domingo, 30 de novembro de 2014

Federico García Lorca: A Casada Infiel

____________________
[tradução de Ivo Barroso]

E não é que a levo ao rio
pensando que era donzela
e a moça tinha marido!

Foi na noite de Santiago
e quase por compromisso.
Os postes já se apagavam
e acesos punham-se os grilos.
Pelas últimas esquinas
palpei-lhe os seios dormidos
que logo desabrocharam
como ramos de jacintos.
A goma de sua anágua
rascava nos meus ouvidos
como um pedaço de seda
por dez punhais descosido.
Sem luz de prata nas copas
as frondes tinham crescido
e um horizonte de cães
latia longe do rio.

Depois de passar as moitas,
pelos juncos e os espinhos,
com a mata de seus cabelos
fiz um leito sobre o limo.
Eu fui tirando a gravata,
ela tirou seu vestido;
eu, o revólver da cinta,
ela, seus quatro corpinhos.

Nem os nardos e as verbenas
têm um toque assim tão fino,
e nem cristais sob a lua
faíscam com tanto brilho.
Sua carne escorregava
como peixes surpreendidos,
metade cheios de lume
metade cheios de frio.
Naquela noite corri
o melhor de meus caminhos,
montado em potra de nácar
sem bridas e sem estribos.
Por ser homem, não espalho
o que ela disse comigo,
pois a luz do entendimento
me leva a ser comedido.
Suja de areia e de beijos,
trouxe a de volta ao rio.
Já com o vento se batiam
as mil espadas dos lírios.
Portei-me assim como sou.
Um estojo de costura
lhe dei, bem grande e bonito,
mas não quis apaixonar-me
porque já tendo marido
me disse que era donzela
quando a levei para o rio.

Federico García Lorca

La Casada Infiel

Y que yo me la llevé al río
creyendo que era mozuela,
pero tenía marido.


Fue la noche de Santiago
y casi por compromiso.
Se apagaron los faroles
y se encendieron los grillos.
En las últimas esquinas
toqué sus pechos dormidos,
y se me abrieron de pronto
como ramos de jacintos.
El almidón de su enagua
me sonaba en el oído,
como una pieza de seda
rasgada por diez cuchillos.
Sin luz de plata en sus copas
los árboles han crecido,
y un horizonte de perros
ladra muy lejos del río.


Pasadas la zarzamoras,
los juncos y los espiños,
bajo su mata de pelo
hice un hoyo sobre el limo.
Yo me quité la corbata.
Ella se quitó su vestido.
Yo el cinturón con revólver.
Ella sus cuatro corpiños.


Ni nardos ni caracolas
tienen el cutis tan fino,
ni los cristales con luna
relumbran con ese brillo.
Sus muslos se me escapaban
como peces sorprendidos,
la mitad llenos de lumbre,
la mitad llenos de frío.
Aquella noche corrí
el mejor de mis caminos,
montado en potra de nácar
sin bridas y sin estribos.
No quiero decir, por hombre,
las cosas que ella me dijo.
La luz del entendimiento
me hace ser muy comedido.
Sucia de besos y arena
yo me la llevé al río.
Con el aire se batían
las espadas de los lirios.

Me porté como quien soy.
Como gitano legítimo.
La regalé un costurero
grande, de raso pajizo,
y no quise enamorarme
porque teniendo marido
me dijo que era mozuela
cuando la llevaba al río. 
____________________
O Torso e o Gato — O Melhor da Poesia Universal, Tradução e Organização de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss, 1991, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Federico García Lorca (1898  1936), espanhol nascido em Fuente Vaqueros, região da Andaluzia, foi dramaturgo e poeta; escreveu e publicou Impressões e Paisagens (prosa, 1918),  Livro de Poemas (1921), Ode a Salvador Dali (1926), Dona Rosita, a solteira (teatro, 1927), Canciones 1921 a 1924 (1928), Romancero Gitano 1924 a 1927 (1928), Ode a Walt Whitman (1933), Bodas de Sangue (teatro, 1933), Yerma (teatro, 1934), A Casa de Bernarda Alba (teatro, 1936) e muitos outros títulos em verso e prosa ou dramaturgia; Lorca, que teve parte de sua obra publicada só postumamente, foi uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola, morreu fuzilado pelas tropas nacionalistas do General Franco, que acabou por instalar a ditadura franquista no país.

