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domingo, 12 de junho de 2022

Roberto de Mesquita: Universalidade II

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Enquanto se detém o vosso olhar
À tona dos aspectos, impotente,
No âmago de tudo, claramente,
Eu descubro um espirito a cismar.

Deleita-se a minha alma a respirar
Os afetos das cousas: a dolente
Nostalgia dum cerro olhando o mar,
A oração das paisagens ao morrente...

Sim, eu respiro como essência estranha
A orfandade que exala uma montanha
Quando o Outono a junca de destroços.

E esses casais, dispersos pelo monte,
Sinto-os pensar, cravando no horizonte
Os seus olhos humanos como os nossos.

Almas Cativas — 1931

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Poesia Simbolista — Literatura Portuguesa [vários poetas], Seleção, Introdução, Traços Biobibliográficos e Notas de Álvaro Cardoso Gomes, 1986, Global Editora, São Paulo — SP; Roberto de Mesquita Henriques (1871  1923), português de Santa Cruz das Flores, Arquipélago dos Açores, estudou no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, foi escrivão da Fazenda Pública, poeta do Parnasianismo e sobretudo um expoente do Simbolismo português; publicou seus versos em jornais e revistas açorianas e continentais, os quais foram postumamente reunidos em seu único livro editado: Almas Cativas (1931).