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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Gilberto Mendonça Teles: O Funcionário

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Entre papéis e letras
na rotina do ofício
(e telegrama), assisto
à fossilização
de meus dedos na mesa.

(Morreu o tempo aqui.
Aqui se justificam
as mais absurdas lendas
de eternidade e tédio:
as horas se despiram
do suave segredo
de seu encantamento,
e já não há mais ponto
para a conversa lírica
dos atores, no palco
da vida funcionária.)

As mãos passeiam gordas
seus cachorros na mesa
de plástico ou verniz.
Que pássaro se oculta
nesta paisagem erma?
que vento acaso tímido
brincará nestas árvores
rasteiras? que distância,
que horizonte sem éter
devolverá meu grito?

Uivam unhas-de-fome
nos processos possessos
de despachos rotundos
à consideração
de olhares silenciosos.
Mas flor alguma (ou flora)
considera a atonia
da máquina dinâmica,
(Que imprevisto rodeia
o telefone?)

Os dedos continuam
a caça sem acaso.
São cabos de tormenta,
adamastores, simples
traços esferográficos
em rubricas inúteis.
Potros que se desligam
de seu mister sereno
de garanhões enxutos
amando nas pastagens.

Pálidos polvos plásticos
nas cavernas da mesa,
moluscos que se encolhem
nas esponjas de nylon
e distendem molhados
gestos vagos de angústia.

Meus dedos se cansaram
dos contatos de sempre.
Já não desenham plantas
nas páginas desertas,
nem cavalgam no dorso
das frases mais rebeldes,
apenas, conformados,
se trancam sonolentos
nas grades dos chavões
que, neste ensejo, parto
em mil pequenas partes
de protestos de estima
e consideração
à vida que se perde.

(Pássaro de Pedra — 1962)

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Gilberto Mendonça Teles — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Introdução de Luiz Busatto, 2007, Global Editora, São Paulo — SP; Gilberto Mendonça Teles, (1931 — 2024), goiano de Bela Vista de Goiás, formou-se em Direito e Letras Neolatinas pelas UFG e UCG (universidades Federal e Católica de Goiás) e doutorou-se em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra Portugal, foi professor universitário, poeta, ensaísta e crítico literário; lecionou Literatura Brasileira em universidades no exterior (Uruguai, Portugal, França [Rennes e Nantes], Estados Unidos [Chicago], e Espanha [Salamanca]), escreveu e publicou mais de 50 títulos em poesia, ensaios e crítica; suas obras: poesias: Alvorada (1955), Estrela d'Alva (1956), Fábula de Fogo (1961), Pássaro de Pedra (1962), Sonetos do Azul sem Tempo (1964), Sintaxe Invisível (1967), A Raiz da Fala (1972), Arte de Armar (1977), Plural de Nuvens (1984), Hora Aberta (3ª edição aumentada de Poemas Reunidos [1ª edição em 1978] + outros textos, partituras de poemas musicados, gravuras de capas dos livros anteriores, 1986), ensaios e críticas: Goiás e Literatura — A Poesia de Leo Lynce e o sentido simbolista da obra poética de Erico Curado (1964), A Poesia em Goiás (1964), O Conto Brasileiro em Goiás (1969), Drummond — A Estilística da Repetição (1970), Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (1972 e 1976 edição revista e aumentada), Camões e a Poesia Brasileira (1973), Retórica do Silêncio (1979), Estudos de Poesia Brasileira (1985), A Escrituração da Escrita (1996), Contramargem (2002) e outros títulos em verso, prosa e poesia visual, edições e reedições; Gilberto Mendonça Teles foi múltiplas vezes premiado por sua atividade literária, entre os quais o Prêmio Silvio Romero (da ABL Academia Brasileira de Letras, por Drummond — A Estilística da Repetição, 1970), Prêmio Olavo Bilac (da ABL, por A Raiz da Fala, obra então inédita, 1971), Prêmio Machado de Assis (da ABL, por Hora Aberta — 3ª edição aumentada... e pelo conjunto da obra, 1989), Troféu Juca Pato (da UBE União Brasileira dos Escritores [patrocinado pela Folha de São Paulo], Intelectual do Ano, por Contramargem2002), etc., e foi reconhecido também fora do país, com obras vertidas para outras línguas e publicadas no exterior.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Gilberto Mendonça Teles: O anzol

 
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Nesse anzol de chumbo
nesse anzol de prata
passeias no fundo
do sono das águas

onde o próprio rio
já não tem mais pressa
de ser rio e é triste
por ser mais secreto.

