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Divagar, que ilusão! O mundo é
estreito
para contar as minhas sensações...
qual saudades não moram no meu
peito,
são tantas, quantas são
desilusões...
E as lembranças que trago do seu
leito,
mais que versos, que todas as
paixões?
E os beijos com que há tanto me
deleito,
olvidei-os por mil decepções!
E a vida, o desalento que me traz?
Para esquecê-la fixo-me em supô-la
numa viagem que o destino faz!...
volto a cismar, ao cais de onde
parti...
— e do naufrágio a Lenda a
recompô-la...
Num poeta em que há anos pereci!...
1918.
(Cópia fornecida pelo autor.)
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Panorama
do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira
12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy,
1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília
— DF; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 — 1955), catarinense
de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou
a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas,
político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com
a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições;
levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade;
foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou
com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); suas obras:
Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas
do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra
poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade
Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização
de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta
e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia
Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros
Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos
— Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).
* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes:
o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do
Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas
pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel
“de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que
Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A.
Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já em Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos (2008),
a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda
Trigueiros, além de Rictus da Cruz.