Algernon Charles Swinburne: Hendecassílabos

Resultado de imagem para Grandes poetas da língua inglesa do século XIX
____________________
(tradução de José Lino Grünewald)

Pelo mês do longo declínio de rosas
Eu, vendo o verão morrer na minha frente,
Pus o rosto face ao mar e calmo fui-me,
Olhando com ânsia lá onde no farol
Fera flama ou olho ardente de leões
Semidividiu as pálpebras do ocaso;
Até que eu o ouvi como ruído de águas
A mover-se trêmulo sob os pés de anjos
Múltiplos, saídos de mil paraísos;
Soube do vento ágil, da folha agitada,
Num estremecer, pleno de som e sombra;
E vi, conduzidos por anjos salientes,
Obscura extensão, suprida de luar,
Só tristes canais num brando curso baixo,
Soprados por lábios de vento que eu não
Sei, ventos não vindos do norte ou outros cantos,
Ventos nada quentes ao sul, nem ao sol;
Voz de exultação ouvida por entre eles,
“Vê, morreu o verão, o sol se desbotou,
Até como folha, o ano está mirrado,
As frutas do dia, de todos seus galhos
Juntos, nem qualquer restou para juntar.
Todas flores mortas, os frágeis botões,
Tudo foi levado, a estação assolada
Tal qual uma brasa entre as cinzas caídas.
Ora em luz de dias de inverno, e luar,
Luz de neve, frio luzir da geada,
Nós trazemos flores sem murchar no outono,
Pálidas grinaldas, coroas de outra época
Belas flores falsas (no verão, mais falsas),
Tecidas sob olhos de estrela e planetas
Quando era luz baixa na faixa do vento
Quando a flor da espuma foi soprada, um lírio
Caiu entre os sulcos sonoros e estéreis
E campos bem verdes no mar sem pastagem:
Quando o inverno vem, o soluçante inverno,
As flores são lágrimas e em torno aos templos
Ficou sempre o férreo aflorar do frio.”

Algernon Charles Swinburne
Algernon Charles Swinburne

Hendecasyllabics

In the month of the long decline of roses
I, beholding the summer dead before me,
Set my face to the sea and journeyed silent,
Gazing eagerly where above the sea-mark
Flame as fierce as the fervid eyes of lions
Half divided the eyelids of the sunset;
Till I heard as it were a noise of waters
Moving tremulous under feet of angels
Multitudinous, out of all the heavens;
Knew the fluttering wind, the fluttered foliage,
Shaken fitfully, full of sound and shadow;
And saw, trodden upon by noiseless angels,
Long mysterious reaches fed with moonlight,
Sweet sad straits in a soft subsiding channel,
Blown about by the lips of winds I knew not,
Winds not born in the north nor any quarter,
Winds not warm with the south nor any sunshine;
Heard between them a voice of exultation,
"Lo, the summer is dead, the sun is faded,
Even like as a leaf the year is withered,
All the fruits of the day from all her branches
Gathered, neither is any left to gather.
All the flowers are dead, the tender blossoms,
All are taken away; the season wasted,
Like an ember among the fallen ashes.
Now with light of the winter days, with moonlight,
Light of snow, and the bitter light of hoarfrost,
We bring flowers that fade not after autumn,
Pale white chaplets and crowns of latter seasons,
Fair false leaves (but the summer leaves were falser),
Woven under the eyes of stars and planets
When low light was upon the windy reaches
Where the flower of foam was blown, a lily
Dropt among the sonorous fruitless furrows
And green fields of the sea that make no pasture:
Since the winter begins, the weeping winter,
All whose flowers are tears, and round his temples
Iron blossom of frost is bound for ever."
____________________
Grandes Poetas da Língua Inglesa do Século XIX, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Organização de José Lino Grünewald, 1988, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro RJ; Algernon Charles Swinburne (1837 1909), britânico nascido em Londres, foi poeta, dramaturgo e crítico; abandonando seus estudos em Eton e Oxford para dedicar-se inteiramente à poesia, teve sua obra caracterizada pelo abuso de efeitos como a aliteração e as rimas, por tons sensuais e mórbidos, privilegiando a sonoridade despertada pelas palavras e suas junções; de época vitoriana, o poeta ficou conhecido também por gerar controvérsia ao abordar temas sadomasoquistas, lésbicos, fúnebres e anti-religiosos; traduziu Safo, mas também foi um autor clássico e comportado; escreveu Atalanta in Calydon (drama lírico, 1865), Poems and Ballads (Poemas e Baladas, 1866), A Song of Italy (épico inspirado em Garibaldi, 1867), Poems and Ballads Second Series (1878), A Study of Shakespeare (1880), Mary Stuart (Mary, Rainha da Escócia, peça romântica, 1881), Poems and Ballads Third Series (1889) e muitos outros títulos; 

sábado, 29 de novembro de 2014

Franco de Sá: Eu não te encaro, donzela

Poesia Romantica Antologia 1965
____________________
Eu não te encaro, donzela,
Mas tu não sabes por quê;
Daquela verde janela
Talvez a inveja nos vê.

