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Nada do que eu escrevo é
alguma coisa nova
neste jogo sem juiz
de fora deste quarto
emparedado
de muros.
Jogo palavras on-line
nas paredes de loucuras
em que sonha
minha língua-falo
E a tua língua, Amada!
tem sabor de
amoras pretas.
Pelo canto da
minha boca intumescida
pelos teus beijos
escorre um rio doce
de cana-de-açúcar
Eu trago meu hálito
meu corpo seco
de ressaca e penso
tímido
na umidez
do teu precipício
— ó boca entreaberta
de um vulcão adormecido!
Navegar só
é assim:
do nada do teu sono
do sacolejar distante
do teu corpo frio,
ao calor das areias
noturnas
desse deserto
de amor.
& outros poemas, 2013

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Memória da
Noite — revisitada & outros poemas, Apresentações de Hélio
Pinto Ferreira e Oswaldo de Camargo; 2013, segunda edição, Editora do
Autor, parcerias com Ciclo Contínuo Editorial, Quinto Elemento Edições, Coletivo
Esperança Garcia, Elo da Corrente, Axé Produções e Perifatividade, São
Paulo — SP; Abelardo Rodrigues, nascido em 1952, em Monte
Azul Paulista — SP, é poeta com trajetória literária no movimento
negro; co-fundador e um dos criadores do Grupo Quilombhoje e da
revista Cadernos Negros; escreveu Memória da Noite (poemas,
1978) e participou em antologias: Cadernos Negros
2 (1979), Cadernos Negros
3 (1980), Axé — Antologia de Poesia Negra
Contemporânea (1982), A Razão da Chama — Antologia de
Poetas Negros Brasileiros (1986) e outras publicações; teve textos publicados e
divulgados nos Estados Unidos e na Alemanha.