Nesse anzol surpreso
numa linha larga
afinal espreitas
o fluir das águas

e o sentido obscuro
que rola submerso
te fala de um surdo
existir de objetos.

Fingindo silêncio
e demais astúcia
vais medindo o tempo
na raiz da espuma

e no leito verde
teu olhar de vidro
se embebe no leve
rolar dos resíduos.

No íntimo contato
desse corpo líquido
na ausência de lado
para mais carícia

tens a plenitude
das águas e – dentro –
tua língua é inútil
peixe se escondendo.

Pois nessa água escura
(ou nessa água clara)
não há mais discurso
senão o que fala

pelo som das pedras
pela voz do acaso
pelo sortilégio
de alguma palavra

que vibra surpresa
mas fria e calada
como baioneta
como peixe-espada.

A Raiz da Fala (1972)

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Gilberto Mendonça Teles — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Introdução de Luiz Busatto, 2007, Global Editora, São Paulo — SP; Gilberto Mendonça Teles (1931 2024), goiano de Bela Vista de Goiás, formou-se em Direito e Letras Neolatinas pelas UFG e UCG (universidades Federal e Católica de Goiás) e doutorou-se em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra Portugal, foi professor universitário, poeta, ensaísta e crítico literário; lecionou Literatura Brasileira em universidades no exterior (Uruguai, Portugal, França [Rennes e Nantes], Estados Unidos [Chicago], e Espanha [Salamanca]), escreveu e publicou mais de 50 títulos em poesia, ensaios e crítica; suas obras: poesias: Alvorada (1955), Estrela d'Alva (1956), Fábula de Fogo (1961), Pássaro de Pedra (1962), Sonetos do Azul sem Tempo (1964), Sintaxe Invisível (1967), A Raiz da Fala (1972), Arte de Armar (1977), Plural de Nuvens (1984), Hora Aberta (3ª edição aumentada de Poemas Reunidos [1ª edição em 1978] + outros textos, partituras de poemas musicados, gravuras de capas dos livros anteriores, 1986), Álibis (2001), ensaios e críticas: Goiás e Literatura — A Poesia de Leo Lynce e o sentido simbolista da obra poética de Erico Curado (1964), A Poesia em Goiás (1964), O Conto Brasileiro em Goiás (1969), Drummond — A Estilística da Repetição (1970), Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (1972 e 1976 edição revista e aumentada), Camões e a Poesia Brasileira (1973), Retórica do Silêncio (1979), Estudos de Poesia Brasileira (1985), A Escrituração da Escrita (1996), Contramargem (2002) e outros títulos em verso, prosa e poesia visual, edições e reedições; Gilberto Mendonça Teles foi múltiplas vezes premiado por sua atividade literária, entre os quais o Prêmio Silvio Romero (da ABL Academia Brasileira de Letras, por Drummond — A Estilística da Repetição, 1970), Prêmio Olavo Bilac (da ABL, por A Raiz da Fala, obra então inédita, 1971), Prêmio Machado de Assis (da ABL, por Hora Aberta — 3ª edição aumentada... e pelo conjunto da obra, 1989), Troféu Juca Pato (da UBE União Brasileira dos Escritores [patrocinado pela Folha de São Paulo], Intelectual do Ano, por Contramargem, 2002), etc., e foi reconhecido também fora do país, com obras vertidas para outras línguas e publicadas no exterior.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Gilberto Mendonça Teles: Os pós modernos

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A Tereza Callado

Entrar nalgum jardim, ser o que se sabe
granular a romã ou qualquer fruta:
não desistir jamais se o amor não cabe
na forma absoluta.

Percorrer os espaços, na ruptura
da linha só visível quando eterna,
para gozar a estranha arquitetura
da coisa pós-moderna.

Também o cotidiano é velho e novo
e a ponta do prazer tem seus venenos:
é preciso tatear no estilo ab ovo,
as curvas dos terrenos:

O importante é fingir os quiproquós
e transformar o corpo em ready-made:
ser um pinguim descongelando os pós
do tempo na parede.

