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Pousa junto ao pomar, ao sol
morrente,
Pássaro negro de plumagem feia.
E lá se queda, como que se enleia
Horas a fio misteriosamente...
À proporção que a lâmpada cadente
Do sol crepuscular mal bruxuleia,
Que estranhas coisas íntimas
gorjeia
O solitário intérprete do Poente!
Ouvindo-lhes os prelúdios da
linguagem,
Corre o verde nervoso da folhagem
Todo um vivo tremor de calafrio.
Voa. Enoitece. Num silêncio de
Horto
Como que o bosque continua absorto
Nos trêmulos do pássaro sombrio...
(Solitudes, pág. 205)
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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro
— Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução,
Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura
— Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Antônio Joaquim Pereira da Silva (1876 — 1944), paraibano
de Araruna, aos 14 anos foi matriculado no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro,
começou a trabalhar na Estrada de Ferro Central do Brasil, ingressou na Escola Militar
da Praia Vermelha, formou-se em Direito, foi promotor público, jornalista, crítico
literário e poeta; desiludindo-se da vocação jurídica, pediu exoneração da Promotoria
e passou a se dedicar plenamente ao jornalismo; trabalhou como crítico literário
nos jornais cariocas A Cidade do Rio, Gazeta de Notícias, Época, Jornal do Commercio
e, depois, em A Noite, além de ter publicado nas revistas Mundo Literário, Rua do
Ouvidor e outras; participou do grupo simbolista que criou a revista Rosa-Cruz,
divulgadora deste movimento literário; escreveu e publicou Vae Soli! (1903), Solitudes
(1918), Beatitudes (1919), Holocausto (1921), O pó das sandálias (1923), Senhora
da Melancolia (1928), Alta Noite (1940), Poemas Amazônicos (publicação póstuma,
1958); o poeta é patrono da Academia Paraibana de Letras — cadeira 34 e pertenceu à ABL — Academia Brasileira de Letras.





