Manos e minas,
Hoje faz duas décadas que o Quarentão de Bacaetava entrou nos enta. Ele não acha esta fase da vida nem boa nem ruim. Acha-a inevitável e se ela é inevitável segue a pregação da sexóloga — seus momentos são um relaxo só e anda gozando muito.
Porém entre os quasesempre momentos de relaxo e gozo é claro que também há momentos tais que para ele seria melhor não existirem. Pensa ser da vida que existam não só nesta presente etapa mas também que tenham existido em todas outras etapas por ele já vividas. Assim, reflete com seus botões, é preciso embalar-se pelo refrão que ouviu faz tempo em uma noite ilustrada: "Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima!"
Diz isto e se cala parecendo reflexivo. Nada mais diz às novas gerações sobre esta fase da idade... Intui que tudo o que elas ouvirem entrará por um ouvido e sairá por outro como diz o adágio. Pensa que as novas gerações vivem os seus momentos. Estão ocupadas com outras coisas mais úteis a elas. Elas pensam assim e no que fazem muito bem.
Resmunga que os ainda jovens quando completarem suas décadas nos enta com certeza poderão compreender o que ora está sentindo e que decerto também encontrarão dificuldades em transmitir o que sentem aos que na escala da vida deixaram de vestir fraldas há muito menos tempo que eles. É assim que sucessivamente ocorre neste jogo de gerações.
Proclama estar feliz ao completar seus sessenta anos nesta oca denominada genericamente Terra. Aos entários que já ingressaram nesta etapa por ele ora acessada também deseja muita sorte e muitas felicidades.
Ah, e cobra dos governos, quaisquer governos, políticas públicas que levem em consideração as multidões que estão nos enta há décadas. Os governantes, reflete, não deveriam se dedicar a olhar quase que só para as coisas voltadas ao trabalho que é produzido para o capital. Há muitas mazelas neste sistema. Não quer mais este tipo de trabalho.
E cobra mais ainda! Os governantes, quando exercitam outros olhares, também não podem priorizar quase que exclusivamente em cuidar da promoção das coisas necessárias às gerações futuras, às crianças e aos bebês com suas fraldas. É preciso perceber que há um presente envelhecente. E se governos existem resta-nos cobrar a sua eficiência! Sem essa de salve-se quem puder!.
E conclui: "Alguns de nós que já ingressamos nos enta, sessentões, setentões, oitentões e noventões, além de uns poucos centenários, também precisamos de fraldas e de otras cositas mas, mucho mas." Descobriu isso agorinha mesmo.
Contudo e apesar de tudo segue rumo aos setenta. Diz que mais tarde pensará nos oitenta, nos noventa... Hoje ele está com muita preguiça.
Abraços sexagenários.
P. da Silva
Se nascer é um parto e viver não é preciso, morrer é o fim do mundo. (O Quarentão de Bacaetava)
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Genésio dos Santos, nascido em Itapetininga — SP no século e milênio passados em 03 de janeiro de 1952, viveu sua infância e adolescência, até os seus dezenove anos, à beira da linha do trem nas localidades de Buri (Turma 29, Eng. Bacelar), Itapeva (Turma 34) e Iperó (Turma 1), todas interligadas pela antiga EFS — Estrada de Ferro Sorocabana (posteriormente FEPASA); é poeta e cronista e, além de se ver como um bicho urbano adaptado, também se sente integralmente em plena velhice; publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981), e, como militante na categoria dos bancários, escreveu crônicas para jornais sindicais de responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; além disso, como vêem, é aprendiz de blogueiro.