Se divisarem ternura
De teus olhos no fulgor,
Em tua fronte tão pura
Quererão nódoas depor.

E eu, que te amo e venero,
Como a Deus um serafim,
Não quero, virgem, não quero,
Que tu padeças por mim.

Se meus olhos encontrares,
Os olhos porei no chão;
Apenas breves olhares
Te dirão minha paixão.

Nosso amor, nossos extremos
Ninguém conheça ao redor;
Amemos, virgem, amemos
Em silêncio, que é melhor.



Nota do Organizador:
Conforme nota que se lê na edição príncipe, os versos foram feitos de improviso em Recife, 1855.
____________________
Poesia Romântica — Antologia, Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos (vários autores), 1965, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Antônio Joaquim Franco de Sá (1836  1856), maranhense de Alcântara, foi poeta; fez seus primeiros estudos no Maranhão e no Rio de Janeiro; morreu muito jovem e não teve obra publicada em vida; seus poemas foram reunidos postumamente e editados em Poesias de Antônio Joaquim Franco de Sá (1867); há composições do poeta no Parnaso Maranhense (1861), além de versos esparsos e traduções de trechos de Childe Harold (de Byron) e de Sganarelle (de Molière), não reunidos em Poesias.

Emílio de Meneses: Prosopopeia da Pepa ao Pupo

____________________
“A Sra. Pepa Ruiz e os Sr. Pupo de Morais
andam em negociações para o arrendamento
do Mercado do Rio de Janeiro.” DOS JORNAIS

Parece peta, a Pepa aporta à praça
e pede ao Pupo que lhe passe o apito.
Pula do palco, pálida, perpassa
por entre um porco, um pato e um periquito, 

Após, papando, em pé, pudim com passa,
depois de peixes, pombos e palmito,
precípite, por entre a populaça,
passa, picando a ponta de um palito, 

Peças compostas por um poeta pulha,
que a papalvos perplexos empulha,
prestando apenas pra apanhar os paios,

permuta a Pepa por pastéis, pamonha...
 Que a Pepa apupe o Pupo e à popa ponha 
papas, pipas, pepinos, papagaios!

____________________
Poesia Parnasiana — Antologia, Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos (vários autores), 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Emílio de Meneses (1866  1918), paranaense de Curitiba, foi jornalista, cronista e poeta satírico; considerado excêntrico para os padrões da época, com seus textos cáusticos, mordazes e ferinos, nos meios literários houve e há quem o aproxime a Gregório de Matos; fez uso de diversos pseudônimos (Neófito, Gaston d’Argy, Gabriel de Anúncio, Cyrano & Cia., Emílio Pronto da Silva) para subscrever muito do que publicou; escreveu Marcha fúnebre (sonetos, 1892), Poemas da morte (1901), Dies irae  A tragédia de Aquidabã (1906), Poesias (1909), Últimas rimas (1917). 

Amadeu Amaral: A um adolescente — V

____________________
V

Ponha quem o quiser a mira predileta
ao alcance da marcha, e, mão alçada, siga,
certo de achar um dia a suspirada meta
e de colher o fruto e aplacar a fadiga.

Muito melhor, porém,  deixa que o diga um poeta,
e que o fátuo saber dos doutos contradiga, 
é perseguir o ideal com a esperança secreta
de que vê-lo jamais de frente se consiga.

É lutar como quem ambiciona a vitória,
arder em sangue, em raiva, em júbilo, em heroísmo,
e abrir para a derrota um semblante risonho.

Nem ouro, nem poder, nem gratidões, nem glória;
nada vale o viver pairando sobre o abismo
e a graça de morrer antes que morra o sonho.


Notas do Organizador:
A série (‘A um adolescente’, composta de 5 sonetos) é, no livro, dedicada a Júlio de Mesquita Filho;
Neste soneto V, denso de pensamento, Amadeu de certo modo cultua (verso 13) o “viver perigosamente” do futurismo, embora fosse avesso, pessoalmente, a essa doutrina literária (o modernismo).
____________________
Poesia Parnasiana — Antologia, Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos (vários autores), 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado (1875  1929), paulista de Capivari (hoje Monte Mor), foi poeta, jornalista, crítico, folclorista, ensaísta e filólogo; trabalhou nos jornais Correio PaulistanoO Estado de São PauloDiário da NoiteGazeta de Notícias (do Rio); escreveu e publicou Urzes (poesia, 1889), Névoa (poesia, 1902), Espumas (poesia, 1917), Letras Floridas (ensaio, conferências e palestras, 1920), O Dialeto Caipira (filologia, 1920), Lâmpada Antiga (poesia, 1924), O Elogio da mediocridade (ensaio, 1924) etc.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

José Paulo Paes: Canção do exílio

____________________
Um dia segui viagem
sem olhar sobre o meu ombro.

Não vi terras de passagem
Não vi glórias nem escombros.

