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quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Ludwig Uhland: A pousada

 
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[traduzido por Bernardo Taveira Júnior]

Recolheu-me, não há muito,
Uma hospedaria excelente:
A divisa um pomo de ouro,
De um alto ramo pendente.
Era bela macieira
Quem me deu acolhimento,
E no suco de seus frutos
Tive ótimo alimento.
Leves hóspedes alados
À sua pousada chegaram
E ali, em pleno banquete,
A exultar se regalaram.
Achei cama primorosa
Na macia e verde alfombra;
Minha coberta a hospedeira
Com a sua fresca sombra.

Ludwig Uhland

Einkehr

Bei einem Wirte, wundermild,
Da war ich jüngst zu Gaste;
Ein goldner Apfel war sein Schild
An einem langen Aste.

Es war der gute Apfelbaum,
Bei dem ich eingekehret;
Mit süsser Kost und frischem Schaum
Hat er mich wohl genähret.

Es kamen in sein grünes Haus
Viel leichtbeschwingte Gäste;
Sie sprangen frei und hielten Schmaus
Und sangen auf das beste.

Ich fand ein Bett zu süsser Ruh’
Auf weichen, grünen Matten;
Der Wirt, er deckte selbst mich zu
Mit seinem kühlen Schatten.

[Nun fragt ich nach der Schuldigkeit,
Da schüttelt er den Wipfel.
Gesegnet sei er allezeit
Von der Wurzel bis zum Gipfel.] *

* Nota do blogue Verso e Conversa: após pesquisas googleanas, o nem tão atrevido aprendiz de blogueiro desta página deixa registrado que este poema Einkehr foi/é composto de 5 estrofes de 4 versos cada, com o tradutor Bernardo Taveira Júnior só se ocupando das quatro primeiras estrofes; este humilde escrevinhador do blogue não se atreveu nem ao menos garatujar um só esboço que fosse de versão traduzida da tal quinta estrofe.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia de Poetas da Língua Alemã [diversos autores e tradutores], Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, coleção Clássicos de Bolso nº 82128, 1985[?], Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Ludwig Uhland (1787 1862), alemão de Tübingen, à época ducado de Württemberg, fez seus estudos iniciais na Schola Anatolica, escola latina de sua cidade natal, estudou jurisprudência e formou-se em Direito na universidade local, estudioso da literatura medieval, em especial da poesia alemã e francesa antigas, foi poeta, filólogo, professor, historiador literário, advogado e político; em viagem educacional a Paris, um mês após se formar, interessado nos escritos franceses e alemães antigos, concluiu seus estudos na Bibliotèque Nationale de France (Pariser Nationalbibliothek); data de 1812 seu poema Frühlingsglaube, “provavelmente o mais conhecido”; em 1829, foi nomeado professor da língua e literatura alemã na Universität Tübingen [Universidade de Tübingen]; como político, foi eleito membro do parlamento estadual de Württemberg e da Nationalversammlung, Assembléia Nacional, com sede em Frankfurt; suas obras: Vaterländische Gedichte (coleção de poemas, 1815, com várias outras edições nas quais se incluíam novos poemas), Ernst, Herzog von Schwaben — Trauerspiel in fünf Aufzügen (Ernesto, Duque da Suábia — peça fúnebre em 5 atos, 1817), Ludwig der Baier — Schauspiel in 5 Aufzügen (Ludwig, o Bávaro — peça em 5 atos, 1819), Der Mythus von Thôr nach nordischen Quellen — Studien zur nordischen Mythologie (O Mito de Thór de acordo com fontes nórdicas — Estudos em mitologia nórdica, 1836), Sagenforschungen (Pesquisa sobre lendas, 1836) ...; consta da biografia do poeta que suas baladas se tornaram amplamente populares e que várias delas se converteram em hinos nas composições de Johannes Brahms, Franz Liszt, Felix Mendelssohn Bartholdy, Franz Schubert, Richard Strauss e mais autores da música clássica e outros músicos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Friedrich Rückert: Ao cantor de amor

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[traduzido por Bernardo Taveira Júnior]

Se queres em peito humano
Todas as cordas mover,
Desfere os sons da tristeza;
Não descantes o prazer.
Para muitos cá na terra
Nunca a ventura existiu;
Mas quem ainda no peito
A voz da dor não ouviu?

