
Escuta, menino.
É preciso que segures o formão na inclinação exata
para que da madeira extraias a obra
A tua vontade,
Não violes as veias.
Não me olhe com incredulidade
Aprende o ofício.
Pra que sonhos maiores?
A marcenaria é em si o sonho da criação.
Construa mesas
Não te interesses por quem nelas ceia.
Camas
Sem te incomodar pelos ais de amor que lá purgarão
ou pelos que nelas deitarão o sono profundo.
Cedros, carvalhos, ciprestes e pinheiros
Amieiros, plátanos, choupos, alforraveiras e maquis.
Cada uma guarda uma alma
não as desfigures.
Serão descansos de teus braços
e suportes dos suplícios.
Multiplica portas, janelas, bancos
Não te metas com pães
e peixes.
Escolhe amigos que não te sigam,
mas amparem.
Deixa Roma na sua paz.
A ânsia de cura cega teus olhos
A mim mesmo não manterás vivo.
Seduzido pela estrada.
Dê-me teu abraço.
Não te importem histórias de espíritos santos
ou quaisquer outras
É o trabalho que conta
E filho é aquele a quem ensinamos o próprio ofício.
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Testamentos, canto às putas e outras coisas escritas — poesias, sem data, etc. editora, São Paulo — SP; Maurício Alvim, nascido em 1958, paulista e paulistano, formado em História na PUC — Pontifícia Universidade Católica de São Paulo — SP, bancário, militante sindical e poeta, escreveu Testamentos, canto às putas e outras coisas escritas.