quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Walt Whitman: A Base de Toda Metafísica

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[traduzido por José Lino Grünewald]

E agora cavalheiros,
Uma palavra digo para permanecer em vossas mentes e memórias,
Como base e também finale para toda metafísica.

(Assim para os estudantes o velho professor
Ao término de seu curso repleto.)

Tendo estudado o novo e o antigo, os sistemas Grego e Germânico,
Tendo estudado e exposto Kant, Fichte e Schelling e Hegel,
Exposto o saber de Platão, e Sócrates maior do que Platão,
E, maior que Sócrates pesquisado e exposto, Cristo divino havendo
     longamente estudado,
Vejo hoje em reminiscência aqueles sistemas Grego e Germânico,
Vejo os filósofos todos, igrejas cristãs e cédulas de dez dólares vejo,
No entanto sob Sócrates claramente vejo, e sob Cristo o divino vejo,
O caro amor do homem pelo seu camarada, a atração de amigo por
     amigo,
Dos bem casados marido e mulher, de crianças e pais,
De cidade por cidade e de terra por terra.

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Walt Whitman

The Base of All Metaphysics

And now gentlemen,
A word I give to remain in your memories and minds,
As base and finale too for all metaphysics.

(So to the students the old professor,
At the close of his crowded course.)

Having studied the new and antique, the Greek and Germanic systems,
Kant having studied and stated, Fichte and Schelling and Hegel,
Stated the lore of Plato, and Socrates greater than Plato,
And greater than Socrates sought and stated, Christ divine having
     studied long,
I see reminiscent to-day those Greek and Germanic systems,
See the philosophies all, Christian churches and tenets see,
Yet underneath Socrates clearly see, and underneath Christ the divine
     I see,
The dear love of man for his comrade, the attraction of friend to
     friend,
Of the well-married husband and wife, of children and parents,
Of city for city and land for land.
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Grandes Poetas da Língua Inglesa do Século XIX, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Organização de José Lino Grünewald, 1988, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Walt Whitman (1819  1892), nascido em Huntington  USA, foi poeta, ensaísta e jornalista; desde os onze anos, trabalhou com serviços de tipografia e edição de jornais, e atuou na imprensa da época; escreveu e publicou Franklin Evans (1842), Leaves of Grass (primeira edição em 1855 e, depois, mais uma dezena de edições com acréscimo de outros poemas), Drum-Taps (1865), Democratic Vistas (1871) e outros títulos; Whitman é considerado por muitos estudiosos como o "pai do verso livre".

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Nogueira Tapeti: Como Arvers também tenho um segredo na vida . . . [soneto]

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Como Arvers também tenho um segredo na vida,
Um segredo e uma angústia igual à que ele tinha,
E, apesar de trazê-la em minh’alma escondida,
Alguém há quem este mal misterioso adivinha.

A beleza imortal nos teus versos contida,
Teu “Alguém” lia, Arvers, sem saber donde vinha,
E o meu sabe demais, vive a ler, linha a linha,
Toda a história fatal de minh’alma incontida.

E certa, como está, que os meus versos são dela,
Que vem do seu olhar a rima que os constela,
Finge crer que os inspirou o amor de outra mulher.

Isto só para ungir-me em tristeza e amargura,
Conservando-me, assim, nesta horrível tortura,
Que é mil vezes maior que a tortura de Arvers.

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O Soneto de Arvers — Mello Nóbrega, 1957, 2ª edição, Livraria São José, Rio de Janeiro — RJ;  Benedito Francisco Nogueira Tapety ou Nogueira Tapeti (1890 — 1918), piauiense de Oeiras, formado pela Faculdade de Direito de Recife, foi jornalista, promotor público, professor e poeta; colaborou nos periódicos Diário de Pernambuco, O Piauí, e O Diário e Diário da Madeira, ambos de  Belém  PA; lecionou Filosofia, Psicologia e Lógica no Liceu Piauiense, em Teresina  PI; obra: Pesadelo Atroz, Primaveril, A Teia de Penélope (todos, poemas).

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Stefan George: Paz do entardecer

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[traduzido por Eduardo de Campos Valadares]

Já lacerada pela labareda
Exausta descansa a seca vereda

E a escura e sulfurina nuvem cai
Uma muralha esconde e o mastro esvai.

