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Das sombras da vida
da dor mais sentida
dos gritos, gemidos
ecoando no espaço
nascem os meninos de rua.
Das plantações da fome
dos homens sem nome,
sem dentes, sem terra
sobreviventes da guerra
nascem os meninos de rua.
Do salário de exploração
insegurança, fome, inflação;
da falta de leite
no seio das favelas
nascem os meninos de rua.
Da violência da polícia,
da iniquidade da Justiça
desigualdade, maldades
dos rostos humilhados
nascem os meninos de rua.
Do Brasil, brasileiro,
ritmado no pandeiro
do lucro fácil,
por político “Gerson”*,
nascem os meninos de rua.
Da minha revolta, minha vergonha,
minha iniciativa e insônia
acendo um holofote no escuro
e escrevo em cada muro:
por que nascem os meninos de rua?
* Nota do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que “Gerson” refere-se à expressão ‘Lei de Gerson’, foi cunhada em 1976 e baseou-se numa propaganda de cigarros da época [cigarros Vila Rica] na qual o protagonista/ator, Gerson, ex-jogador de futebol da seleção brasileira e considerado um dos cérebros entre os ‘tri-campeões’ da seleção de 1970, afirmava que gostava de “levar vantagem em tudo” e concitava o consumidor: “leve vantagem você também. Fume Vila Rica”
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meninos de rua — poesia, Prefácio de Jack Rubens, 1991, Oficina Letras & Artes — Rio de Janeiro — RJ; Ricardo Rodrigues de Aquino, nascido em 1952, fluminense e carioca, formado pela UERJ — Universidade Estadual do Rio de Janeiro, é médico psiquiatra e psicoterapeuta em formação psicanalítica, com mestrado e doutorado em Memória Social e também poeta; membro de instituições literárias, participou de recitais de poesia, publicou poemas na chamada imprensa alternativa, participou de diversas antologias poéticas e também publicou crônicas; seu livro individual de estréia foi Meninos de rua — poesia (1991).