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segunda-feira, 18 de maio de 2020

Rubens Rodrigues Torres Filho: botânica ao pé da letra

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Estas plantinhas são mudas?
Pelo que me disseram, não.
E o que foi que elas disseram?

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A letra descalça — poemas: Rubens Rodrigues Torres Filho, texto de Caio Fernando Abreu na contracapa, 1985 — Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Rubens Rodrigues Torres Filho, nascido em 1942, paulista de Botucatu, formado em Filosofia pela FFLCH Universidade de São Paulo, é poeta, filósofo, professor e tradutor; em poesia, escreveu e publicou Investigação do olhar (1963), O voo  circunflexo (ganhador do Prêmio Jabuti, 1981), A letra descalça (1985), Poros (1989), Retrovar (1993), Novolume (1997); em prosa, produziu e publicou O espírito e a letra: a crítica da imaginação pura em Fichte (1975), Ensaios de filosofia ilustrada (1987), 'Redondezas do divino' em Filosofemas (1987), 'Por que estudamos?', na Revista da USP Nº 10 (1991), e outros textos; traduziu Kant, Fichte, Schelling, Nietzsche, Adorno, para a coleção 'Os Pensadores' (Abril/Nova Cultural), entre outras atividades na área de filosofia; lecionou História da Filosofia Moderna e Filosofia Clássica Alemã na Universidade de São Paulo.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Rubens Rodrigues Torres Filho: senha

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Abra, bradava!
Pode a palavra?
Abra cada. Abra
esses estojos
invioláveis
(não dirão nada).
Branco segredo
tão pronunciado
na concha brava.
Vulcão extinto?
Lívida lava
que deslumbrava?
Palavra dada?
Peço a palavra?
Maga palhaça
que se disfarça
de deslembrada.
Abra! Bradava.

Rubens Rodrigues Torres Filho
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A letra descalça — poemas: Rubens Rodrigues Torres Filho, texto de Caio Fernando Abreu na contracapa, 1985 — Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Rubens Rodrigues Torres Filho, nascido em 1942, paulista de Botucatu, formado em Filosofia pela FFLCH Universidade de São Paulo, é poeta, filósofo, professor e tradutor; em poesia, escreveu e publicou Investigação do olhar (1963), O voo  circunflexo (ganhador do Prêmio Jabuti, 1981), A letra descalça (1985), Poros (1989), Retrovar (1993), Novolume (1997); em prosa, produziu e publicou O espírito e a letra: a crítica da imaginação pura em Fichte (1975), Ensaios de filosofia ilustrada (1987), 'Redondezas do divino' em Filosofemas (1987), 'Por que estudamos?', na Revista da USP Nº 10 (1991), e outros textos; traduziu Kant, Fichte, Schelling, Nietzsche, Adorno, para a coleção 'Os Pensadores' (Abril/Nova Cultural), entre outras atividades na área de filosofia; lecionou História da Filosofia Moderna e Filosofia Clássica Alemã na Universidade de São Paulo.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Rubens Rodrigues Torres Filho: branco

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Este poema me mandou calar.
Intercalada voz esvaziei.
Era certeira vez uma avestruz
metida no orifício do talvez.

O verso dava a volta, circular.
Seu vício é repetir o que não diz.
O branco era veloz,
na página, imortal, pedindo bis.

Banhada por um sol gramatical,
a fala articulada e este vazio.
Seu único roteiro: resvalar
pelo redemoinho de um funil.

Pingaste no papel, ponto final.
A ponta da caneta te esqueceu.
Sinal, deixo-te só
retido na retina de quem leu.

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A letra descalça — poemas: Rubens Rodrigues Torres Filho, texto de Caio Fernando Abreu na contracapa, 1985 — Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Rubens Rodrigues Torres Filho, nascido em 1942, paulista de Botucatu, formado em Filosofia pela FFLCH Universidade de São Paulo, é poeta, filósofo, professor e tradutor; em poesia, escreveu e publicou Investigação do olhar (1963), O voo circunflexo (ganhador do Prêmio Jabuti, 1981), A letra descalça (1985), Poros (1989), Retrovar (1993), Novolume (1997); em prosa, produziu e publicou O espírito e a letra: a crítica da imaginação pura em Fichte (1975), Ensaios de filosofia ilustrada (1987), 'Redondezas do divino' em Filosofemas (1987), 'Por que estudamos?', na Revista da USP Nº. 10 (1991), e outros textos; traduziu Kant, Fichte, Schelling, Nietzsche, Adorno, para a coleção 'Os Pensadores' (Abril/Nova Cultural), entre outras atividades na área de filosofia; lecionou História da Filosofia Moderna e Filosofia Clássica Alemã na Universidade de São Paulo.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Rubens Rodrigues Torres Filho: antileitor

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1

Adeus, leitor, me despeço
logo no primeiro verso:
mal inicio o poema
já não te quero por perto.

Pisque o olho, fique sério,
dê tratos à metonímia,
suponha que faço troça,
ensaio outra faceirice

ou sou um simples gabola.
Mas simplesmente não julgue
que sua desobediência
de algum modo me consola.

2

As palavras que repito
aqui neste parco verso
para o leitor indiscreto
que repete essas palavras

não são para seu ouvido
(ou olho, se lidas baixo)
mas para se repetirem
em si mesmas, eco abstrato.

3

Palavras no branco, parvas,
parecendo dizer algo
a sós, aqui entre nós,
que somos  claro  milhares,

algo dão, amaciando,
estas arestas tão claras
por vias inomináveis
parcamente palmilhadas.

Nós, achados desatados,
cada um de nós, cada nó
dá volta à letra, laçada:
e a linha corre melhor.

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A letra descalça — poemas: Rubens Rodrigues Torres Filho, texto de Caio Fernando Abreu (na contracapa), 1985 — Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Rubens Rodrigues Torres Filho, nascido em 1942, paulista de Botucatu, formado em Filosofia pela FFLCH Universidade de São Paulo, é poeta, filósofo, professor e tradutor; em poesia, escreveu e publicou Investigação do olhar (1963), O voo circunflexo (ganhador do Prêmio Jabuti, 1981), A letra descalça (1985), Poros (1989), Retrovar (1993), Novolume (1997); em prosa, produziu e publicou O espírito e a letra: a crítica da imaginação pura em Fichte (1975), Ensaios de filosofia ilustrada (1987), 'Redondezas do divino' em Filosofemas (1987), 'Por que estudamos?', na Revista da USP Nº. 10 (1991), e outros textos; traduziu Kant, Fichte, Schelling, Nietzsche, Adorno, para a coleção 'Os Pensadores' (Abril/Nova Cultural), entre outras atividades na área de filosofia; lecionou História da Filosofia Moderna e Filosofia Clássica Alemã na Universidade de São Paulo.