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quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Fiama Hasse Pais Brandão: A matéria

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Aprendo a temperatura o seu frio
o ar que tem por dentro a sua arte

Aprendo o sangue o seu calor o fundo
a linha necessária e o sigilo

O que mostra é o tacto em si incide
na sua inércia inclui a própria forma

Resume em si o tamanho e o conflito
das partes no limite ilimitadas

Ensina a sua lei e a situação
o imaginário mostra no objeto

[Obra breve]

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Poetas mulheres que pensaram o século XX [várias poetas, vários ensaios, vários ensaístas] — Apresentação e Organização de Regina Przybycien e Cleusa Gomes, 2008, Editora UFPR, Curitiba — PR; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (Obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (Obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês-Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; recebeu diversas premiações por sua obra.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Fiama Hasse Pais Brandão: Crónicas


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Os falecidos
são essa memória
que depois se evoca

São a narrativa
das suas crónicas
e os extremos actos
de seus cercos
sítios
que a prosa acaso
acolhe lisos

Depois na leitura
tanto quanto ao ler
os mortos se aviltam
se debilitam
há uma maneira segura
de utilizar os feitos
para efeito de futura
vida ou sítio

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Poetas mulheres que pensaram o século XX [várias poetas, vários ensaios, vários ensaístas] — Apresentação e Organização de Regina Przybycien e Cleusa Gomes, 2008, Editora UFPR, Curitiba — PR; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (Obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (Obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês-Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; recebeu diversas premiações por sua obra.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Fiama Hasse Pais Brandão: História literária


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Dou graças a meus olhos
que apaziguaram o meu cérebro
estarrecido pela literatura.
Outrora era o poder das letras,
a beberagem, o filtro das sílabas
que brotavam em espiral
das páginas dos mestres insanos.
Era eu num alto poço, com o fundo
no topo inverso da minha cabeça,
a sorver o crânio dos antepassados.
Era eu, no mais dentro de uma britadeira
mental, a reunir a fragmentada
palavra una, ventre de todas as palavras.

Hoje ou agora, os meus olhos
são somente como o tacto: apalpam,
marcam, com sua secreção,
o rebordo de cada objeto, dos seres,
o limite de uma crónica dos dias.

[Cenas vivas]

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Poetas mulheres que pensaram o século XX [várias poetas, vários ensaios, vários ensaístas] — Apresentação e Organização de Regina Przybycien e Cleusa Gomes, 2008, Editora UFPR, Curitiba — PR; Fiama Hasse Pais Brandão (1938 2007), portuguesa e lisboeta, estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora; suas obras: Em cada pedra um voo imóvel (poemas dramáticos e poemas em prosa, 1957), Morfismos (em Poesia 61, 1961), Os Chapéus de Chuva (teatro, 1961), A Campanha (teatro, 1965), Barcas Novas (1967), Novas Visões do Passado (1975), O Texto de João Zorro (Obra poética, 1974), Homenagem à literatura (1976), Área Branca, Melômana (ambas em 1978), Quem move as Árvores (teatro, 1979), Âmago I / Nova Arte (1985), O Labirinto Camoniano e Outros Labirintos (ensaio, 1985), F de Fiama (antologia, 1986), Três Rostos (1989), Epístolas e Memorandos (1989), Teatro-teatro (1990), Obra breve (Obra poética, 1991), Movimento Perpétuo (prosa, 1991), Cântico maior (1995), Sob o olhar de Medeia (prosa, 1998), Cenas Vivas (2000), As Fábulas (2002), Noites de Inês-Constança (2005) etc.; traduziu obras de Bertolt Brecht, Novalis, John Updike, Antonin Artaud, Anton Tchekov e outros; recebeu diversas premiações por sua obra.