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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Ernani Rosas: Divagar, que ilusão! O mundo é estreito . . . [soneto]


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Divagar, que ilusão! O mundo é estreito
para contar as minhas sensações...
qual saudades não moram no meu peito,
são tantas, quantas são desilusões...

E as lembranças que trago do seu leito,
mais que versos, que todas as paixões?
E os beijos com que há tanto me deleito,
olvidei-os por mil decepções!

E a vida, o desalento que me traz?
Para esquecê-la fixo-me em supô-la
numa viagem que o destino faz!...

volto a cismar, ao cais de onde parti...
e do naufrágio a Lenda a recompô-la...
Num poeta em que há anos pereci!...

1918.

(Cópia fornecida pelo autor.)

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); suas obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já em Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos (2008), a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Ernani Rosas: O Monge-e-o-Burro!


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Há muita gente tola neste mundo,
Que é capaz de esmurrar ponta de faca:
Se em burro não virar, pode ser vaca...
e fuçar como um porco em charco imundo!

Muito mais burro é quem Te chama burro,
há rapazes que têm orelhas mocas!
outras, rasgadas, caem-lhes sobre a boca
dando em silêncio um insensível urro.

Confesso que encarnam informe aspecto
de Zebra ou de loba para assim passar...
entre os homens mais vis, nesse discreto

Hábito negro  a pel’ de uma caveira!
indo por montes brancos de Luar...
grunhir como um suíno na estrumeira!

[1]946 Rio

N. Luso

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Ernani Rosas: Perfil de um Pirata


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Improvisou estudos de finança,
galgara alto cargo na fazenda...
armara bravamente a sua tenda,
gozando do governo a confiança...

Metera os pés p’las mãos com segurança,
fizera do tesouro uma fazenda...
esbanjando o dinheiro com pujança,
com prodigalidade sem ter renda...

Como nédio muar extravasara
inutilmente os cofres, que coragem...
alegando que gentes amparava!...

Sei, de fonte segura, que lançara...
em prática o dinheiro à agiotagem,
amparando os amigos que lesara!...

[19]46 Rio

(A. Luso)

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Ernani Rosas: Tântalo da dor

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Maldita seja a Arte incompreendida
e a taça do Ideal que nos lacera...
os vinhos de Luxúria e da Quimera
e a báquica eclosão da Luz dorida!

dos tântalos letais e da beleza,
da dúvida do mundo em meu pensar...
os ciclos turvos de íntimas tristezas
que nunca mais se vão para o Luar!

E o meu cismar romântico e amoroso,
é como um rio fundo rumoroso,
cheio de sombras e de estrelas d’oiro...

P’la maldição dessa sinistra incúria,
maldiz ao fel da vida, como agouro...
Maldita seja a serpe das Luxúrias!

Rio 945

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes *  encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e este Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos.

Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes organizadas pelo poeta, em torno de trinta e sete, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz; neste Cidade do Ócio, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

domingo, 19 de maio de 2019

Ernani Rosas: Era Sol-Posto, a paz que ali reinava * . . . [soneto]

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Era Sol-Posto, a paz que ali reinava
o coração de mágoa envelhecia
e a luz crepuscular já declinava
numa sentimental melancolia!

Parecia do céu, que se exilava
descer chorando aos mundos da agonia
e a essência da su’alma ali morava
como doce, perdida nostalgia...

E foi, assim na vida se extinguindo,
como a pálida chama que amortece
aquele olhar crepuscular fugindo!...

Pra que eu ficasse amando da Saudade
a Branquidão da paz de toda Aldeia,
quando eu tornar à minha Soledade!

16-4-912

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* Nota de Ana Brancher: Poema datilografado em lilás
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História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes** encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes  (2008).

** Nota II: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Ernani Rosas: Hora de Insônia

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Noite sem termo! A Lua erra em delírio,
balbucio palavras sem querer...
cismo no olor vernal d’alma de um lírio,
e sou memória d’algo a transcender...

Sofro-lhe a ausência. A carne é meu martírio,
Ressurjo... amo a visão do meu Não-Ser!
Todo meu corpo é amorfa névoa  círio...
volúpia de um perfume a se perder.

Cismo na errante estrela, que deslumbra
o vaso de teu ser dentre o relento
num murmúrio de fonte que ressumbra!

Sou o olfato! Amo as horas de um jardim...
Sou uma vaga sonora em pensamento:
Eflúvio lirial que vens a mim!...

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História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes  (2008).

Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Ernani Rosas: Sonho-Ironia!

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Nunca, serás a Musa que plasmei,
nem a Vênus incompleta da beleza!
vestida dessa atávica tristeza
através dessa auréola que sonhei...

Fecundada p’lo estame da Ironia,
esboçada p’lo meu sonhar insano,
Lembra uma Lua de melancolia
na ascensão da magia desse arcano...

Lembra um Zainfe na lânguida corrente,
onde o cisne da dúvida naufraga...
e torva à flor ao raio do poente!

E nessa auréola irônica e pressaga,
a transitória imagem fulvamente,
flutua no Cairel que a Lua afaga!


Rio 945

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani  Salomão Rosas Ribeiro de Almeida  (1886  1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O ImparcialMaçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes *  encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e este Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos.

Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o  História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; pelas plaquetes, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz; neste Cidade do Ócio, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Ernani Rosas: A Pereira da Silva *

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A Tristeza é um prenúncio d’Alegria,
Alegria é um prenúncio de tristeza,
cada ser que floresce é um’Alma presa
a um ritmo de perfume que nos guia

Por isso que te fiz névoa de dia
a sombra de minh’alma, na pureza**
dessa luz interior, que me alumia...
e revela alguém pela incerteza!

Quando em idílio romântico cintila
o teu perjuro olhar emudecendo,
ante o fulgor de lúcidas pupilas...

Sinto, que vais de mim Te transmudando!
para uma nova vida te ascendendo...
candeia dos meus-Olhos se apagando!

910

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Notas de Ana Brancher:
* Datilografado em lilás. Logo abaixo do título, há uma interrogação como se fosse uma dúvida de Ernani Rosas; o poema está riscado por um grande X; o primeiro terceto está manuscrito a lápis, num corte entre os dois quartetos e o último terceto. Fica a impressão de que Ernani Rosas teria eliminado o poema da plaquete. As iniciais dos primeiros versos das estrofes estão datilografadas em vermelho;
** Está riscada, mas sem reescritura.
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História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O ImparcialMaçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes*** encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).

*** Nota II: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Ernani Rosas: Vontade Oculta

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Toda uma força oculta nos domina,
entrechoca-se as ânsias com o desejo;
nossos sonhos são nômadas no adejo
de incontida vontade peregrina...

Ao longe, muito longe em moribunda
claridade de tarde sibilina
adejam as esperanças na neblina,
que a natureza extática circunda...

Há sempre um sonho a esvoaçar na mente,
mas a força divina, que desmente,
arsilada* de todo o coração...

Porque a aurora é uma pálida Quimera!
Talvez, efeito de avernal cratera
da luxuriante chaga de um vulcão!...

943

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* Nota de Ana Brancher: Está: “arsillada”. Palavra não dicionarizada. Talvez um neologismo a partir de “ársis”, no sentido de elevação do tom ou da voz, no verso com sentido figurado; talvez “ancilada” a partir do substantivo feminino “ancila” (escrava, serva). Talvez “asilada”.
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História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, MaçãA Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes ** encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) e Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes  (2008).

** Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Ernani Rosas: Quando cessar o mórbido tormento . . . [soneto]

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Quando cessar o mórbido tormento
das misérias do fado que nos resta?
buscaremos os encantos da floresta,
a blasfêmia da fonte contra o vento...

A maldição da noite contra a vida,
as injúrias dos astros contra a aurora;
os soluços da alma arrependida
ante a desesperança de quem chora!

Porque tudo é agônico desejo,
sôfrego e amargo em fuga p’la ironia
do destino cruel que sempre vejo:

Esfarrapado à porta das herdades
de crestados jardins com ramarias...
Que me foram perjuros n’outra idade!...1

Rio 950

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1 Nota de Ana Brancher: Há uma variante do terceto final: “Esfarrapado à porta de um castelo, / de crestados jardins quase em agonia, / morto de amor pelos seus olhos belos!... 950 Rio E. Rosas”
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História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã e A Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio  (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes (2008).

Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Ernani Rosas: Violino da Saudade

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A Paul de Verlaine1

Encantado violino da Saudade,
que desenterras o meu tempo azul;
enlaivado da mágoa, que me invade
pelo silêncio da minh’alma êxul2...

Choras... e o teu soluço se ilumina
como via-láctea que nest’alma mora
sacode-o brutalmente, e se a domina
põe suspiros de vento numa aurora...

Eis a razão de tudo colorido:
olfato, paladar, ouvido, olhar...
rompe da sacada, assim como um gemido!...

É uma forma de ser mais singular...
que anseia muito além do meu sentido,
Remotíssima3 orquestra a voz de um mar!...

918 Rio...

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Notas de Ana Brancher: 
1 Paul Verlaine (1844  1896) autor de Les Poètes Maudits; os simbolistas denominaram-se “malditos” a partir do aparecimento deste livro de Verlaine;
2 Ernani Rosas acentua a palavra como “exúl” (oxítona) e não “êxul” (paroxítona). Segundo Andrade Muricy, o adjetivo “êxul” era muito usado pelos simbolistas, sempre como oxítona;
3 Está “remotisso”, palavra não dicionarizada. Considerando a métrica (versos decassílabos), pode ser “remotíssima”.
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História do Gosto e Outros Poemas — Ernani Rosas, Organização de Ana Brancher e Biobibliografia de Iaponan Soares, 1997, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886  — 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, MaçãA Época; sua bibliografia: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro —  Organização de Andrade Muricy (1952), foram incluídos vinte e sete de seus poemas e, em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989), estão reunidos, em sua obra, todos os manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois, vieram outros estudos: este História do Gosto e Outros Poemas (1997) Cidade do Ócio — entre sonetos e retalhos, Organizadora: Zilma Gesser Nunes  (2008).

Nota: plaquetes: este aprendiz de blogueiro faz constar que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas, as plaquetes, em torno de trinta e sete, organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo, além do já anteriormente citado Rictus da Cruz.