90368, sem data, Editora Tecnoprint, Rio de Janeiro — RJ; Oscar Wilde (1854 1900), irlandês de Dublin, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, estudou no Trinity College Dublin e na Universidade de Oxford, desde jovem falava fluentemente o francês e o alemão, foi poeta, dramaturgo, contista, novelista, romancista e jornalista; desde 1879 passou a viver em Londres; em 1895, Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor e homossexualismo, apesar de inúmeras intervenções por clemência vindas de setores progressistas e dos mais importantes círculos literários da Europa e, por consequência, teve seus livros recolhidos e suas comédias retiradas de cartaz; obras: Poems (coletânea de poesias publicadas em periódicos e revistas durante o tempo da faculdade, 1881), The Happy Prince and Other Stories (O Príncipe Feliz e Outros Contos, 1888), A House of Pomegranates (Uma Casa de Romãs, contos, 1891), The Picture of Dorian Gray (O Retrato de Dorian Gray, romance, 1891), Salome (Salomé, tragédia em um ato, 1891), The Importance of Being Earnest (peça teatral cômica, 1895), The Balad of Reading Gaol (A Balada do Cárcere de Reading, poema escrito na prisão, 1896), De Profundis (longa carta a Lord Alfred Douglas, escrita da prisão, primeira publicação em 1897) e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Oscar Wilde: O Discípulo

 
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[traduzido por Dilermando Duarte Cox]

          Quando Narciso morreu, a taça de água doce que era o lago dos seus prazeres, converteu-se em taça de lágrimas amargas e as Oréadas vieram carpindo pelos bosques a fim de cantar para ele, consolando-o.
          E, quando perceberam que o lago se transmudara de taça de água doce noutra de lágrimas amargas, desgrenharam as tranças verdes dos seus cabelos e disseram:
           Não nos admiramos de que pranteeis Narciso dessa maneira. Ele era tão belo!
           Narciso era belo? indagou o lago.
           Quem sabe melhor do que vós? responderam as Oréadas. Ao cortejar-vos, ele nos desprezava, debruçado às vossas margens mirando-vos, e, no espelho de vossas águas, contemplava a própria beleza.
          E o lago retrucou:
           Eu amava Narciso porque, quando ele se debruçava sobre as minhas margens para contemplar-me, eu via sempre refletir-se no espelho dos seus olhos a minha própria beleza.

Oscar Wilde

The Disciple

          When Narcissus died the pool of his pleasure changed from a cup of sweet Waters into a cup of salt tears, and the Oreads came weeping through the woodland that they might sing to the pool and give it comfort.
          And when they saw that the pool had changed from a cup of sweet Waters into a cup of salt tears, they loosened the green tresses of their hair and cried to the pool and said, ‘We do not wonder that you should mourn in this manner for Narcissus, so beautiful was he.’
          ‘But was Narcissus beautiful?’ said the pool.
          ‘Who should know that better than you?’ answered the Oreads. ‘Us did he ever pass by, but you he sought for, and would lie on your banks and look down at you, and in the mirror of your Waters he would mirror his own beauty.’
          And the pool answered, ‘But I loved Narcissus because, as he lay on my banks and looked down at me, in the mirror of his eyes I saw ever my own beauty mirrored.’
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Oscar Wilde: Poemas em Prosa e Salomé, Tradução de Dilermando Duarte Cox, Introdução de Walmir Ayala e Ilustrações de Aubrey Beardsley, Clássicos de Bolso Ediouro 90368, sem data, Editora Tecnoprint, Rio de Janeiro — RJ; Oscar Wilde (1854 1900), irlandês de Dublin, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, estudou no Trinity College Dublin e na Universidade de Oxford, desde jovem falava fluentemente o francês e o alemão, foi poeta, dramaturgo, contista, novelista, romancista e jornalista; desde 1879 passou a viver em Londres; em 1895, Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor e homossexualismo, apesar de inúmeras intervenções por clemência vindas de setores progressistas e dos mais importantes círculos literários da Europa e, por consequência, teve seus livros recolhidos e suas comédias retiradas de cartaz; obras: Poems (coletânea de poesias publicadas em periódicos e revistas durante o tempo da faculdade, 1881), The Happy Prince and Other Stories (O Príncipe Feliz e Outros Contos,1888), A House of Pomegranates (Uma Casa de Romãs, contos, 1891), The Picture of Dorian Gray (O Retrato de Dorian Gray, romance, 1891), Salome (Salomé, tragédia em um ato, 1891), The Importance of Being Earnest (peça teatral cômica, 1895), The Balad of Reading Gaol (A Balada do Cárcere de Reading, poema escrito na prisão, 1896), De Profundis (longa carta a Lord Alfred Douglas, escrita da prisão, primeira publicação em 1897) e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Lêdo Ivo: Soneto ao Tempo

tesco aqui: 2016
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Por ser tempo, é que o tempo não me basta
e se escoa, cantante, pelas margens
da vida feita de água que o arrasta
para o mal-entendido das viagens.
E leva tudo em seu roldão, deixando
perdido o tempo achado, como a fonte
se perde no existir, e vai cantando
entre as pedras e os bosques do horizonte.
Quadrante do real, ó velho espelho
dos dias, debruçado em ti, me vejo
igual e diferente, moço e velho,
sonho a que me assemelho no desejo.
        E o tempo, eternidade decaída,
        é meu contemporâneo, sendo a vida.

Morre escritor e poeta alagoano Lêdo Ivo aos 88 anos - Jornal O Globo
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Antologia Poética — Coleção Prestígio, Lêdo Ivo, Seleção de Walmir Ayala e Introdução de Antônio Carlos Villaça, 1990, Ediouro — Editora Tecnoprint S.A., Rio de Janeiro — RJ; Lêdo Ivo (1924 2012), alagoano de Maceió, foi jornalista, poeta, romancista, contista, cronista, ensaísta e tradutor; em 1943, mudando-se para o Rio de Janeiro, formou-se em Direito na Faculdade Nacional de Direito hoje UFRJ , passou a colaborar com suplementos literários e a trabalhar como jornalista; bibliografia: em poesia, As Imaginações (1944), Ode e Elegia (1945), Acontecimento do Soneto (1948), Ode ao Crepúsculo (1948), Calabar (1985), Mar Oceano (1987), Crepúsculo Civil (1990), Curral de Peixe (1997) e outros; em prosa, As Alianças (romance, 1947), O Caminho Sem Aventura (romance, 1948), Lição de Mário de Andrade (ensaio, 1951), O Preto no Branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira (ensaio, 1955), A Cidade e os Dias (crônicas, 1957), Raimundo Correia: poesia (ensaio apresentação, seleção e notas, 1958), Use a Passagem Subterrânea (contos, 1961), O Sobrinho do General (romance, 1964), O Flautim (contos, 1966), O Navio Adormecido no Bosque (crônicas, 1971), Ninho de Cobras (romance, 1973), Modernismo e Modernidade (ensaio, 1972), Teoria e Celebração (ensaio, 1976), Confissões de um poeta (autobiografia, 1979), A Ética da Aventura (ensaio, 1982), O Canário Azul (infanto-juvenil, 1990), O aluno relapso (autobiografia, 1991), O Menino da Noite (infanto-juvenil, 1995), e tantos outros títulos em verso ou prosa, além de ter seus poemas e contos editados em muitas antologias literárias; o autor, que obteve diversas premiações literárias, teve obras vertidas para o espanhol, italiano, inglês, holandês, francês e sueco e, por sua vez, traduziu Austen, Maupassant, Rimbaud e Dostoievski.