Mergulhado no tédio ou no intervalo,
sem a continuidade dos infernos,
o vício da poesia dói no calo
de tantos pós modernos.

o pó-de-mico e seu fuxico
o pó-de-traque e seu sotaque
o pó-de-goma e seu idioma
o pó-de-arroz e seu depois
e além do estratagema
a droga do poema.

E sair do jardim, homem que trinca
a pele da palavra numa gruta
sabendo que a beleza mais longínqua
é sempre devoluta.

(Álibis — 2001), em Hora Aberta.
Poemas Reunidos (4ª edição, 2003)

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Gilberto Mendonça Teles — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Introdução de Luiz Busatto, 2007, Global Editora, São Paulo — SP; Gilberto Mendonça Teles (1931 2024), goiano de Bela Vista de Goiás, formou-se em Direito e Letras Neolatinas pelas UFG e UCG (universidades Federal e Católica de Goiás) e doutorou-se em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra Portugal, foi professor universitário, poeta, ensaísta e crítico literário; lecionou Literatura Brasileira em universidades no exterior (Uruguai, Portugal, França [Rennes e Nantes], Estados Unidos [Chicago], e Espanha [Salamanca]), escreveu e publicou mais de 50 títulos em poesia, ensaios e crítica; suas obras: poesias: Alvorada (1955), Estrela d'Alva (1956), Fábula de Fogo (1961), Pássaro de Pedra (1962), Sonetos do Azul sem Tempo (1964), Sintaxe Invisível (1967), A Raiz da Fala (1972), Arte de Armar (1977), Plural de Nuvens (1984), Hora Aberta (3ª edição aumentada de Poemas Reunidos [1ª edição em 1978] + outros textos, partituras de poemas musicados, gravuras de capas dos livros anteriores, 1986), Álibis (2001), ensaios e críticas: Goiás e Literatura — A Poesia de Leo Lynce e o sentido simbolista da obra poética de Erico Curado (1964), A Poesia em Goiás (1964), O Conto Brasileiro em Goiás (1969), Drummond — A Estilística da Repetição (1970), Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (1972 e 1976 edição revista e aumentada), Camões e a Poesia Brasileira (1973), Retórica do Silêncio (1979), Estudos de Poesia Brasileira (1985), A Escrituração da Escrita (1996), Contramargem (2002) e outros títulos em verso, prosa e poesia visual, edições e reedições; Gilberto Mendonça Teles foi múltiplas vezes premiado por sua atividade literária, entre os quais o Prêmio Silvio Romero (da ABL Academia Brasileira de Letras, por Drummond — A Estilística da Repetição, 1970), Prêmio Olavo Bilac (da ABL, por A Raiz da Fala, obra então inédita, 1971), Prêmio Machado de Assis (da ABL, por Hora Aberta — 3ª edição aumentada... e pelo conjunto da obra, 1989), Troféu Juca Pato (da UBE União Brasileira dos Escritores [patrocinado pela Folha de São Paulo], Intelectual do Ano, por Contramargem, 2002), etc., e foi reconhecido também fora do país, com obras vertidas para outras línguas e publicadas no exterior.

sábado, 19 de dezembro de 2020

Gilberto Mendonça Teles: Letra

Melhores Poemas Gilberto Mendonça Teles: seleção e prefácio: Luiz ...
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Desculpa o tanto que te fiz de mal
e esquece tudo o que te fiz de bem.
Desculpa o meu amor tão natural
e que por ser assim foi mais além.

E te deu essa forma de horizon–
te que se abre nas lâminas de abril,
sempre tentando aproveitar o tom
das nuvens roxas para o teu perfil.

E num giro de luz (lua e farol)
anoiteceu teu corpo sem nenhum
sinal que revelasse o girassol
da tua imagem no falar comum.

E da raiz mais limpa da manhã
foi recolhendo a essência até da úl–
tima gota de orvalho, neste afã
de te dar sempre a gota mais azul.

E amou teu nome de silêncio e mel
e amou teu canto de distância e fim.
Esquece agora quem te foi fiel,
desculpa o tanto que te dei de mim.

