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domingo, 2 de dezembro de 2018

Ernst Stadler: Forma é volúpia

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[traduzido por Claudia Cavalcanti]

Primeiro foi preciso forma e ferrolho arrebentarem
E por canos abertos no mundo entrarem:
Forma é volúpia, paz, divina contenção,
Mas me atrai cuidar de cada plantação.
A forma quer-me amarrar e limitar,
Mas quero meu ser pelos ares espalhar 
A forma é rigor claro e sem piedade,
Mas sou levado aos pobres, por fraternidade,
E em ilimitada eu-doação
A vida me afoga em compensação.

(1914)

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Ernst Stadler

Form ist Wollust

Form und Riegel mußten erst zerspringen,
Welt durch aufgeschlossene Röhren dringen:
Form ist Wollust, Friede, himmlisches Genügen,
Doch mich reißt es, Ackerschollen umzupflügen.
Form will mich verschnüren und verengen,
Doch ich will mein Sein in alle Weiten drängen 
Form ist klare Härte ohn’ Erbarmen,
Doch mich treibt es zu den Dumpfen, zu den Armen,
Und in grenzenlosem Michverschenken
Will mich Leben mit Erfüllung tränken.

(1914)
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Poesia Expressionista Alemão: uma antologia, Organização e Tradução de Claudia Cavalcanti, edição bilíngue ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São Paulo SP; Ernst Maria Richard Stadler (1883 1914), alemão nascido em Colmar  Alsácia, região que historicamente esteve em litígio entre o Império Austro-Húngaro e a França, hoje região administrativa da França, foi um poeta da literatura expressionista alemã; estudou germanística, romanística e linguística comparada em Estraburgo e Munique, fez pós-graduação em Oxford e foi professor em Estraburgo e também ensinou na Universidade de Bruxelas; bibliografia: Präludien (Prelúdios, poesia, 1904), Der Aufbruch (A Partida, poesias 1914) etc; traduziu obras de Balzac, Shakespeare...; em combate na primeira grande guerra, com três meses no front, foi morto vitimado por uma granada.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Ernst Stadler: A sentença

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[traduzido por Claudia Cavalcanti]

Num velho livro topei com uma palavra
Que me veio como um golpe e ainda arde em brasa:
E quando me entrego a um turvo prazer
Preferindo brilho, mentira e jogo em vez do puro ser,
Quando acho melhor com supérfluos me enganar,
Como se fosse claro o escuro, como se a vida não tivesse milhares de
portas a fechar,
E repito palavras cuja amplidão nunca senti,
E toco em coisas cujo sentido jamais resolvi,
Quando um sonho bem-vindo me acaricia com mãos de veludo
Aliviando-me do cotidiano sobretudo,
Longe do mundo, alheio ao mais profundo eu,
Então se ergue em mim a palavra: Homem, procura o teu apogeu!

(1914)

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Ernst Stadler

Der Spruch


In einem alten Buche stieß ich auf ein Wort,
Das traf mich wie ein Schlag und brennt durch meine Tage fort:
Und wenn ich mich an trübe Lust vergebe,
Schein, Lug und Spiel zu mir anstatt des Wesens hebe,
Wenn ich gefällig mich mit raschem Sinn belüge,
Als wäre Dunkles klar, als wenn nicht Leben tausend wild verschloßne
Tore trüge,
Und Worte wiederspreche, deren Weite nie ich ausgefühlt,
Und Dinge fasse, deren Sein mich niemals aufgewühlt,
Wenn mich willkommner Traum mit Sammethänden streicht,
Und Tag und Wirklichkeit von mir entweicht,
Der Welt entfremdet, fremd dem tiefsten Ich,
Dann steht das Wort mir auf: Mensch, werde wesentlich!


(1914)
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Poesia Expressionista Alemã: uma antologia, Organização e Tradução de Claudia Cavalcanti, edição bilíngue ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São Paulo  SP; Ernst Maria Richard Stadler (1883  1914), alemão nascido em Colmar  Alsácia, região que historicamente esteve em litígio entre o Império Austro-Húngaro e a França, hoje região administrativa da França, foi um poeta da literatura expressionista alemã; estudou germanística, romanística e linguística comparada em Estraburgo e Munique, fez pós-graduação em Oxford e foi professor em Estraburgo e também ensinou na Universidade de Bruxelas; bibliografia: Präludien (Prelúdios, poesia, 1904), Der Aufbruch (A Partida, poesias, 1914) etc; traduziu obras de Balzac, Shakespeare...; em combate na primeira grande guerra, com três meses no front, foi morto vitimado por uma granada.