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Pobrezinha da mãe que teve um
filho poeta
E o viu cedo partir para as
bandas do mar…
Nunca mais que ele volte à
mansão predileta,
Nunca mais que ela deixe, um
dia, de chorar…
É como a água de um lago,
inteiramente quieta,
A alma de toda mãe que vive a
meditar:
O mais leve sussurro é-lhe um
toque de seta,
A mais leve impressão basta
para a assustar…
Eu, por sabê-la assim, quando
lhe escrevo, digo:
— Minha querida mãe, não se
aflija comigo.
Eu vou passando bem… Jesus
vela por mim…
É que assim, ela — a humana expressão
da bondade —
Contente por saber que vou sem
novidade,
Jamais há de pensar que eu vá
mentir-lhe assim…

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Inspirados Sonetos de Autores
Brasileiros e Portugueses, Seleção e Organização de Milton Xavier de Carvalho e
Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação
Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Agnelo Rodrigues de Melo, conhecido
pelo pseudônimo Judas Isgorogota (1901 — 1979), alagoense de Lagoa da Canoa,
foi jornalista e poeta; fez seus estudos primário e secundário em sua cidade
natal e em Maceió, escreveu seus primeiros sonetos para o jornalzinho
humorístico O Bacurau, ainda em Maceió, sob o pseudônimo de Judas Isgorogota;
mudando-se para São Paulo, trabalhou em gráfica, editora e na Revista do
Brasil, todas de propriedade de Monteiro
Lobato, depois, trabalhou no Jornal do Comércio e n’A Gazeta, onde permaneceu
por quatro décadas, redigiu a Página Literária e foi um dos redatores da Gazeta
Infantil, primeiro jornal destinado à infância, criação de Cásper Líbero; bibliografia: Caretas (1918), Um Pirralho na Arca de Noé (1927), Divina Mentira
(1927), A Fada Negra (1928), O Violino Mágico (1928), Recompensa (1936), O
Bandeirante Fernão (1937), Desencanto (1938), Fascinação (1940), Os que vêm de
longe (1946), Poesias Musicadas (1946), Pela Mão das Estrelas (1947),
Interlúdio (1950), Música Proibida (1952), Versos da Idade de Ouro (1954),
Sapatinhos de Prata (1954); Judas Isgorogota, antes de adotar definitivamente este
nome literário, também fez uso dos pseudônimos Pinto Seth, Paulo Aaron e Papá
Noé com os quais assinava seus textos nos jornais onde colaborava; recebeu
premiações por sua obra e teve parte de sua obra poética vertida para os
idiomas francês, alemão, espanhol, italiano, húngaro, árabe, tcheco e lituano;
o poeta publicou 15 livros de poesias, uma novela e 5 livros de poesias
infantis, além de outros textos que não foram editados.