Arte de Armar (1977)

Gilberto Mendonça Teles lança livro com 111 entrevistas
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Gilberto Mendonça Teles — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Introdução de Luiz Busatto, 2007, Global Editora, São Paulo — SP; Gilberto Mendonça Teles, nascido em 1931, goiano de Bela Vista de Goiás, formado em Direito e Letras Neolatinas pelas UFG e UCG (Universidades Federal e Católica de Goiás) e com doutorado em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra Portugal, professor, poeta e crítico literário, é detentor de uma vasta bibliografia em poesias, Alvorada (1955), Estrela d'Alva (1956), Fábula de Fogo (1958), Pássaro de Pedra (1962), Sintaxe Invisível (1967), A Raiz da Fala (1972), Arte de Armar (1977), Plural de Nuvens (1984), e outros títulos editados e reeditados, além de ensaios, Goiás e Literatura — A Poesia de Leo Lynce e o sentido simbolista da obra poética de Erico Curado (1964), A Poesia em Goiás (1964), O Conto Brasileiro em Goiás (1969), Drummond — A Estilística da Repetição (1970), Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (1972 e 1976 edição revista e aumentada), Camões e a Poesia Brasileira (1973), A Retórica do Silêncio (1979), Estudos de Poesia Brasileira (1985), A Escrituração da Escrita (1996) etc.; o poeta e ensaísta, diversas vezes premiado por sua atividade literária, também é reconhecido fora do país, com livros vertidos para outras línguas e publicados no exterior.

sábado, 28 de novembro de 2020

Gilberto Mendonça Teles: Linha d'água

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Nos ermos e fraturas do projeto,
nos trechos e apetrechos do silêncio,
construo as teorias e os desertos
permeáveis à chuva que te inventa,
artesiana e sutil, fluxo e reflexo,
luz de cristal pelo subsolo, centro
de formas disfarçadas pelo inverso
dos lençóis que te cobrem de argumento.
No sal das erosões, no sol, na pedra,
no som que vai polindo esta palavra
como um fóssil na areia do estuário,
destruo o teu perfil de foz e delta
e te reprimo sob a linha-d'água
como uma sombra impressa no papel.

Arte de Armar (1977)

Gilberto Mendonça Teles - Página inicial | Facebook
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Gilberto Mendonça Teles — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Introdução de Luiz Busatto, 2007, Global Editora, São Paulo — SP; Gilberto Mendonça Teles, nascido em 1931, goiano de Bela Vista de Goiás, formado em Direito e Letras Neolatinas pelas UFG e UCG (Universidades Federal e Católica de Goiás) e com doutorado em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra Portugal, professor, poeta e crítico literário, é detentor de uma vasta bibliografia em poesias, Alvorada (1955), Estrela d'Alva (1956), Fábula de Fogo (1958), Pássaro de Pedra (1962), Sintaxe Invisível (1967), A Raiz da Fala (1972), Arte de Armar (1977), Plural de Nuvens (1984), e outros títulos editados e reeditados, além de ensaios, Goiás e Literatura — A Poesia de Leo Lynce e o sentido simbolista da obra poética de Erico Curado (1964), A Poesia em Goiás (1964), O Conto Brasileiro em Goiás (1969), Drummond — A Estilística da Repetição (1970), Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (1972 e 1976 edição revista e aumentada), Camões e a Poesia Brasileira (1973), A Retórica do Silêncio (1979), Estudos de Poesia Brasileira (1985), A Escrituração da Escrita (1996) etc.; o poeta e ensaísta, diversas vezes premiado por sua atividade literária, também é reconhecido fora do país, com livros vertidos para outras línguas e publicados no exterior.

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Gilberto Mendonça Teles: Vestígios

Melhores Poemas Gilberto Mendonça Teles - Livro - Global Editora
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São vestígios remotos, liquefeitos
na extensão da memória irrevelada.
São lembranças longínquas, são brinquedos
feitos de nuvens feitas de fumaça.
Tudo o que fui e que o passado esmaga
são gestos que se contam no segredo
que a vida não devolve, mas retrata
em negativos de retratos pretos.
No fim do que serei não se projeta
a treva do que sou. Desiludidas,
as esperanças dormem como pedras.
Mas apesar de tudo há o silêncio
e há sombras que navegam transitivas
pela planície do meu sonho imenso.

