quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Manoel Cerqueira Leite: Louvações — Aos de São Paulo

Eu conheço a Alma Cabocla,
já a Musa Caipira ouvi!
Eu já li Folhas do Mato
e a Viola Enjeitada vi!

A alma cabocla do Paulo,
pobrezinha, emudeceu...
E a tua musa, Cornélio,
por ventura, soverteu?

Abílio Vitor, nos ramos,
não só folhas esperamos,
mas flores, frutos, aos mil!

E bem sabemos que enfeitas
a viola que desenjeitas,
Republicano Brasil!
Água na Cuia (Parte I, Louvações),
São Paulo, 03.01.1945
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Poesias (Tomo I: Terra Verde, Água na Cuia, Fonte na Serra) Manoel Cerqueira Leite, segunda edição, 1974, Editora Alfa-Ômega Ltda., São Paulo SP; Manoel Cerqueira Leite (1916 1975), paulista de Sarapuí, formado pela USP Universidade de São Paulo, foi poeta, crítico literário e professor de literatura brasileira (USP e UNESP) e colaborou com jornais da capital e do interior paulista; escreveu e publicou: Água na Cuia, sonetilhos; Rumo; Fonte na Serra, poemas; Terra Verde  Antologia: Conto e Poesia; Poesias; A Crítica Funcional I, II, III e IV (crítica literária); Literatura Brasileira.

Manoel Cerqueira Leite: Caboclo

Eu sou caboclo do mato,
 com que alegria relato! 
criado no anonimato,
com as forças virgens do chão!
Mas porém, a tramontana
perdi com a vida tirana,
 corpo doente, mente insana 
gemendo na escravidão?

Este sol daqui não raia,
nem dá luz à frágil aia:
é uma luÍnha macaia...
Lua boa é a do sertão!
E a gente só vê tetéia
rebolando igual geléia,
 no crânio, nenhuma idéia 
que doida desilusão!

Se ocê visse a égüinha baia
desembestando na raia,
correndo que nem garraia
mal-assombrada de cão 
fugiria desta Tróia,
que é miçanga, não é jóia,
numa tonta paranóia,
rindo dos que pedem pão!

Esta Tróia papagaia!
Mas porém, não me embalaia:
não ouço a vaia que guaia
no horror desse coração!
Graças a Deus, Aleluia!
eu não tropeço em imbuia,
só gosto de água na cuia,
na cuia de minha mão!

É! sou caboclo do mato,
 com que alegria relato! 
criado no anonimato,
com as forças virgens do chão!
Pra ser franco, a tramontana
não perdi, vida tirana!
 corpo sano, mente sana 
buscando libertação!
Terra Verde (Parte V, Viola),
São Paulo, 01.05.1938

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Poesias (Tomo I: Terra Verde, Água na Cuia, Fonte na Serra)  Manoel Cerqueira Leite, segunda edição, 1974, Editora Alfa-Ômega Ltda., São Paulo  SP; Manoel Cerqueira Leite (1916  1975), paulista de Sarapuí, formado pela USP  Universidade de São Paulo foi poeta, crítico literário, professor de literatura brasileira (USP e UNESP) e colaborou com jornais da capital e do interior paulista; escreveu e publicou: Água na Cuia, sonetilhos; Rumo; Fonte na Serra, poemas; Terra Verde  Antologia: Conto e Poesia; Poesias; A Crítica Funcional I, II, III e IV (crítica literária); Literatura Brasileira.