Os jardins arquejam com o perfume ·
A sombra invade os caminhos sem lume.

As ternas vozes suspiram e calam ·
As altas em zumbido se resvalam.

Se visões atraem a rica festa
A selvagem luta atrai luz funesta.

Na névoa densa só são escutados
Os débeis sons de mundos dominados.

(Livros de Poemas Pastoris e de Louvor
Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos  1895)


Stefan_George_(fotografado_por_Jacob_Hilsdorf)
Stefan George

Friedensabend

Vom langen dulden sengend heisser stiche
Erholen sich die bleichen länderstriche

Und wolken schwarz und schwefelgelb belasten
Die kahlen mauern und die starren masten.

Die gärten atmen schwer von duft beladen ·
Die schatten wachsen fester in den pfaden.

Die zarten stimmen schlummern und verstummen ·
Die hohen mildern sich in sanftes summen.

Wie schemen locken nur die festgepränge
die wilden schlachten lauten untergänge.

Im dichten dunste dringt nur dumpf und selten
Ein ton herauf aus unterworfnen welten

(Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte,
der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten  1895)
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Crepúsculo — Stefan George, Seleção, Ensaio e Tradução de Eduardo de Campos Valadares, 2000, Iluminuras, São Paulo — SP; Stefan Anton  George (1868  1933), alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura, o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior, viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética, a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos; faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos, o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que alemão; bibliografia: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892), Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte, der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten (Livros de Poemas Pastoris e de Louvor Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos, 1895), Das Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com um Prelúdio, 1899) Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes (A estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger Bastide (1898  1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do nosso Cruz e Sousa.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Lou Andreas-Salomé: Pedido Fúnebre

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[traduzido por Nicolino Simone Neto e Valter Fernandes]

Quando em meu leito de morte eu repousar
 centelha agora apagada 
Meus cabelos uma vez mais vêm tocar
Com tua mão tão amada.

Antes que devolvam à terra
Aquilo que terra se vai tornar
A boca amada vem e cerra
Os lábios teus, num último beijar.

Mas pensa também: no estranho ataúde
Não sou mais que uma ilusão
Meu ser abrigou-se em tua plenitude!
Só tua eu serei, então.

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Lou Andreas-Salomé

Todesbitte

Lieg ich einst auf der Totenbahr *
 ein Funke, der verbrannt ,
Streich mir noch einmal übers Haar
Mit der geliebten Hand.
Eh' man der Erde wiedergibt,
Was Erde werden muß,
Auf meinen Mund, den Du geliebt,
Gib mir noch Deinen Kuß.
Doch denke auch: im fremden Sarg
Steck ich ja nur zum Schein,
Weil sich in Dir mein Leben barg!
Und ganz bin ich nun Dein.


* Nota da Edição: “Lieg ich einst auf der Totenbahr…” (“Quando em meu leito de morte eu repousar…”: Esse poema, Pedido Fúnebre, modificado como se um homem o dirigisse a seu filho, foi incluído por Lou von Salomé (sob o pseudônimo de Henri Lou) em seu primeiro romance Na Luta por Deus, que apareceu pela editora de Wilhelm Friedrich, Leipzig e Berlim, 1885.
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Minha vida: Lou Andreas-Salomé (Editada por Ernst Pfeiffer a partir das obras póstumas, Nova Edição revisada, Com Ilustrações e Posfácio), Tradução de Nicolino Simone Neto e Valter Fernandes, 1ª edição, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Lou Andreas-Salomé (1861  —  1937) ou Louise von Salomé, russa de São Petesburgo, foi filósofa, ensaísta, poeta, romancista e psicanalista; viveu na Alemanha e conviveu intelectualmente com Nietzsche, Paul Rée, René (Rainer) Maria Rilke, Freud e outros pensadores de sua época; na Rússia Imperial, estudara teologia, filosofia, religiões mundiais e literatura francesa e alemã com o pregador (pastor) holandês Hendrik Gillot; já morando na Alemanha, para onde viajara com a mãe, adquiriu educação universitária em Zurique, estudou lógica, história das religiões, metafísica e confirmou sua vocação literária, retomando seus poemas escritos anteriormente e publicando-os em revistas de literatura ligadas a diversos círculos universitários; bibliografia: Im Kampf um Gott (Uma luta por Deus, 1885), Henrik Ibsens Frauen-gestalten  (Personagens femininas de Ibsen, 1892), Friedrich Nietzsche in seinen Werken (Friedrich Nietzsche em sua obra, 1894), Ruth (1895), Aus fremder Seele (De uma alma perturbada, 1896), Fenitschka. Eine Ausschweifung (Fenitschka. A debochada, 1898), Menschenkinder (Filhos dos homens, 1899), Im Zwischenland (Na zona do crepúsculo, 1902), Die Erotik (Erotismo, 1910), Das Haus (A casa, 1919), Main Dank an Freud (Minha gratidão a Freud, 1931), Lebensrückvlick (póstumo, Memórias, organizado por Ernst Pfeiffer, 1951), e outros títulos; Lou Salomé, uma mulher com idéias avançadas para o seu tempo, conviveu em círculos intelectuais de absoluta predominância masculina sem ser submissa a estes; sua obra Im Kampf um Gott foi publicada com o pseudônimo de Henri Lou.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Pablo Neruda: (Saúde, dizemos cada dia . . .)

