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sábado, 10 de junho de 2017

Maurício Alvim: josé

Resultado de imagem para Mauricio Alvim Testamentos, cantos às putas e outras coisas escritas
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Escuta, menino.
É preciso que segures o formão na inclinação exata
para que da madeira extraias a obra
A tua vontade,

Não violes as veias.

Não me olhe com incredulidade
Aprende o ofício.

Pra que sonhos maiores?
A marcenaria é em si o sonho da criação.
Construa mesas
          Não te interesses por quem nelas ceia.

Camas
          Sem te incomodar pelos ais de amor que lá purgarão
                    ou pelos que nelas deitarão o sono profundo.

                               Cedros, carvalhos, ciprestes e pinheiros
                               Amieiros, plátanos, choupos, alforraveiras e maquis.
                               Cada uma guarda uma alma
                                                     não as desfigures.
                                          Serão descansos de teus braços
                                                      e suportes dos suplícios.

Multiplica portas, janelas, bancos
Não te metas com pães
e peixes.

Escolhe amigos que não te sigam,
mas amparem.
Deixa Roma na sua paz.

A ânsia de cura cega teus olhos
A mim mesmo não manterás vivo.
Seduzido pela estrada.

Dê-me teu abraço.

Não te importem histórias de espíritos santos
ou quaisquer outras
           É o trabalho que conta
E filho é aquele a quem ensinamos o próprio ofício.
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Testamentos, canto às putas e outras coisas escritas poesias, sem data, etc. editora, São Paulo SP; Maurício Alvim, nascido em 1958, paulista e paulistano, formado em História na PUC Pontifícia Universidade Católica de São Paulo SP, bancário, militante sindical e poeta, escreveu Testamentos, canto às putas e outras coisas escritas.