Guardei no fundo da mala
um raminho de alecrim.

Apaguei a luz da sala
que ainda brilhava por mim.

Fechei a porta da rua
a chave joguei no mar.

Andei tanto nesta rua
que já não sei mais voltar.

____________________
Pois é, poesia  Antologia de poesias para jovens (vários autores), 2004, Global Editora, São Paulo  SP; José Paulo Paes (1926 1998), paulista de Taquaritinga, foi poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário, jornalista e editor; formado em Química Industrial, durante anos trabalhou em laboratório farmacêutico (Curitiba PR), sem jamais ter deixado a literatura, gosto adquirido através de seu avô que era livreiro; na cidade paranaense colaborou com a revista Joaquim (1946 1948), dirigida por Dalton Trevisan; transferindo-se para São Paulo, passou a colaborar com os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Tempo, Jornal de Notícias e Revista Brasiliense; escreveu e publicou: O Aluno (1947), Cúmplices (1951), Novas Cartas Chilenas (1954), Mistério em Casa (1961), Anatomias (1967), Resíduo (1973), Calendário Perplexo (1983), É isso Ali (1984), Gregos & Baianos (ensaio, 1985), Um por Todos (poesia reunida, 1988), A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu (1988), Prosas Seguidas de Odes Mínimas (1992), A Meu Esmo (1995), De Ontem Para Hoje (1996), Um passarinho me contou (1997), Melhores poemas (1998), Uma Letra Puxa a Outra (1998), Ri Melhor Quem Ri Primeiro (1999), O Lugar do Outro (1999), Socráticas (livro inédito, edição póstuma, 2001) e tantos outros títulos em parceria com poetas e escritores, no gênero poesia infantil e infanto-juvenil; como editor, verteu para o português autores gregos, dinamarqueses, italianos, norte-americanos e ingleses, tais como Charles Dickens, Joseph Conrad, Pietro Aretino, Konstantínos Kaváfis, Laurence Sterne, W. H. Auden, William Carlos Williams, J. K. Huysmans, Paul Éluard, Hölderlin, Paladas de Alexandria, Edward Lear, Rilke, Seféris, Lewis Carroll, Níkos Kazantzákis, Ovídio etc.; foi laureado com diversos prêmios literários, nas categorias poesia, literatura infanto-juvenil e tradução.

Furnandes Albaralhão: Bisita à casa du mo pai

____________________
É impriscindíbel que não se confunda
rabulação intistina com rabulação
intistinále. O varulho da mitralha é
 muito dif'rente! GÓMES LIÁLE

Como um pardal que bólta para u ninho
dispois de andáre pur aí além,
eu quis tamvém ribêre Santarém,
u meu primâiro e birginal cantinho.

Pinitrei. Um fantasma, com querinho,
que era, talbez, a assumvração d'alguém,
pigando-me p'la mão, disse: — "Meu vem!
"Bem cumigo!" E lá fomos, de mansinho...

Era aqui nesta alcôba, o dia intâiro,
em que eu vrincaba d'iscundêre, e tanto
que punha fora os vófes... Um v'rrâiro

eu fiz logo, contra u meu disâijo.
Una pulga churaba em cada canto.
Churaba em cada canto um pulsebâijo.

____________________
Antologia de Humorismo e Sátira (de Gregório de Matos a Vão Gôgo) — por R. Magalhães Júnior, 1957, Editora Civilização Brasileira S.A., Rio de Janeiro — RJ; Furnandes Albaralhão, pseudônimo de Horácio Mendes Campos (1902 ant.1964), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta satírico e de paródias, escritor, libretista de teatro de revistas, violonista e compositor; publicou o livro de humor Caldo Berde (1ª edição impressa em 1930), no qual apresenta sátiras, paródias de sonetos famosos e pensamentos com linguagem macarrônica, bem à moda do pré-modernista Juó Bananére; Horácio Campos foi um dos muitos colaboradores quase ignorados de uma das várias fases de A Manha, jornal humorístico e satírico do Barão de Itararé o Aporelly; ao autor de Caldo Berde coube cuidar, com muita arte, do suplemento lusitano de A Manha, escrevendo paródias de poetas portugueses e brasileiros e composições de sua inteira inspiração; trechos de seu livro foram republicados na revista A Pomba (década de 60).