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domingo, 1 de janeiro de 2023

Leminski: era uma vez & outros haicais


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era uma vez

o sol nascente
me fecha olhos
até eu virar japonês

— o —

abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri
antigamente eu era eterno

— o —

rio do mistério                 
que seria de mim                  
se me levassem a sério?

— o —

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

— o —

      choveu
na carta que você mandou

      quem mandou?

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Leminski — distraídos venceremos, 1987, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Paulo Leminski Filho (1944 1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos, compositores e letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; suas obras: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983), Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino — 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

domingo, 2 de outubro de 2022

Alice Ruiz: silêncio na mata & outros haicais


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silêncio na mata
um grito corta a tarde
quero quero.

— o —

basta um galhinho
e vira trapezista
o passarinho.

— o —

rede de pescador
sem interromper o voo
o pássaro almoça.

— o —

centro da foto
mas fora de foco
voo de sabiá.

— o —

pensa e pende
pousa e passa
periquito.

Conversa de passarinhos (2008)

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Poesia infantil e juvenil brasileira — Uma ciranda sem fim [ensaios/estudos de vários autores], Organização e Apresentação de Vera Teixeira de Aguiar e João Luís Ceccantini, 2012, Associação Núcleo Editorial Proleitura (ANEP), Cultura Acadêmica Editora, São Paulo — SP; Alice Ruiz Scherone, paranaense de Curitiba, nascida em 1946, é poeta, tradutora e compositora; tem parcerias e gravações com Itamar Assunção, Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik, Zeca Baleiro, além de gravações com Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto e Gal Costa; lançou, em 2005, com Alzira Espíndola, o CD Paralelas, de música e poesia; traduziu [Kobayashi] Issa e outros haikaistas; obra poética: Navalhanaliga (1980), Paixão xama paixão (1983), Pelos pelos (1984), Vice-versos (1988 Prêmio Jabuti), Desorientais (1996), Yuuka (2004), Conversa de passarinhos (2008), Dois em um (2008, Prêmio Jabuti), Jardim de Haijin e Proesias (ambos em 2010), Luminares (2012) entre outros; em 1993, foi homenageada pela colônia japonesa curitibana, por seus méritos na produção de haicais, homenagem esta feita pela primeira vez a um/uma ocidental.

domingo, 10 de maio de 2020

genésio dos santos: janela

Maria Fumaça de Tiradentes - Meu Destino é Logo Ali
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pastos postes pontes
vidas correndo pra trás
janela de trem

Minha foto
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genésio dos santos ferreira, paulista e itapetiningano, nascido em 1952,  caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra são Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até um dia destes foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais o espelho — sp, folha bancária e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro.

genésio dos santos: wittgenstein

duck-rabbit" (Ludwig Wittgenstein, "Philosophical Investigations ...
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sim, wittgenstein
tira coelho da cartola.
pato não é ganso.


sp, 10.05.2020

Minha foto
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genésio dos santos ferreira, paulista e itapetiningano, nascido em 1952,  caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra são Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até um dia destes foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais o espelho — sp, folha bancária e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

genésio dos santos: 2020



Genésio dos Santos: 2018


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sim, estou amargo
mas mais amargo estaria
não fosse a poesia


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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista e itapetiningano, caipira e filho de ferroviário, é poeta e aprendiz de blogueiro.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Afonso Henriques Neto: Na sombra

Afonso Henriques Neto por Marcelo Santos – EdUERJ – Editora da ...
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I

murmúrio da sombra
no muro
pássaro escuro

II

na alameda
minha sombra pousa
na borboleta

III

erótico arranjo
nossas sombras se abraçando
trepada de anjos

IV

raio branco a pino
nenhuma sombra pelo gelo
perpétuo sino

V

na sombra da noite
néon faminto de beleza
sanduíche na mesa

VI

sombra de mão já
ida em letra por ela escrita
preciosa jazida

VII

campo vento flor
sol sombra rio
perfeito percurso das palavras
para o sem nome, cio

SIP (Ser infinitas palavras — 2001) [Piano mudo], p. 185

Resultado de imagem para afonso henriques neto
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Afonso Henriques Neto (Coleção Ciranda da Poesia), Estudo/Ensaio e Entrevista por Marcelo Santos, 2012, Editora UERJ — Rio de Janeiro — RJ; Afonso Henriques de Guimaraens Neto, nascido em 1944, mineiro de Belo Horizonte, formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), com doutorado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), participante ativo do movimento político-cultural conhecido como poesia marginal da década de 1970, é professor, ensaísta, tradutor e poeta; morou e atuou em Brasília DF e atualmente vive no Rio de Janeiro; bibliografia: O misterioso ladrão de Tenerife (1ª edição em 1972), Restos & estrelas & fraturas (1ª edição em 1975), Ossos do paraíso (1981), Tudo nenhum (1985), Avenida Eros (1992), Piano mudo (1992), Abismo com violinos (1995), Eles devem ter visto o caos (1998), Ser infinitas palavras (2001), Cidade vertigem (ensaio poético, 2005), Fogo Alto: Catulo, Villon, Blake, Rimbaud, Huidobro, Lorca, Ginsberg (traduções, 2009), Uma cerveja no dilúvio (2011) e outros; participou de antologias.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Paulo Leminski: gaiola vazia* & outros textos

Resultado de imagem para paulo leminski fred góes e Álvaro Marins
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gaiola vazia

morreu o periquito
a gaiola vazia
esconde um grito

 o 

nadando num mar de gente
deixei lá atrás
meu passo à frente

 o 

deus

eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos

quem sou eu para falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus

Resultado de imagem para paulo leminski

* Nota: O impertinente aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa teve o atrevimento de intitular alguns dos textos leminskianos.
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Paulo Leminski — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Apresentação de Fred Góes e Álvaro Marins, 2013, 6ª reimpressão, Global Editora, São Paulo — SP; Paulo Leminski Filho (1944 1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983), Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino — 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Genésio dos Santos: sondagem

Resultado de imagem para razão e coração
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pleno de razão
o ser humano integral
sonda o coração

2018
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Genésio dos Santos Ferreira, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SPFolha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Genésio dos Santos: 2018


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sim, estou amargo
mas mais amargo estaria
não fosse a poesia



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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista e itapetiningano, caipira e filho de ferroviário, é poeta e aprendiz de blogueiro.

domingo, 30 de setembro de 2018

Genésio dos Santos: trens, haicais & que tais

Resultado de imagem para telégrafo inglês
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um telegrafista
conversa em código-morse
batuque de teclas

homens ferroviários
dormentes britas e trilhos
sonho que esfumaça

pastos postes pontes
vidas correndo pra trás
janela de trem

Resultado de imagem para iperó sp

rumo ao escadão
na garganta surge um nó
trem que já se foi

pobre maquinista
acordando de repente
viu que era sonho

máquina a vapor
puxando mais de um vagão
e no fim caboose

Minha foto
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Genésio dos Santos Ferreira, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SPFolha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Genésio dos Santos: izakaya

Resultado de imagem para praça olavo bilac 99 - campos elíseos
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eu na praça olavo
bilac sushi temaki
haicai alinhavo

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Genésio dos Santos Ferreira, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou  Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981);  como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SPFolha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.