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Saudade! Olhar de minha mãe rezando
E o pranto lento deslizando em fio…
Saudade! Amor da minha terra… O rio
Cantigas de águas claras soluçando.
Noites de Junho. O caburé com frio,
Ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando…
E à noite as folhas lívidas cantando
A saudade infeliz de um sol de estio.
Saudade! Asa de dor do Pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento…
Ai! mortalhas de neve sobre a serra…
Saudade! O Parnaíba — velho monge
As barbas brancas alongando… E, ao longe
O mugido dos bois da minha terra…
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Os Sonetos — Antologia: diversas autorias, Coordenação Gráfica
de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para
o Banco Lar Brasileiro S. A., L. R. Editores Ltda., São Paulo — SP; Antônio
Francisco Da Costa e Silva (1885 — 1950), piauiense de Amarante, licenciado em Direito
pela Faculdade de Recife — PE, funcionário concursado do Ministério da Fazenda,
exerceu funções públicas no governo federal e foi poeta assentado em dois períodos
literários — o Simbolismo e o Parnasianismo; de sua biografia, consta que o
próprio “dizia ter tido educação severa e ter começado a se interessar pela
poesia ainda criança”, já aos 14 anos ensinou “as primeiras letras a alguns
meninos da vizinhança”; infantolescente, também aprendeu e dedicou-se à
escultura em madeira e à pintura; aos 16 anos [1901] teve seus primeiros poemas
publicados na Revista do Grêmio Literário Amarantino; em Teresina, concluiu os
“preparatórios” no Liceu Piauiense, em 1906 seguiu para Recife — PE, fez
matrícula na Faculdade de Direito, cursou três anos, interrompeu os estudos por
força de sua aprovação em concurso e, a convite do governo federal, iniciou no
serviço público em Belo Horizonte, depois São Paulo, Rio de Janeiro, São Luis
do Maranhão, Manaus e Porto Alegre; de volta a Recife, concluiu os estudos em
Direito e se formou em 1913; teve seus textos — crônicas e crítica literária —
publicados em jornais e revistas dos locais por onde andou (entre os quais o
Correio da Manhã, O Malho, Ilustração Brasileira [do RJ], O Diário de Minas
[MG], o Estado do Amazonas [AM], o suplemento do Diário de Notícias [foi
co-diretor, RS] e outros; obras poéticas: Sangue ([coletânea de poemas escritos
entre 1902-1908], 1908), Zodíaco (1917, premiado pela Academia Brasileira de
Letras), Verhaeren ([poema/ensaio], 1917, publicado na revista Apollo), Pandora
(1919), Verônica (1927), Antologia (seleção dos livros anteriores, 1934), Poesias
Completas (coletânea póstuma e inéditos inacabados, 1950); o poeta, reconhecido
como “Príncipe dos Poetas Piauienses [1928]”, também escreveu a letra do Hino
do Piauí [1923] e foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 21 da Academia Piauiense
de Letras (1917); Da Costa e Silva, que “sempre fora franzino, frágil,
nervoso”, desde o “início de 1932”, por causas emocionais e contingências
havidas em seu cargo e no ambiente de trabalho, viu sua saúde se deteriorar,
esteve “internado, em 1933, no Sanatório Botafogo [Rio de Janeiro]” e, sem
esperanças médicas, passou seus últimos e longos 17 anos de vida com a “mente
perturbada”.