Planície (1958)

Gilberto Mendonça Teles - Página inicial | Facebook
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Gilberto Mendonça Teles — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Introdução de Luiz Busatto, 2007, Global Editora, São Paulo — SP; Gilberto Mendonça Teles, nascido em 1931, goiano de Bela Vista de Goiás, formado em Direito e Letras Neolatinas pelas UFG e UCG (Universidades Federal e Católica de Goiás) e com doutorado em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra Portugal, professor, poeta e crítico literário, é detentor de uma vasta bibliografia em poesias, Alvorada (1955), Estrela d'Alva (1956), Fábula de Fogo (1958), Pássaro de Pedra (1962), Sintaxe Invisível (1967), A Raiz da Fala (1972), Arte de Armar (1977), Plural de Nuvens (1984), e outros títulos editados e reeditados, além de ensaios, Goiás e Literatura — A Poesia de Leo Lynce e o sentido simbolista da obra poética de Erico Curado (1964), A Poesia em Goiás (1964), O Conto Brasileiro em Goiás (1969), Drummond — A Estilística da Repetição (1970), Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (1972 e 1976 edição revista e aumentada), Camões e a Poesia Brasileira (1973), A Retórica do Silêncio (1979), Estudos de Poesia Brasileira (1985), A Escrituração da Escrita (1996) etc.; o poeta e ensaísta, diversas vezes premiado por sua atividade literária, também é reconhecido fora do país, com livros vertidos para outras línguas e publicados no exterior.

sábado, 29 de agosto de 2020

Gilberto Mendonça Teles: Parlenda

Melhores Poemas Gilberto Mendonça Teles - Livro - Global Editora
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Meu amor, cadê o doce
que estava aqui no meu prato?
cadê a fruta que eu trouxe?
cadê o pulo do gato?

Cadê o mato e seu mito?
cadê a língua de fogo?
o pingo d’água? o mosquito?
cadê as regras do jogo?

cadê a estória que a gente
ouvia sempre à noitinha?
cadê a moça de frente?
a clarineta que eu tinha?

Que é da escola? do recreio?
quéde cavalo e viagem?
quedê meu irmão do meio?
cadê seu peixe e linguagem?

E cadê meu boi barroso?
cadê a roça de milho?
cadê o corpo meloso
que só eu sei e dedilho?

Cadê o jeito da fala?
cadê o olhar de você?
cadê o canto da sala?
meu amor, cadê? cadê?

Álibis (2001)

Netos afirmam que Drummond não queria publicação de inéditos - BOL ...
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Gilberto Mendonça Teles — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Introdução de Luiz Busatto, 2007, Global Editora, São Paulo — SP; Gilberto Mendonça Teles, nascido em 1931, goiano de Bela Vista de Goiás, formado em Direito e Letras Neolatinas pelas UFG e UCG (Universidades Federal e Católica de Goiás) e com doutorado em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra Portugal, professor, poeta e crítico literário, é detentor de uma vasta bibliografia em poesias, Alvorada (1955), Estrela d'Alva (1956), Fábula de Fogo (1958), Pássaro de Pedra (1962), Sintaxe Invisível (1967), A Raiz da Fala (1972), Arte de Armar (1977), Plural de Nuvens (1984), e outros títulos editados e reeditados, além de ensaios, Goiás e Literatura — A Poesia de Leo Lynce e o sentido simbolista da obra poética de Erico Curado (1964), A Poesia em Goiás (1964), O Conto Brasileiro em Goiás (1969), Drummond — A Estilística da Repetição (1970), Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (1972 e 1976 edição revista e aumentada), Camões e a Poesia Brasileira (1973), A Retórica do Silêncio (1979), Estudos de Poesia Brasileira (1985), A Escrituração da Escrita (1996) etc.; o poeta e ensaísta, diversas vezes premiado por sua atividade literária, também é reconhecido fora do país, com livros vertidos para outras línguas e publicados no exterior.

sábado, 8 de agosto de 2020

Gilberto Mendonça Teles: Veia poética

Melhores Poemas Gilberto Mendonça Teles: seleção e prefácio: Luiz ...
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às três horas da manhã
de uma quarta-feira de cinzas
o poeta olhou mais uma vez
a árvore dourada da existência
fechou o livro da teoria
abriu as veias
e começou a escrever em silêncio
o seu poema definitivo

& Cone de Sombras (1986)

