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XVII
O homem que não foi meu
um dia será de Alzira.
E passará os seus dedos
sobre suas pernas de virgem
e contará o segredo
daquele olhar de menina.
Amado, bem o sabia
que os meus delírios noturnos
nunca te resguardariam
do sabor dos frutos novos.
Os homens querem Alzira
e os escondidos dos mares
e as conchas que não se lançam
às vontades das marés.
Há muito que pressentia
teu gesto de retirada
(como a noite espera o dia
mergulhada no silêncio)
Alzira, menina pura
teu corpo feito de lírios
assustava aquele meu
maduro e já sem vontade
de lutas e de emboscadas.
..................................................
O homem que não foi meu
(porque me deu estertores
que à outra seriam dados)
em tardes de fevereiro
Alzira levou p'ra longe.
.................................................
Aquela menina pura
ficou pétala fendida
flor com mil olhos de água
espantados e noturnos.
Alzira soluço brando
e face tão misteriosa
que pena tenho guardada
por te saber corrompida.
Balada de Alzira — 1951

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Baladas — Hilda
Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo,
São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst
(1930 — 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela
Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e
publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do
Silêncio (1959), Trovas de muito
amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o
Anjo (1962), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Amavisse (1989), Alcoólicas
(1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros
títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu
não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora
D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um
sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume
I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios
literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o
francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas — SP,
construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus
textos; hoje, a Casa do Sol é a séde do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva
preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.









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