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[traduzido por Luiz de Miranda]

Saúde, dizemos cada dia,
a cada um
é o cartão de visita
da falsa bondade
e da verdadeira.
É o sino para reconhecer-nos:
aqui estamos, saúde!
Se ouve bem, existimos.
Saúde, saúde, saúde,
a este e ao outro, a quem,
e à faca, ao veneno
e ao malvado.
Saúde, reconhece-me,
somos iguais
e não nos queremos,
nos amamos e somos desiguais,
cada um com colher,
com um lamento especial,
encantado de ser e de não ser;
há que dispor de tantas mãos
de tantos lábios para sorrir,
saúde!
que já não resta tempo.
Saúde
de inteirar-se de nada.
Saúde
de dedicar-nos a nós mesmos,
se é que nos resta algo
de nós, de nós mesmos.
Saúde!

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Pablo Neruda

(Salud, decimos cada día . . .)

Salud, decimos cada día,
a cada uno,
es la tarjeta de visita
de la falsa bondad
y de la verdadera.
Es la campana para reconocermos:
aquí estamos, salud!
Se oye bien, existimos.
Salud, salud, salud,
a éste y al otro, a quién,
y al cuchillo, al veneno
y al malvado.
Salud, reconocedme,
somos iguales y no nos queremos,
nos amamos y somos desiguales,
cada uno con cuchara,
con un lamento especial,
encantado de ser o de no ser:
hay que disponer de tantas manos,
de tantos lábios para sonreír,
salud!
que ya no queda tempo.
Salud
de enterarse de nada.
Salud
de dedicarnos a nosotros mismos
si es que nos queda algo de nosotros,
de nosotros mismos.
Salud!
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Pablo Neruda — Últimos Poemas (O Mar e os Sinos), Tradução de Luiz de Miranda, Edição Bilíngue, Volume 60 Coleção L&PM Pocket, reimpressão, 2017, L&PM Editores, Porto Alegre — RS;  conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904  1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926),  El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor (1953),  Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales  (1961), La Barcarola (1967),  Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida (1970) Confieso que he vivido —  Memorias (1977) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971).

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Nietzsche: A Gaia Ciência, Convite, O desdenhoso, etecétera . . .

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[traduzido por Antonio Carlos Braga]

A Gaia Ciência

Moro em minha própria casa,
Nunca imitei ninguém,
E rio de todos os mestres
Que nunca riram de si

[Escrito em cima de minha porta]

Brincadeira, astúcia e vingança

Prelúdio em rimas alemãs

 Convite

Experimentem, pois, minhas iguarias, comilões!
Amanhã haverão de achá-las bem melhores,
E excelentes depois de amanhã!
Se quiserem mais  pois bem, minhas sete coisas antigas
Me darão coragem para fazer sete novas.

 Intrépido

Onde quer que estejas,
cava profundamente;
A teus pés está a nascente.
Deixa os obscurantistas gritar:
Embaixo está sempre — o inferno!

 Sabedoria do mundo

Não fiques embaixo
Não subas muito alto
O mundo é sempre mais belo
Visto à meia altura.

