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[traduzido por
Per Johns]
Sou Impéria,
maciça Rainha da Terra,
primordial como
o frio que modorra no colo dos montes,
escura e
indomável — sonhando-me com frequência, já morta.
Esplendor é meu
anseio. Não conheço doçura.
Sou a natureza
estéril, o sáfaro deserto
Que germina
pedra por pão e o parto recusa.
Ninguém me pode
despertar sem meu amante,
o fogo, meu
senhor, que me sujeita
e me comove até
as mais fundas frinchas do abismo.
Tudo se torna
inútil a não ser nosso tremor.
Tudo que medra
e mancha minha pele de iridescências
arrepelo-o em
meu abraço com o Deus dos Terremotos.
Sob a turfa que
é revirada pelo arado
descansam
minhas intangíveis, livres entranhas de ferro.
Todo aquele que
no coração é estéril, tem algo de meu.
Nos venenos de
meus carvões e veios de ferro
azuleja a
primavera, que faz brotar o trigo nutriente.
Se goram os
campos — é minha parte vil.
Todo aquele que
desafina e não encontra o tom
da canção
cantada em coro solitário,
Todo aquele que
desafina, é chão de meu chão.
Indiferente aos
cortejos e danças dos que vivem
sonho sem
cessar com a música dos elementos originários.
Fulmine-os com
relâmpagos e terremotos e diga-lhes que parem!
Sou Impéria,
maciça Rainha da Terra.
Sou a natureza
estéril, o sáfaro deserto
que germina
pedra por pão e o parto recusa.
Crateras
venenosas, profundezas fumegantes,
antros
enegrecidos fedendo a enxofre e metal
abrem-se
íngremes ao apelo de meu destino chamejante.
Afundei no
oceano o palácio dos reis,
despedacei a
pobre felicidade do pobre ...
Por milhões de
anos, sou rica, infindavelmente.
Achega-te a meu
coração, que nunca temeu.
A porta está
aberta. Espero, indomável, meu amante.
Grande é sua
carne. E notória será nossa felicidade.
Imperia
Jeg
er Imperia, Jordmassens Dronning,
urstærk
som Kulden, der blunder i Bjergenes Skød,
mørk
og ubøjelig — ofte jeg drømmer mig død.
Pragt
er min Higen. Jeg kender ej Mildhed.
Jeg
er den golde Natur, det udyrkede Øde,
som
giver Stene for Brød, og som nægter at føde.
Ingen
kan vække mig uden min Elsker,
Ilden,
min Herre, til hvem jeg er givet i Vold,
saa
at jeg røres til Afgrundens dybeste Fold.
Alt
er unyttigt undtagen vor Skælven.
Alt,
hvad der trives og pletter som Skimmel min Hud,
ruster
jeg bort i et Møde med Jordskælvets Gud.
Under
den Græstørv, som vendes af Ploven,
hviler
mit jernfaste Indre unærmelig frit.
Hver,
som er Gold i sit Hjerte, har noget af mit.
Af
mine Kullags og Malmaarers Gifte
blaaner
den Vaarsæd, som yder det nærende Mel.
Vantrives
Markerne — min er den vantrevne Del.
Hver,
som er ustemt og ikke faar Tone
efter
en Sang, som man synger i Klynger og Kor —
hver,
som er ustemt, er Jord af min Jord.
Kold
for de Levendes Optog og Danse
drømmer
jeg evig om Urelementets Musik.
Slaa
dem med Lynild og Jordskælv og byd dem at standse!
Jeg
er Imperia, Jordmassens Dronning.
Jeg
er den golde Natur, det udyrkede Øde,
som
giver Stene for Brød, og som nægter at føde.
Giftige
Kratere, rygende Dybder,
sortsvedne
Huler, der stinker af Svovl og Metal,
aabner
sig brat, naar jeg lyder mit flammende Kald.
Kongernes
Slot har jeg sænket i Havet,
slaaet
den Fattiges fattige Lykke i Skaar ...
og
er utømmelig rig for Millioner af Aar.
Kom
til mit Hjerte, der aldrig har frygtet.
Døren
er opladt. Jeg venter ubændig min Elsker.
Stort
er hans Kød. Og vor Lykke skal blive berygtet.
[Paris,
1909]
(Dansk
Vers, 1912)
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Panorama da Literatura
Dinamarquesa — [vários períodos literários e várias autorias], edição bilíngue,
Prefácio, Introdução e Organização de F. J. Billeskov Jansen e R. Wagner Hansen
e Tradução de Per Johns, 1981[?], Editorial Nórdica, Rio de Janeiro — RJ; Sophus
Niels Christen Claussen (1865 — 1931), dinamarquês de Helletoft, ilha de Langeland,
estudou Direito em Copenhague, aprendeu Filosofia, foi jornalista, pintor, escultor,
escritor e poeta lírico; na poesia, recebeu influência dos simbolistas franceses
e muito influenciou os poetas modernistas dinamarqueses das décadas de 1940 — 1960;
Claussen viveu vários anos em Paris — França e na Itália e traduziu alguns de seus
poetas favoritos: Percy Bysshe Shelley, Heinrich Heine e Charles Baudelaire entre
outros; suas obras: Naturbørn (Filhos da Natureza, 1887), Pilefløjter (Flautas de
salgueiro, 1899), Ungt Folk (1894), Djævlerier (Demônios, 1904), Dansk Vers (Verso
Dinamarquês, 1912), Fabler (Fábulas, 1917), Heroica (1925) ..., além de vários livros
de viagem e contos de prosa lírica da vida em pequenas cidades dinamarquesas.

