
[traduzido por Claudia Cavalcanti]
Primeiro foi preciso forma e ferrolho arrebentarem
E por canos abertos no mundo entrarem:
Forma é volúpia, paz, divina contenção,
Mas me atrai cuidar de cada plantação.
A forma quer-me amarrar e limitar,
Mas quero meu ser pelos ares espalhar —
A forma é rigor claro e sem piedade,
Mas sou levado aos pobres, por fraternidade,
E em ilimitada eu-doação
A vida me afoga em compensação.
(1914)
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| Ernst Stadler |
Form ist Wollust
Form und Riegel mußten erst zerspringen,
Welt durch aufgeschlossene Röhren dringen:
Form ist Wollust, Friede, himmlisches Genügen,
Doch mich reißt es, Ackerschollen umzupflügen.
Form will mich verschnüren und verengen,
Doch ich will mein Sein in alle Weiten drängen —
Form ist klare Härte ohn’ Erbarmen,
Doch mich treibt es zu den Dumpfen, zu den Armen,
Und in grenzenlosem Michverschenken
Will mich Leben mit Erfüllung tränken.
(1914)
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Poesia Expressionista Alemão: uma antologia, Organização e Tradução de
Claudia Cavalcanti, edição bilíngue ilustrada, 2000, Estação Liberdade, São
Paulo — SP; Ernst Maria Richard Stadler (1883 — 1914), alemão nascido em Colmar — Alsácia,
região que historicamente esteve em litígio entre o Império Austro-Húngaro e a
França, hoje região administrativa da França, foi um poeta da literatura
expressionista alemã; estudou germanística, romanística e linguística comparada
em Estraburgo e Munique, fez pós-graduação em Oxford e foi professor em
Estraburgo e também ensinou na Universidade de Bruxelas; bibliografia: Präludien
(Prelúdios, poesia, 1904), Der Aufbruch (A Partida, poesias 1914) etc; traduziu
obras de Balzac, Shakespeare...; em combate na primeira grande guerra, com três
meses no front, foi morto vitimado por uma granada.