 Vademecum  Vadetecum *

Meu porte e meus discursos te atraem,
Tu me segues, me segues passo a passo?
Segue-te a ti mesmo fielmente:
 E assim me seguirás!  Suavemente, muito suavemente!

10  O desdenhoso

Como ando semeando ao acaso
Me tratam de desdenhoso.
Aquele que bebe em copos muito cheios
Os deixa transbordar ao acaso 
Não continuem a pensar mal do vinho.

11  A palavra do provérbio

Severo e suave, grosseiro e fino,
Familiar e estranho, sujo e puro,
Lugar de encontro dos loucos e dos sábios:
Eu sou, quero ser tudo isso,
Ao mesmo tempo pomba, serpente e porco.

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Friedrich Nietzsche

La Gaya Scienza **

Ich wohne in meinem eigenen Haus,
Hab Niemandem nie nichts nachgemacht
Und  lachte noch jeden Meister aus,
Der nicht sich selber ausgelacht.

[Ueber meiner Hausthür]

Scherz, List und Rache

Vorspiel in deutschen Reimen

1 Einladung

Wagt's mit meiner Kost, ihr Esser!
Morgen schmeckt sie euch schon besser
Und schon übermorgen gut!
Wollt ihr dann noch mehr,  so Machen
Meine alten sieben Sachen
Mir zu sieben neuen Muth.

3 Unverzagt

Wo du stehst, grab tief hinein!
Drunten ist die Quelle!
Lass die dunklen Männer schrein:
“Stets ist drunten  Hölle!”

6 Welt-Klugheit

Bleib nicht auf ebnem Feld!
Steig nicht zu hoch hinaus!
Am schönsten sieht die Welt
Von halber Höhe aus.

7 Vademecum  Vadetecum

Es lockt dich meine Art und Sprach,
Du folgest mir, du gehst mir nach?
Geh nur dir selber treulich nach: 
So folgst du mir  gemach! gemach!

10 Der Verächter

Vieles lass ich fall’n und rollen,
Und ihr nennt mich drum Verächter.
Wer da trinkt aus allzuvollen
Bechern, lässt viel fall'n und rollen ,
Denkt vom Weine drum nicht schlechter.

11 Das Sprüchwort spricht

Scharf und milde, grob und fein,
Vertraut und seltsam, schmutzig und rein,
Der Narren und Weisen Stelldichein:
Diess Alles bin ich, will ich sein,
Taube zugleich, Schlange und Schwein!


Nota da TraduçãoVademecum é um termo latino que designa um guia, um manual, composto claramente da expressão vade mecum que quer dizer vem comigo; Nietzsche faz com ele um jogo de palavras e inventa vadetecum, composto de vade tecum, que significa vai contigo.
** Nota da Edição: Este subtítulo “La gaya scienza” (em provençal) só apareceu na capa da segunda edição de 1887. Entretanto, esta expressão já constava num fragmento de 1882 e servia de título a uma lista de trovadores provençais e a suas canções. Esta é uma das razões pelas quais sempre se traduziu Die fröliche Wissenschaft como A gaia ciência, pois poderia ser traduzido igualmente como O alegre saber, O feliz saber, A alegre ciência.
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A Gaia Ciência — Nietzsche, Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal — 45, Tradução de Antonio Carlos Braga, 2ª edição, 2008, Editora Escala, São Paulo — SP; Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 — 1900),  nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha,  foi filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873),  Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883  1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo  Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Hilda Hilst: Iniciação do Poeta — O ouro do mais fundo está em ti

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O ouro do mais fundo está em ti.
Em mim, as coisas breves tomam corpo
E uma saga de bronze no meu ombro
A cada dia se transforma em chaga.
Um sol que se contrai sobre o meu rosto. 
Aves de que não sei a sombra, vi-as
Na manhã quando o amor era chama
Mas num sopro perdi-as
E é grande agonia o que era gozo.
Guia-me em complacência. Que o instante 
Não se afaste de mim, antes padeça
Desse meu existir e eu não me perca.

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Exercícios — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora,  2002, Editora Globo, São Paulo SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930  2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira  (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959),  Trovas de muito amor para um amado senhor  (1960), Ode Fragmentária (1961),  Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Da Morte. Odes Mínimas (1980),  Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio  (1992), Cartas de um sedutor (1991)  etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas —  SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a séde do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.