Friedrich Rückert – Wikipédia, a enciclopédia livre
Friedrich Rückert

Dem Liebesänger

Wenn du willst im Menschenherzen
Alle Saiten rühren an,
Stimme du den Ton der Schmerzen,
Nicht den Klang der Freuden an.
Mancher ist wohl, der erfahren
Hat auf Erden keine Lust;
Keiner, der nicht still bewahren
Wird ein Weh in seiner Brust.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro RJ; Friedrich Rückert (1788 1866), nascido em Schweinfurt Alemanha, de pseudônimo Freimund Raimar, estudou Direito, Filologia e Estética, foi poeta, escritor e, autodidata em línguas orientais, apresentou a seus leitores alemães as literaturas árabe, persa, indiana e chinesa, através de traduções e imitações literárias; foi professor de Filologia Oriental em escolas alemãs; escreveu Geharnischte Sonette (Sonetos Exigentes, 1914), Die Weisheit des Brahmanen (A Sabedoria do Brâmane, seis volumes, 1836 1839), Liebesfrühling (Primavera de Amor, 1844) entre outros títulos; suas poesias foram musicadas por Schubert, Mahler, Robert e Clara Schumann, Strauss, Bartók e outros; recebeu premiações por sua obra.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Friedrich Schiller: A Partilha da Terra

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[traduzido por Bernardo Taveira Júnior]

Tomai o mundo! Assim do alto aos homens
Brada o Eterno. Coloco-o em vossas mãos.
Instituo-vos, p’ra sempre herdeiro dele.
Reparti-o entre vós como entre irmãos.

Eis todos dão-se pressa em ajustar-se,
Ativo corre o moço, corre o ancião.
O lavrador dos frutos se apodera;
Das matas faz o nobre o seu quinhão.

Dos cereais o mercador enche os celeiros;
Escolhe o frade o vinho para si;
O rei tranca as estradas, fecha as pontes,
O dízimo  dizendo  é para mi.

Largo tempo depois desta partilha,
De longe chega o poeta... Oh mágoa! Oh dor!
Disponível já nada mais se via,
Já tinha cada coisa seu senhor.

Pois eu, o mais fiel dentre os teus filhos,
Esquecido, eu somente, hei de ficar?
E o poeta com seus ais atroa o espaço
E do Eterno aos pés se vai prostrar!

Se embevecem-te os sonhos, ai! não venhas
Altercar  diz-lhe o Deus  comigo aqui!...
Quando fez-se a partilha, onde é que estavas?
Estava  diz o poeta  ao pé de ti.

Extasiado, o teu rosto eu contemplava
E ouvia as harmonias do teu céu,
Perdoa a esta alma se à tua luz, absorta,
De quanto era da terra se esqueceu.

E agora o que fazer?  tornou-lhe o Eterno 
Já campo e feira e caça, nada é meu...
Poeta, se queres tu viver comigo,
Aberto te estará sempre o meu céu.

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Friedrich Schiller

Die Teilung der Erde

“Nehmt hin die Welt!” rief Zeus von seinen Höhen
Den Menschen zu, “Nehmt, sie soll euer seyn!
Euch schenk ich sie zum Erb und ew’gen Lehen 
Doch theilt euch brüderlich darein!”

Da eilt’ was Hände hat, sich einzurichten,
Es regte sich geschäftig jung und alt.
Der Ackermann griff nach des Feldes Früchten,
Der Junker birschte durch den Wald.

Der Kaufmann nimmt, was seine Speicher fassen,
Der Abt wählt sich den edeln Firnewein,
Der König sperrt die Brücken und die Strassen,
Und sprach: “Der Zehente ist mein.”

Ganz spät, nachdem die Teilung längst geschehen,
Naht der Poet, er kam aus weiter Fern 
Ach! da war überall nichts mehr zu sehen,
Und alles hatte seinen Herrn!

“Weh mir! so soll denn ich allein von allen
Vergessen sein, ich, dein getreuster Sohn?”
So liess er laut der Klage Ruf erschallen
Und warf sich hin vor Jovis Thron.

“Wenn du im Land der Träume dich verweilet”,
Versetzt’ der Gott, “so hadre nicht mit mir.
Wo warst du denn, als man die Welt geteilet?”
“Ich war”, sprach der Poet, “bey dir.

Mein Auge hing an deinem Angesichte,
An deines Himmels Harmonie mein Ohr 
Verzeih dem Geiste, der, von deinem Lichte
Berauscht, das Irdische verlor!”

“Was tun?” spricht Zeus; “die Welt ist weggegeben,
Der Herbst, die Jagd, der Markt ist nicht mehr mein.
Willst du in meinem Himmel mit mir leben 
So oft du kommst, er soll dir offen sein.”
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologias de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 —  1805), alemão de Marbach am Neckar, inicia o curso de Direito, abandona, e forma-se em Medicina; foi poeta, filósofo, médico, professor, dramaturgo e historiador; considerado grande homem das letras, foi um dos principais representantes do Romantismo e do Classicismo alemão; sua obra: em dramaturgia: Os Bandoleiros (1781), Wallestein (1799), Maria Stuart (1800), A Noiva de Messina (1803), Guilherm Tell (18031804) etc., em poesia: Os Artistas (1788), Ode à Alegria (1785), A Luva (1797) O Canto do Sino (1799) e outros, em prosa: Cartas Filosóficas (1786), Da Arte Trágica (1792), Do Patético (1793), Poesia Ingênua e Sentimental (1796), História da Separação dos Países Baixos (1788), História da Guerra dos Trinta Anos (inacabada, 17911793) e outros títulos.