Blog do Castorp: Gilberto Mendonça Teles - O Belo
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Gilberto Mendonça Teles — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Introdução de Luiz Busatto, 2007, Global Editora, São Paulo — SP; Gilberto Mendonça Teles, nascido em 1931, goiano de Bela Vista de Goiás, formado em Direito e Letras Neolatinas pelas UFG e UCG (Universidades Federal e Católica de Goiás) e com doutorado em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra Portugal, professor, poeta e crítico literário, é detentor de uma vasta bibliografia em poesias, Alvorada (1955), Estrela d'Alva (1956), Fábula de Fogo (1958), Pássaro de Pedra (1962), Sintaxe Invisível (1967), A Raiz da Fala (1972), Arte de Armar (1977), Plural de Nuvens (1984), e outros títulos editados e reeditados, além de ensaios, Goiás e Literatura — A Poesia de Leo Lynce e o sentido simbolista da obra poética de Erico Curado (1964), A Poesia em Goiás (1964), O Conto Brasileiro em Goiás (1969), Drummond — A Estilística da Repetição (1970), Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (1972 e 1976 edição revista e aumentada), Camões e a Poesia Brasileira (1973), A Retórica do Silêncio (1979), Estudos de Poesia Brasileira (1985), A Escrituração da Escrita (1996) etc.; o poeta e ensaísta, diversas vezes premiado por sua atividade literária, também é reconhecido fora do país, com livros vertidos para outras línguas e publicados no exterior.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Gilberto Mendonça Teles: Chá das cinco

Melhores Poemas Gilberto Mendonça Teles - Livro - Global Editora
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A Jorge Amado

chá de poejo para o teu desejo
chá de alfavaca já que a carne é fraca
chá de poaia e rabo de saia
chá de erva-cidreira se ela for solteira
chá de beldroega se ela foge e nega
chá de panela para as coisas dela
chá de alecrim se ela for ruim
chá de losna se ela late ou rosna
chá de abacate se ela rosna e late
chá de sabugueiro para ser ligeiro
chá de funcho quando houver caruncho
chá de trepadeira para a noite inteira
chá de boldo se ela pedir soldo
chá de confrei se ela for de lei
chá de macela se não for donzela
chá de alho para um ato falho
chá de bico quando houver fuxico
chá de sumiço quando houver enguiço
chá de estrada se ela for casada
chá de marmelo quando houver duelo
chá de douradinha se ela for gordinha
chá de fedegoso pra mijar gostoso
chá de cadeira para a vez primeira
chá de jalapa quando for no tapa
chá de catuaba quando não se acaba
chá de jurema se exigir poema
chá de hortelã e até manhã
chá de erva-doce e acabou-se

(pelo sim pelo não
                              chá de barbatimão)

Plural de Nuvens (1984)

Ode Martins: UM POUCO DE GILBERTO MENDONÇA TELES
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Gilberto Mendonça Teles — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Introdução de Luiz Busatto, 2007, Global Editora, São Paulo — SP; Gilberto Mendonça Teles, nascido em 1931, goiano de Bela Vista de Goiás, formado em Direito e Letras Neolatinas pelas UFG e UCG (Universidades Federal e Católica de Goiás) e com doutorado em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra Portugal, professor, poeta e crítico literário, é detentor de uma vasta bibliografia em poesias, Alvorada (1955), Estrela d'Alva (1956), Fábula de Fogo (1958), Pássaro de Pedra (1962), Sintaxe Invisível (1967), A Raiz da Fala (1972), Arte de Armar (1977), Plural de Nuvens (1984), e outros títulos editados e reeditados, além de ensaios, Goiás e Literatura — A Poesia de Leo Lynce e o sentido simbolista da obra poética de Erico Curado (1964), A Poesia em Goiás (1964), O Conto Brasileiro em Goiás (1969), Drummond — A Estilística da Repetição (1970), Vanguarda Européia e Modernismo Brasileiro (1972 e 1976 edição revista e aumentada), Camões e a Poesia Brasileira (1973), A Retórica do Silêncio (1979), Estudos de Poesia Brasileira (1985), A Escrituração da Escrita (1996) etc.; o poeta e ensaísta, diversas vezes premiado por sua atividade literária, também é reconhecido fora do país, com livros vertidos para outras línguas e publicados no exterior.