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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Marquês de Maricá: Máximas

  • Ninguém considera sua ventura superior ao seu mérito, mas todos se queixam das injustiças dos homens e da fortuna.
  • A maledicência é uma ocupação e lenitivo para os descontentes.
  • A vitória de uma facção política é ordinariamente o princípio da sua decadência pelo abuso que a acompanha.
  • O erro máximo dos filósofos foi pretender sempre que os povos filosofassem.
  • O homem que cala e ouve não dissipa o que sabe, e aprende o que ignora.
  • A nossa vida é quase toda um sonho, e sonhamos acordado mais vezes que dormindo;
  • O estudo confere ciência, mas a meditação originalidade.
  • Ninguém é mais adulado que os tiranos: o medo faz mais lisonjeiros que o amor.
  • As idéias novas são para muita gente como as frutas verdes que travam na boca.
  • O homem que despreza a opinião pública é muito tolo ou muito sábio.
  • Ninguém mente tanto nem mais que a História.
  • Os homens, por não desagradar aos maus de que se temem abandonam muitas vezes os bons a quem respeitam.


(Transcrito de Coleção Completa de Máximas, Pensamentos
 e Reflexões, do Marquês de Maricá, R.de Janeiro, 1850 por
 Almachio Diniz, Anthologia da Língua Vernácula Organizada
 como Curso da Literatura Brasileira, Livraria Catilina, Bahia,
 1913, excertos retirados das pp. 207 - 212.)
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Antologia de Antologias prosadores brasileiros "revisitados", organização de Magaly Trindade Gonçalves, Zélia Thomaz de Aquino e Zina Bellodi Silva, apresentação de Plínio Doyle e prefácio de Fábio Lucas, Musa Editora 1996, São Paulo SP; Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773 1848), nascido no Rio de Janeiro, doutor em Filosofia e consagrado matemático formado na Universidade de Coimbra Portugal, foi escritor e político brasileiro senador e ministro da Fazenda no Primeiro Império; escreveu Máximas, Pensamentos e Reflexões (1843) e Novas Máximas (1846).